O protagonismo dos vices

A eleição presidencial daqui a 24 dias terá como protagonistas dois vices dos principais concorrentes ao Palácio do Planalto. O general da reserva Hamilton Mourão, vice do deputado Jair Bolsonaro, já se prepara para protagonizar a reta final da campanha. Bolsonaro, esfaqueado por um insano em Minas, permanece na UTI do Hospital Albert Einstein, em […]

A eleição presidencial daqui a 24 dias terá como protagonistas dois vices dos principais concorrentes ao Palácio do Planalto. O general da reserva Hamilton Mourão, vice do deputado Jair Bolsonaro, já se prepara para protagonizar a reta final da campanha. Bolsonaro, esfaqueado por um insano em Minas, permanece na UTI do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Já o líder de todas as pesquisas, Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba, desistiu ontem da persistência na eleição. Passou o bastão a Fernando Haddad, agora, oficializado candidato a presidente, com Manuela D’Ávila na vice.

Faltando tão poucos dias para as eleições, o Brasil vive um dos momentos mais complicados da crise que se arrasta ao longo dos últimos quatro anos. É o confronto político e o ódio radicalizado nos extremos que já tornam tenebroso o ambiente eleitoral. Os extremistas de direita nunca foram tão extremistas. Os de esquerda também assumiram o papel de não deixar pedra sobre pedra, quando a discussão gira em torno do poder. Os militares, pela voz do comandante do Exército, Villas Bôas, não deixam dúvida de que sempre, nas crises extremadas, há espaço para o tinido das baionetas.

De vice-presidente em vice-presidente, a história da República vendo sendo contada mais por essas figuras secundárias, que não recebem um único voto, do que pelo eleitos. José Sarney foi o último governador eleito no amanhecer da ditadura e o presidente sem voto popular dentro do mesmo regime de 1964. Também, entre os vices, foi o mais aquinhoado
com o poder federal. Como vice de Tancredo, usufruiu de cincos anos completos no Planalto. Na primeira eleição direta para o Planalto, em 1989, o “salvador da Pátria”, Fernando Collor de Mello só ficou menos de três anos no cargo. O vice Itamar Franco completou o mandato, sem ter muito o que fazer.

Entre governos biônicos, generais ditadores, eleições indiretas, planos econômicos explosivos e malsucedidos, o Brasil marcha agora para a nova escolha presidencial, com o Palácio do Planalto ocupado pelo vice Michel Temer. Com apoio do Judiciário, do Parlamento e dos Estados Unidos, golpeou Dilma Rousseff. Hoje, solitário, ele amarga um dos finais de governo mais melancólicos da República. Para piorar, os dois líderes das pesquisas de intenção de votos – Lula e Bolsonaro – estão fora de combate. Um esfaqueado na UTI e o outro preso em Curitiba. Enquanto isso, os extremos da política se encarregam de toldar o ambiente. Ontem, com a definição de Fernando Haddad, o mercado reagiu explosivamente: o dólar saltou para R$ 4,1542 na venda, e o Ibovespa
caiu 2,33%, fechando com 74.656 pontos. É um termômetro da complicação que está por vir. Quem viver verá.

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