Campanha enfurecida

A campanha eleitoral está só no começo e os maranhenses já se sentem no meio de um tiroteio, cuja munição é o velho  arsenal de baixarias e rasteiras. A disputa pelos mandatos está ultrapassando os limites da democracia participativa. Os candidatos travam uma batalha não para conquistar o voto, mas para derrotar o inimigo a […]

A campanha eleitoral está só no começo e os maranhenses já se sentem no meio de um tiroteio, cuja munição é o velho  arsenal de baixarias e rasteiras. A disputa pelos mandatos está ultrapassando os limites da democracia participativa. Os candidatos travam uma batalha não para conquistar o voto, mas para derrotar o inimigo a qualquer preço. Eles apostam sempre na ignorância coletiva, carregada de ódio, que nada tem a ver com o sentimento de povo civilizado. Como as redes sociais
viraram um território sem dono, é nela que a guerra entre conterrâneos
inimigos está expondo o lado perverso da política: a ética pessoal, a conduta e a responsabilidade pública relativa ao mandato eletivo tornaram-se matéria de baixa qualidade, obsoleta e descartável.

O ódio está dando o ritmo da campanha. Até o eleitor, que deve estar cauteloso sobre a velha política, parece se deixar contaminar. Nas redes sociais muitos aproveitam a campanha para todo tipo de desabafo, descarrego, xingamentos e ataque até à honra tanto de candidatos quanto de outros eleitores que se manifestam a favor ou contra determinados políticos e a política em geral. A campanha tem o objetivo de os candidatos exporem suas propostas aos eleitores, para que eles façam a escolha que lhe convier. Mas não está servindo para isso.

O grupo Sarney, depois de meio século de comando oligárquico no Maranhão, dispara a artilharia pesada contra o governador que o derrotou em 2014. Este, por sua vez, não alivia. E reage na mesma moeda – claro, pelos meios que dispõe. De quebra, Dino leva pedradas dos outros candidatos que entraram na trincheira dos Sarney, como Maura Jorge (PSL), Roberto Rocha (PSDB). Além de outros candidatos a mandatos no Legislativo, como José Reinaldo, Sarney Filho e seus aliados. Enquanto o governador mostra o que fez nos quatro anos que
terminam em dezembro, os sarneístas o enfrentam com o ódio de alguém que tinha tudo no poder e tenta retomá-lo, usando suas mídias como artilharia pesada.

Chamuscado no tiroteio, eleitor ainda leva a culpa por votar mal ao escolher maus candidatos. Fica impossibilidade de analisar cada proposta e a vida pregressa dos candidatos. As propostas são vazias, tecnicamente incompreensíveis para a maioria do eleitorado de baixa escolaridade ou mesmo analfabeto. Como um estado tão grande como o Maranhão é impossível o eleitor da pobre Baixada, por exemplo, saber o que é importante para os eleitores da próspera região do sul maranhense. Ele não sabe por que há tanta riqueza no cultivo da soja no sul, se à sua mesa o arroz é produzido na China e no Vietnã. E nenhum caroço saído de roças do Maranhão.

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