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O menino Nauro

O que dizer sobre a ida para o andar de cima de um menino peralta? Tudo que se queira imaginar, rebuscar, rabiscar, desenhar, sonhar, orar é pouco para o tamanho da alma límpida, generosa e ingênua de Nauro Machado. De tão ingênua, ele extraiu dela a sofisticação universal da poesia. Cada palavra um grito, cada […]

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O que dizer sobre a ida para o andar de cima de um menino peralta? Tudo que se queira imaginar, rebuscar, rabiscar, desenhar, sonhar, orar é pouco para o tamanho da alma límpida, generosa e ingênua de Nauro Machado. De tão ingênua, ele extraiu dela a sofisticação universal da poesia. Cada palavra um grito, cada grito um som para ouvidos calibrados.

Nauro foi um menino que não se importou com requisitos do tempo, com o requinte de sua inspiração, nem com a grandeza de sua obra literária. Ele fazia poesia como faz um menino ao rabiscar a imaginação na folga da aula. Com a força do astro que flameja ou as garras de um condor. Nauro conseguia retirar do nada o tudo que a língua portuguesa permite, ao ser esculpida, letra por letra, palavra por palavra – o amor, o sofrimento, a alegria, o protesto, a dor – o tudo da vida, que é a essência da poesia.

Já disseram que o poeta é um fingidor. Finge tão completamente que chega a fingir que é dor. A dor que deveras sente. E os que leem o que escreve, na dor lida sentem bem. Será que eles têm as duas?Arlete Nogueira, sua eterna companheira de sonho, de vida e de letras, também tem o sentir do amor que não se vai nem se esvai. Os poetas são o que não parecem ser porque assim sendo não são poetas. Não são metidos nem se metem onde não os chamam. Mas chamam para si a natureza disforme dos versos, das rimas da inspiração.

Com Nauro Machado tudo calha em cada milímetro da existência, em cada recanto da vida, onde só a pureza da poesia penetra, desmancha, pulveriza e se faz joia. Se aloja e adorna o corpo e alimenta a alma ao som da poesia. Desculpa, poeta, por essas asneiras momentâneas, elucubráticas. Rompantes desconexos de sua grandiosa obra. Você é o menino que continua a brincar com letras e arte. Lá em cima…

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