Senado

Um Alcolumbre fora da curva

Alcolumbre é do baixo clero do Congresso Nacional e ganhou a disputa do cacique mais entendido de Senado e influente em Brasília, chamado Renan Calheiros

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, foi eleito no pleito mais longo da história recente, numa situação fora da contemporaneidade. Ele é originário da Arena, que virou PDS, que virou PFL, que virou DEM. O Estado do Amapá, sua origem, só ganhou visibilidade depois de ser elevado de Território federal à condição de Estado da Federação. Foi quando se tornou abrigo político-eleitoral do ex-presidente da República, José Sarney, do MDB.

Alcolumbre é do baixo clero do Congresso Nacional e ganhou a disputa do cacique mais entendido de Senado e influente em Brasília, chamado Renan Calheiros, com a maior bancada de 12 senadores no MDB. Com isso, ele fechou o ciclo do MDB no poder federal e abriu caminho para o presidente Jair Balsonaro deitar e rolar, com o DEM presidindo as duas casas do Congresso – um fato histórico, tão inusitado quanto foi a própria eleição de Boslonaro. Rodrigo Maia foi reeleito para presidir a Câmara, sem dificuldade.

Alcolumbre já indicou a senadora Simone Tebet (MDB-MS) para comandar a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), considerada estratégica da Casa. É por lá que passam todas as propostas brandas e complexas de interesse, ou não, do Planalto. Simone desafiou Renan, lançou candidatura avulsa, mas desistiu para apoiar Alcolumbre. É o jogo de xadreza sendo jogado, sem Edison Lobão, último presidente da CCJ, sem Sarney, quatro vezes, presidente do Senado, e sem Renan Calheiros, três vezes. Todos do MDB. Integrante menosprezado “baixo clero”, o novo presidente do Senado é visto pela maioria de seus pares como um hábil articulador e um político que “aprende rápido”, embora não tenha a experiência e a malícia das raposas tarimbadas. Após a vitória na eleição, por exemplo, disse que tentará pacificar as relações no Senado e telefonará nos próximos dias até para Renan. “Minha bandeira vai ser o diálogo. Meus colegas vão ter de fazer dessa Casa o que o Brasil esperar”, prometeu. Aos 41 anos, ainda no primeiro mandato como senador, Alcolumbre disputou o governo do Amapá em 2018 com uma ampla aliança, que incluiu até a Rede e o PSDB, mas perdeu para Waldez Góes (PDT). Cresceu politicamente na sombra do ex-presidente José Sarney, enfrentou o clã de seu padrinho ao conquistar a vaga no Senado, em 2014. Sarney, na realidade, só tinha como adversário político no Amapá, a família Capiberibe – assim como no Maranhão, onde só confrontava quem não se habilitava a se enquadrar no seu engrenado e infinito jogo de poder.

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