opinião

O padre, o professor e a juventude

Carlos Nina - Advogado e jornalista

Assisti, em junho, à homenagem ao padre João Mohana, pelo centenário de seu nascimento, na Academia Maranhense de Letras, e ao professor José de Ribamar Silva Miranda, com a Medalha do Mérito Legislativo José de Ribamar de Oliveira “Canhoteiro”, na Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão.


Na AML, o presidente Lourival Serejo, falou sobre a diversidade da obra do padre Mohana. Sônia Almeida, da AML, falou sobre O outro caminho, um dos dois romances do padre. José Américo Abreu Costa, da Academia Maranhense de Letras Jurídicas falou sobre a Juventude Universitária Autêntica Cristã, movimento de jovens que, sob orientação de João Mohana, procuravam moldar-se sob a inspiração do cristianismo.


José Américo enfatizou a preocupação do padre com os jovens, com sua formação e educação, para que, adultos, na trajetória de suas vidas, inspirados em valores cristãos, contribuíssem para a construção de uma sociedade humana, solidária, saudável. Américo Costa, referindo-se àqueles que ali estavam compartilhando da homenagem, amigos e parentes, não teve dúvidas em afirmar que Mohana foi um semeador cujas sementes floresceram e cumprem seu destino forjados nos valores que ele soube plantar e regar.


Na ALEMA, o professor Miranda, o Gafanhoto, recebeu do povo do Maranhão, por iniciativa do deputado Fernando Braide, Medalha que lhe fora conferida pelos serviços que prestou aos jovens, através do esporte, como atleta, técnico, gestor e, acima de tudo, pelo exemplo de competência, dedicação, humildade e humanidade, fatos que, como semeador de amizades, fez com que, em circunstância inusitada, o plenário da ALEMA se tornasse pequeno para a quantidade de desportistas, jornalistas, gestores esportivos, pessoas dos mais diversos segmentos, fizessem questão de compartilhar daquele momento.


O professor Miranda, em discurso simples, verdadeiro diálogo com os amigos contemporâneos de sua juventude, os filhos desses amigos, referia-se a cada um lembrando o nome e histórias compartilhadas. E foi grato. Afirmou que só conseguiu realizar o seu trabalho no esporte por causa das famílias, que viram, nas escolinhas esportivas criadas e orientadas por ele, um reforço ou mesmo um suprimento para a educação de seus filhos.


É despiciendo dizer que o esporte é um meio de educação, desde que desvestido do egoísmo, da ambição e da corrupção que o contaminam. É aí que pessoas como o Miranda fazem a diferença. Porque, em qualquer uma das posições que ocupou nos esportes, foi sempre um amigo, orientador, pautado nos valores da ética, da decência e da moralidade.


Fiz questão de registrar esses dois eventos porque, embora sejam rotineiras homenagens e concessões de medalhas, já não é mais rotina a preocupação com os jovens, espiritualidade, educação e família. Ao contrário: são o alvo da estupidez dos que, movidos pelo egoísmo, pela ambição, planejaram e puseram em execução um projeto de destruição da sociedade, minando sua base, estrutura e futuro.

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Carlos Nina
Carlos Nina Colunista