ENCERRAMENTO

Tradicional festa do Lava-Bois encerra festejos juninos no estado

Brincantes e grupos de bumba-boi se reuniram no Parque Municipal de São José de Ribamar sob as bênçãos do santo padroeiro do estado

Foto: Gilson Teixeira / O Imparcial .


Gilson Teixeira / O Imparcial

Milhares de pessoas, entre brincantes e membros de grupos de bumba-boi, celebraram o Lava-Bois

Foi sob a bênção de São José de Ribamar, que milhares de maranhenses se despediram no sábado, dia 04, e domingo, dia 05, dos festejos dedicados aos quatro santos que são celebrados durante o mês de junho no Maranhão. Na tradicional festa do Lava-Bois na cidade balneária, o clima era de muita alegria e emoção para grupos de bumba-boi e para todos os brincantes que participaram da 62ª edição do evento.

Pessoas com seus chapéus e suas matracas tiveram fôlego para brincar os dois dias e, ontem, mesmo debaixo de chuvas, os brincantes continuavam se divertindo e celebrando o São João fora de época. De acordo com dados preliminares da Polícia Militar, cerca de 4 mil pessoas participaram dos dois dias do Lava-Bois 2015.
No sábado (4), a festa teve início a partir das 20h, no Parque Municipal do Folclore Therezinha Jansen. Na programação, apresentaram-se o bumba boi Meu Tamarineiro, além de apresentações musicais de Papete e da banda Dois Corações. Já no domingo, grupos de todos os sotaques começaram a passar pela Avenida Gonçalves Dias e se apresentarem no Parque Municipal desde cedo e seguiram até por volta das 18h.
Foto: Gilson Teixeira / O Imparcial .


Gilson Teixeira / O Imparcial

Tradicional festa do Lava-Bois em São José de Ribamar

Brincantes de Paço do Lumiar, Raposa e São Luís juntaram-se aos ribamarenses para participar da brincadeira e se despedir oficialmente das festas juninas desse ano. O metalúrgico Helenilson Carlos Algarves Araújo contou que, há mais de 10 anos, sai de São para participar da festividade, no meio da multidão, batendo suas matracas e ouvindo de perto o som dos pandeirões. “Estou aqui desde ás 9h e só pretendo ir embora quando o último boi se apresentar. Sou seguidor do Boi da Maioba, mas sou apreciador de todos os grupos e de todos os sotaques”, disse.
Intercalando as apresentações dos grupos de bumba boi, no Parque Municipal do Folclore, aconteceram shows de grupos de pagode para animar e não dispersar o público. O marceneiro Luís Carlos disse estar satisfeito com as atrações que estavam se apresentando enquanto os bois estavam aquecendo os pandeirões. Disse ainda que era o terceiro ano que prestigiava a festa com a família e pretendia participar mais vezes.
Antigos e novos brincantes
Entre os participantes de grupos de bumba boi, muitos já eram veteranos, tanto no grupo, quanto na festa. Outros, porém, estavam participando da sua segunda edição do Lava-Bois. Todos, entretanto, disseram que a emoção era como se fosse a primeira participação.
“É a despedida do período junino, momento de brincar pela última vez no ano, e daí por diante se resguardar para a próxima temporada. Imensa é satisfação de participar deste grande reunião de bois e se apresentar para todo este povo”, afirmou o vaqueiro João da Cruz Oliveira, de 65 anos, brincante do Boi da Maioba há mais de 40 anos.
A índia Janaína Martins, que participa a apenas dois anos do Boi de São José de Ribamar, disse que a emoção é maior por participar da festa no seu município e ser prestigiada por maranhenses de várias localidades. “Não é a primeira vez, mas é como se fosse. O frio na barriga é sempre o mesmo. Estou muito feliz de estar participando da festa em minha própria cidade, quando antes só assistia”, ressaltou.
Ambulantes
Além dos brincantes e membros de grupos, muitos ambulantes também participaram da festa e comemoravam o sucesso nas vendas. O dono da barraca de bebidas Marcos Viana falou que suas expectativas de venda tinham sido superadas, pois já havia poucos coquetéis para serem preparados e vendidos. “Estou aqui desde ontem, e já vendi bastante, estou muito feliz com o resultado obtido. A festa foi tranquila e ainda me deu bons lucros, e que venha o próximo ano”, comemorou.
Policiamento
Aproximadamente 300 homens da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros fizeram a segurança durante os dois dias do Lava-Bois. Além disso, seguranças particulares foram contratados para reforçar a tranquilidade durante todo o circuito do evento. Ambulâncias e profissionais do setor de saúde também tiveram de plantão no circuito durante os dois dias. O hospital municipal de São José de Ribamar, localizado na sede da cidade, também ficou à disposição para oferecer atendimento médico para casos mais graves.
A história do Lava-Bois
São poucos os relatos históricos dando conta da origem do Lava-Bois. A versão contada por moradores mais antigos de São José de Ribamar revela que a festa teve início na década de 50. O Lava-Bois surgiu de um ritual promovido por boieiros que foram até o município pagar uma promessa de São João.
Os primeiros batalhões que chegaram à cidade foram os de orquestra, eles vieram a convite de brincadeiras locais, mas também com o objetivo de pagar promessas. A concentração das brincadeiras acontecia em frente à Igreja Matriz.
Os primeiros Bois que participaram da festança foram os batalhões de Axixá, Rosário, Peri-Merim, Santa Rita e São José de Ribamar.
O evento começou a ganhar maiores proporções com as participações de representantes dos Bois de São José dos Índios e Sítio do Apicum. “Zé Camões, de São José dos Índios, Luís da Navó, da Maioba, e Lucas, do Sítio do Apicum, começaram a convidar outras brincadeiras para participar da festa. A partir daí, o evento ganhou grandes proporções e tornou-se essa grande manifestação cultural vista nos dias atuais”, explicou o historiador ribamarense, Antônio Miranda.
O nome Lava-Bois foi dado devido ao fato do evento encerrar oficialmente a temporada junina no Estado.
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