Medo do descarrilamento

A disputa pelo Poder Executivo no Maranhão transforma as eleições de 2018 numa mistura de conspiração, fogo cruzado e manobras ardilosas. Por mais que a legislação eleitoral estabeleça regras rígidas sobre o que é permitido e proibido na campanha, os candidatos, porém, sempre encontram brechas para o enfrentamento com munição pesada, cujos estilhaços sobram sempre […]

A disputa pelo Poder Executivo no Maranhão transforma as eleições de 2018 numa mistura de conspiração, fogo cruzado e manobras ardilosas. Por mais que a legislação eleitoral estabeleça regras rígidas sobre o que é permitido e proibido na campanha, os candidatos, porém, sempre encontram brechas para o enfrentamento com munição pesada, cujos estilhaços sobram sempre para o eleitor. A campanha que se trava atualmente entre o governador Flávio Dino (PCdoB) e sua principal concorrente Roseana Sarney (MDB) saiu do campo da retórica para o ambiente da metódica.

O sarneísmo, sistema político que já superou os 50 anos de dominação no Maranhão, usa o método de jogar as peças no tabuleiro eleitoral e embaralhar a vida do concorrente. Aliás, no Maranhão, nem existem concorrentes quando o assunto é disputa do governo. A campanha é jogo pesado de inimigos de ferro e fogo. A campanha vira uma trombada entre os Sarney e quem ousar desafiá-los. Antes, foi Nunes
Freire, João Castelo, Epitácio Cafeteira, em momentos de destempero; José Reinaldo, por pirraça; Jackson Lago por teimosia; e, agora, Flávio Dino, por ideologia.

A transversalidade do poder emanado do Palácio dos Leões virou uma unilateralidade. José Sarney é um raro político profissional brasileiro que, também, enveredou pela literatura, chegando a entrançar a política com academia, sendo poderoso nos dois ambientes – pois um fortalece o outro. No Maranhão, a sua unilateralidade política deixa a literatura encaixotada e parte para as desavenças tupiniquins. Seus artigos semanais contra o inimigo de 2018, Flávio Dino, são tão cáusticos quanto no tempo de Cafeteira, que acabou cedendo no enfrentamento desigual, para usufruir do poder palaciano, emanado do poder de Sarney.

Com Flávio Dino, a realidade é outra. O governador não tem a veia humorística de Cafeteira nos seus bons tempos, quando fazia do palanque um palco para divertir o eleitor, contando lorotas sobre Sarney. O “palco” de Dino são as redes sociais, nas quais ele tenta ricochetear as munições disparadas contra si pelo arsenal midiático do Grupo Sarney. Inclusive, as saídas da própria verve literária do oligarca,
em seus artigos, detonadores de inimigos. É assim que a campanha de 2018 chega aos eleitores, com Sarney, aos 88 anos, na luta para não assistir ao descarrilamento de seu sistema de poder, tão longamente provido e aproveitado pelos que rezam na cartilha do sarneísmo.

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