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Olhe para os dois lados antes de atravessar

Felipe Klamt - Coluna Aparte

Hoje, viajei uns 55 anos ouvindo a voz do meu pai, comandante Illmo, o Alemão para os íntimos, recomendando diariamente atravessarmos a rua depois de olhar para os dois lados. Verdade que não havia tantos atropelamentos naquela época, mas, sem dúvida, já existia os aloprados transitando na contramão, por irresponsabilidade. Outros, sendo aloprados. Mesmo assim, ainda tínhamos a opção de escolher a hora de passar de uma calçada para o outro lado.

Assustadoramente estamos em uma época de impossibilidade na escolha, as ruas estão perigosas, potentes carros atropelam e assassinam afirmando que o pedestre não tem o direito da proteção de cidadão. Naturalmente todas as vias deveriam ser no fluxo central, sempre deixando a direita ou à esquerda para dobrar, seguindo o lado que acreditavam ser o mais curto. Podiam também, contornar e rumar para o outro lado. Eram outros tempos!

Evidente que estou fazendo o roteiro de trânsito por meio dos costumes de um país que sempre sofreu com a polarização, sendo identificada como obrigatória opção de votos. No Maranhão, nada diferente, quando não era cobrada a fidelidade no cabresto, a bala ficava como solução. Todos os dias vemos a radicalização como a praga dos novos tempos. Equívoco atemporal, os bichos grilos de esquerda e os falsos moralistas da direita sempre encheram a nossa paciência, nenhuma das alas tiveram a menor preocupação com a moralidade, o dever pelas leis e proteção da saúde mental coletiva.

Temos os mesmos modelos de pesquisas pré-eleitoral, servindo somente para alimentar a bolha da especulação e do terror nos políticos, imprensa e o periférico dos fuxiqueiros. Melhor sempre esperar a próxima pesquisa com a básica pergunta de qual bolso saiu a verba de quitação do instituto. Começa a valer do primeiro dia oficial do TSE até perto do derradeiro momento do voto. No mais, somente o disse me disse.

Possivelmente tudo será tal qual era após as convenções partidárias, vale a “amarra apoio no toco da onça”, fazendo a cobrança na lista de presença e somando o número agrupado de siglas somado ao tempo de televisão. Ainda vamos assistir muitas ações policiais, os pula cerca, os gordos gulosos reclamando o “quero mais papai”, os candidatos fazendo de conta por cárcere emocional ou vaidade e a pata dos “Leões” sendo pesada na histórica balança.

Dependendo da religião ou credo, assustou a atualização da quantidade dos terreiros em Codó que sempre batem um tambor pelos políticos. Assustadoramente, caiu de mais de 400 para algo em torno de 110 terreiros. Em compensação aumentou os templos evangélicos e pentecostais. Realidade a queda dos católicos, sem, jamais, faltar uma generosa quantidade de orixás e novos Santos para uma oração ou reza pedindo um votinho dos indecisos eleitores. Nem Deus aguenta mais. Esconjuro!

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Felipe Klamt
Felipe Klamt Colunista