Cidades · angústia

Sumiço de restos mortais de idosa completa mais de um ano sem solução em Paço do Lumiar

Em diferentes municípios, famílias denunciam o roubo de placas metálicas, destruição de jazigos e até mesmo o desaparecimento de restos mortais

Cemitério Municipal da Maioba (Foto: Google Maps)
Cemitério Municipal da Maioba (Foto: Google Maps)

Casos de furtos, vandalismo e violação de sepulturas têm se tornado uma preocupação recorrente em cemitérios da Grande São Luís e de outras regiões do Maranhão. Em diferentes municípios, famílias denunciam o roubo de placas metálicas, destruição de jazigos e até mesmo o desaparecimento de restos mortais. A falta de segurança, iluminação precária e ausência de monitoramento são apontadas como fatores que favorecem esse tipo de crime.

No Cemitério São Luís, localizado no bairro São Cristóvão, moradores já denunciaram diversas vezes o furto de placas de bronze, letreiros de alumínio e portões de jazigos. Também são frequentes os relatos de vandalismo, com túmulos arrombados e depredados durante a noite.

Foi diante dessa realidade que Marinaldo Corrêa vive, há quase dois anos, uma busca por respostas sobre o desaparecimento dos restos mortais da própria mãe, Luzia Correia Santos, falecida aos 85 anos, em 2022. Moradora da Cohab Anil III, em São Luís, ela foi sepultada no Cemitério da Maioba, em Paço do Lumiar.

Segundo Marinaldo, a descoberta ocorreu no dia 24 de outubro de 2024, durante uma visita de rotina ao túmulo da família.

“Eu passava sempre por lá e fazia a manutenção do jazigo. Meu pai está enterrado na parte de baixo e minha mãe na parte de cima. Quando fui visitar, encontrei o túmulo aberto. O caixão estava lá, mas os restos mortais dela tinham sumido”, relatou.

Abalado, ele registrou um boletim de ocorrência na Delegacia do Maiobão e acompanhou os trabalhos iniciais realizados pela perícia. No entanto, afirma que nunca recebeu qualquer retorno sobre o caso.

“Depois de dois anos e meio da morte dela, descobri o sumiço dos restos mortais. Acompanhei o serviço da perícia, mas nunca me deram o resultado. Até hoje não tive resposta nenhuma. Nunca fizeram uma investigação que me apresentasse algum esclarecimento”, disse.

Marinaldo afirma que a dor da família foi renovada com a descoberta da violação. “Ela era a matriarca da família. Tivemos duas perdas: a primeira quando ela morreu e a segunda quando roubaram os restos mortais dela. É uma dor que não passa”, desabafou.

De acordo com ele, nem mesmo a administração do cemitério apresentou explicações sobre o ocorrido.
“No dia em que descobri o que tinha acontecido, não apareceu nenhum administrador para explicar nada. Nunca recebi qualquer esclarecimento.”

A sensação de abandono e descaso, segundo ele, aumenta a cada dia sem respostas.
“Estou indignado com a falta de interesse das autoridades. Não tive retorno da polícia. Quero responsabilizar o município de Paço do Lumiar e o Estado pela negligência e pela falta de interesse no caso.”

Mesmo após mais de um ano desde a descoberta do desaparecimento, Marinaldo garante que continuará buscando justiça.

“É uma questão de honra. Era minha mãe. Vou até o fim nesse caso enquanto tiver forças.”

Casos recentes reforçam preocupação

O drama vivido por Marinaldo não é um episódio isolado. Em janeiro deste ano, a professora Silvana Lisboa da Conceição denunciou o desaparecimento do corpo do pai do túmulo onde ele estava sepultado no Cemitério Municipal da Matinha, em São José de Ribamar.

Segundo a familiar, o corpo foi furtado durante a madrugada, poucos meses após o sepultamento. Ela relatou o sofrimento enfrentado pela família e cobrou providências das autoridades.

Silvana também apontou falhas na estrutura e na segurança do cemitério, destacando a falta de iluminação, vigilância e câmeras de monitoramento. O caso foi registrado na polícia e passou a ser investigado pela delegacia especializada de São José de Ribamar.

Assim como Marinaldo, a professora afirma que a família segue aguardando respostas sobre o paradeiro dos restos mortais do pai e a identificação dos responsáveis pelo crime.

Os dois casos evidenciam uma preocupação crescente em cemitérios da Região Metropolitana de São Luís, onde famílias afetadas por violações de sepulturas cobram mais segurança, fiscalização e investigações efetivas para evitar que crimes dessa natureza continuem ocorrendo.

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