"Mijada no carnaval"

A catarse da folia

O primeiro carnaval da era Bolsonaro foi uma saraivada de fatos inusitados

No quartel, bordão “levar uma mijada” é um ‘praça’ levar uma descompostura de um superior. Como o Brasil hoje vive governado por uma possante junta militar, nada mais natural que tenham ocorrido incontinências mijadas pelo país afora, em meio às multidões carnavalescas. Aliás, o carnaval, por natureza, é um estado de espírito onde o escracho e a liberdade são a regra e o compasso. Talvez por isso, o primeiro carnaval da era Bolsonaro foi uma saraivada de fatos inusitados. Era gente mijando na rua e gente fardada dando “mijada” em subordinados. Nas redes sociais, o barulho político foi além dos teme-terra das baterias das escolas na Marquês de Sapucaí. Foi o carnaval em que a crítica social e a folia se misturaram sem pudor pelas ruas e avenidas, algumas delas com reprimendas e participação do presidente Jair Bolsonaro.

O Carnaval de 2019, com poder nas mãos de Bolsonaro, virou palco nada colorido, das intrigas, bate-rebate e esculhambações. A briga política desfilou desinibida na infinitude das redes sociais. A mesma catarse política vivida nas ruas foi transportada para os grupos de WhatsApp e sua congêneres. No twitter, Bolsonaro partiu para a briga com Caetano Veloso e Daniela Mercury. Os dois cantores baianos difundiram uma marchinha sobre a censura e o carnaval proibido, aludindo ao conservadorismo do novo Governo. Bolsonaro reagiu: disse que os “famosos artistas” não mais se locupletarão com recursos da Lei Rouanet.

De norte a sul do país, cordões, blocos e batucadas satirizaram o presidente, seus filhos e integrantes do Governo. No Rio de janeiro, 48 cheques-laranja marcharam no Cordão do Boitatá, domingo, em referência às transações suspeitas de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro. Jesus na goiabeira também saiu para pular e meninas vestiram azul e meninos, rosa, em sátiras à ministra Damares Alves, da Mulher e Família.

Ao reagir aos protestos das ruas, Bolsonaro postou em sua página no twitter vídeo de um folião massageando o ânus e dançando quase nu no topo de uma banca de jornal, enquanto outro urinava em sua cabeça, associando a cena aos blocos de rua. “É isto que tem virado muitos blocos de rua no Carnaval brasileiro”, comentou, aumentando a polêmica. “Não me sinto confortável em mostrar, mas temos que expor a verdade para a população ter conhecimento e sempre tomar suas prioridades”, escreveu o presidente. O Twitter, segundo a agência Reuter, está analisando o vídeo, tido como pornográfico, se fugiu às regras estabelecidas pela empresa.

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