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A vi­o­lên­cia que ve­le­ja nas on­das da Li­to­râ­nea

Carlos Nina - Jornalista

A vi­o­lên­cia que ve­le­ja nas on­das da Li­to­râ­nea

A prática esportiva vai além do lazer: promove saúde, bem-estar e convivência social. Em grupo, ensina disciplina, respeito e cooperação — valores essenciais para a vida em sociedade. No entanto, nem sempre esse ambiente é marcado pela civilidade. Episódios de violência têm contaminado até espaços associados ao equilíbrio e à harmonia.

Essa contradição reflete um traço recorrente da natureza humana: nem todos utilizam o esporte para fins positivos. Há quem o transforme em meio de agressão, expondo outros a riscos graves. Casos assim não se restringem à chamada cartolagem; também ocorrem entre praticantes, inclusive em atividades recreativas.

Essas reflexões têm-me assediado desde um episódio que aconteceu na orla da Litorânea de São Luís, onde um jovem surfista escapou por milagre de ser atingido por um kitesurfista criminoso, que jogou sua prancha sobre o jovem. Com essa afirmação não estou generalizando para os praticantes do kitesurf, que embelezam a Litorânea com suas velas, seu deslizar e mesmo seus voos sobre as ondas, nem ignorando que, entre surfistas, possa haver quem exponha banhistas a riscos.

Eu mesmo tive uma prancha de windsurf (Windglider), com vela de 6,5 m2, que substituí por uma menor, por recomendação e produção de Sérgio Marques, maranhense que se consolidou como construtor naval e projetista de catamarã. A vela original era imprópria para os ventos de nosso litoral, mesmo na enseada entre o São Francisco e a Ponta d´Areia.

Tanto que, inexperiente, temendo passar da boia em frente à área do Iate Clube, pela força dos ventos, joguei o mastro com a vela e a retranca para o lado direito em frente à boia, segurei na corda de levantar a vela (driza) e esperei que alguém da praia, nas proximidades de onde é o Iate Clube, viesse me tirar dos riscos da correnteza daquela área, já marcada por fatalidades.

No mesmo instante uma vela veio em minha direção. Era Jorge Dino, querido amigo e exímio navegador, que fora me resgatar. Jorge, hoje, divide-se entre o mar e sua pousada Traves´Cia, em Cururupu, na casa onde residiu seu pai, o ex-governador Antônio Dino, responsável pelo embrião ao qual deu continuidade Enide Dino, à frente do Hospital do Câncer Aldenora Bello, da Fundação Antônio Jorge Dino.

Diferentemente de Jorge, e sem que o jovem surfista estivesse em perigo, senão em paz, na sua prancha, viu ao longe, vindo do Oeste, um kitesurfista, apontando de forma determinada sua prancha na direção do jovem, arremessando-a contra ele, com inequívoca intenção de atingi-lo (animus necandi).

O jovem, incrédulo, só teve tempo de proteger o rosto, levantando os braços e, com a proteção de Deus, livrou-se do marginal, que fugiu, levando sua maldade, enodoando a imagem de um esporte que tanta beleza propicia e do qual participam, inclusive, autoridades policiais e membros do Ministério Público.

O caso foi informado à Polícia Civil e à Capitania dos Portos. Mas o energúmeno continua solto, contaminando as ondas da orla marítima, impunemente.

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Carlos Nina
Carlos Nina Colunista