
No próximo dia 30 de agosto, o CEM – Centro Espírita Maranhense completará 100 anos. Ele é o mais antigo centro espírita em funcionamento. Primeiramente, vamos definir sucintamente o que é um Centro Espírita: é um núcleo de estudo, fraternidade, oração e trabalho com base no Evangelho de Jesus à luz da doutrina dos espíritos. Do ponto de vista jurídico, é uma sociedade civil sem fins lucrativos, com diretoria e presidência eleitas pelos membros associados, em mandatos que variam de acordo com cada casa. São poucas as instituições que chegaram aos 100 anos nesta cidade.
O Maranhense foi aprendendo aos poucos a valorizar a memória do seu passado coletivo, por isso tivemos dificuldades em obter as fontes. Esta matéria será, então, um misto entre o passado e o presente do CEM. Sobre a fundação do CEM, vamos registrar aqui a sua primeira diretoria:
Presidente: Domingos de Castro Perdigão
Vice-Presidente: Antônio Nogueira Vinhais
1º Secretário: Plácido José Camões
2º Secretário: Francisco Coelho dos Santos
Tesoureiro: João Silvestre Viana Torres
Bibliotecário-Arquivista: Osório Gonçalves de Lima
Ao longo de sua história, o CEM sempre trabalhou pelo social da nossa cidade, valendo-se da máxima do Evangelho de Mateus 7:21: “Nem todos que dizem ‘Senhor, Senhor’ entrarão no Reino do Céu, mas sim os que fazem a vontade do Pai”. Prova disso, entre muitos trabalhos que ainda citaremos, é que o CEM apoiou a fundação da Escola Espírita Vianna de Carvalho, em 1931, cujo objetivo era assistir crianças desprotegidas. No ano seguinte, Plácido José Camões, presidente do CEM, fundou na referida escola um curso primário gratuito para meninas pobres. Apesar de a nossa Constituição Federal assegurar liberdade de culto, o Centro Espírita Maranhense, ao ganhar espaço pelas suas boas obras, sofreu enorme preconceito por parte da sociedade, sendo alvo de muitas calúnias. Depois, com a saída de Plácido da presidência, a escola acabou fechando, mas deixou um grande legado: ajudou a desmistificar informações errôneas acerca da doutrina espírita e impulsionou o surgimento de novas escolas primárias e de novos centros espíritas pelo Maranhão.
Segundo o presidente do CEM Mário Wenceslau: “Estar aqui dentro da Casa hoje é um privilégio que outros não tiveram ainda. Vão ter, mas, enquanto não, dividimos nossa satisfação com todos os espíritas do Maranhão, já que também naquela data nascia o Movimento Espírita organizado de nosso Estado, aproveitado hoje por todos que aqui estamos a trabalhar pela Doutrina codificada por Allan Kardec.”
O Centro Espírita, como muitos dizem, é um hospital-escola, pois muitos procuram a Casa movidos pela dor, e a educação das pessoas que a procuram é que vai garantir que elas não recaiam na dor e no sofrimento espiritual. Desta forma, o CEM segue a sua missão, educando e socorrendo aqueles que o procuram. A Casa está situada na Rua de Santaninha, no Centro, e o seu prédio é dividido com A Sociedade de Estudos Espíritas Ismael e a FEMAR (Federação Espírita do Maranhão). Oferece hoje eventos públicos de palestras aos sábados e domingos, estudo sobre mediunidade às terças, Educação dos Sentimentos aos sábados e Evangelho aos sábados e domingos.
Para aqueles que querem estudar mais, existe o ESDE – Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita – ou, na sequência, os Estudos Aprofundados sobre a Mediunidade. Para os jovens, existe a Juventude Espírita, com exploração das artes aos sábados; e, para as crianças, a Evangelização Infantil aos domingos. Durante esses estudos semanais, realiza-se o Passe e o Atendimento Fraterno para aqueles que precisam de ajuda espiritual ou de esclarecimentos, respectivamente. Na área de promoção social, o CEM prioriza o amparo espiritual, mas sem deixar de lado o auxílio material, dedicando-se também a famílias vulneráveis e moradores de rua. A Reunião Mediúnica, de cunho privado, coroa o intercâmbio entre os dois planos, educando os médiuns e socorrendo os necessitados.
Na época da pandemia, os estudos doutrinários foram mantidos de forma remota, e a iniciativa de migrar para o virtual se deu antes mesmo de muitas escolas da nossa cidade. Hoje, o CEM funciona a pleno vapor. Haverá seminários e uma série de eventos para celebrar essa data especial. Tudo fruto de um trabalho coletivo que tem como máxima servir ao próximo — o principal preceito do Cristianismo e da doutrina espírita. Parabéns, CEM! Que venham os próximos 100 anos!