DIA DO CABELEIREIRO

Salão Ópera e o cabeleireiro que era sucesso na São Luís dos anos 80

O Imparcial contará a breve história de um dos salões de beleza que fez história na ilha cortando madeixas de políticos e celebridades dos anos 70 aos 90 – e como ele está nos dias de hoje

Foto: Reprodução

O Dia Nacional do Cabeleireiro é comemorado oficialmente, hoje, dia 19 de janeiro. E para lembrar a data, O Imparcial contará a seus leitores a história de um dos salões de cabeleireiro mais tradicionais que fez história nos anos de 1970, teve seu apogeu até os anos de 1990 e resiste mesmo passando por diversas crises financeiras até o momento: o Salão Ópera.

Idealizado pelo cabeleireiro Raimundo Nonato Pinheiro da Luz, que completou 71 anos no último dia 11 de janeiro, e chegou a ter uma rede com seis salões de cabeleireiro, o Salão Ópera foi por muitos anos em São Luís sinônimo de beleza e status entre políticos e personalidades da alta sociedade que frequentaram o local.

Natural de Viana, Raimundo Nonato chegou em São Luís aos 18 anos com o sonho de trabalhar e abrir seu próprio negócio. Como já havia trabalhado como barbeiro em sua cidade natal, resolveu investir na profissão também na ilha, onde trabalhou primeiro em um salão na Avenida Magalhães de Almeida e em seguida em um outro na Rua da Palma.

Foto: Samartony Martins/O Imparcial

Com vontade de se aprimorar e seguir o mesmo caminho de dois amigos que embarcaram para São Paulo, Raimundo Nonato tomou coragem e resolveu encarar a “paulicéia desvairada”, sem medo de ser feliz. No segundo dia em São Paulo já estava trabalhando no Salão Ópera, localizado na Avenida São João no. 479.

“Eu pensava que eu não sabia de nada, mas vi que tinha que ter outras referências. Foi por isso que fui atrás dos meus amigos. Foi trabalhando no Salão Ópera que me deu vontade de montar um do mesmo jeito oferecendo os mesmos serviços em São Luís. Mas eu não tinha dinheiro, mas não escondia esse sonho de ninguém. Até que um dia eu voltei para São Luís e resolvi tentar colocar esse sonho em prática. Como eu não tinha dinheiro, fiz um empréstimo de 100 mil Cruzeiros. Montei o primeiro na Rua do Sol, e depois de pronto e funcionando, voltei a São Paulo para pedir autorização para usar o mesmo nome no salão. Foi quando o dono me autorizou fazer o uso do nome fantasia convidei alguns amigos para voltar comigo, mas eles não quiseram e resolvi seguir sozinho”, contou o empresário.

Raimundo Nonato revelou ainda que uma das unidades do Salão Ópera que teve maior projeção foi a que ficava localizada em frente ao Parque do Bom Menino, no Centro da cidade.

“Lá, vivemos os nossos melhores anos. Foi lá que eu fiz amizade nos anos de 1980 com Magno Bacelar que na época era um dos proprietários da TV Difusora, afiliada da Rede Globo. Cortei o cabelo dele e dos filhos e ele disse que, no dia seguinte, uma equipe de TV iria até o salão para filmar o nosso trabalho. Isso ajudou muito porque ficava passando na programação. E isso também chamou a atenção de outras personalidades e políticos da cidade como Luís Noronha, o então governador Epitácio Cafeteira, o senador Alexandre Costa, o ex-deputado César Bandeira, além de outros políticos. Foi uma época muito boa. Ganhei muito dinheiro, consegui expandir a rede, mas tivemos que sair de lá porque sofremos sete assaltos”, contou o cabeleireiro, relatando que, após o padrão de serviços oferecidos pelo Ópera, apareceram outros estabelecimentos em São Luís com a mesma proposta acirrando a concorrência, como por exemplo, o Salão Montreal, que também ficava no Centro.

Após o fechamento do salão do Parque do Bom Menino, Raimundo Nonato dedicou-se ao Salão Ópera do São Francisco na Avenida Colares Moreira. As outras unidades ele dividiu a responsabilidade com seus familiares, como a sua irmã que toma de conta do Ópera da Curva Noventa.

“Com a crise e a violência crescendo fechamos os que não davam mais lucro, e resolvi manter somente este aqui do São Francisco, que agora fica aqui nesta galeria. Hoje as coisas ficaram mais difíceis, mas continuamos a resistir fazendo novos clientes e mantendo o nome do Salão Ópera em atividade.

Novo Ópera. Foto: Samartony Martins/O Imparcial

Hoje, tenho uma vida tranquila e estável, graças a Deus. O conselho que dou para qualquer pessoa que quer abrir um empreendimento, é que viva o dia de hoje, mas pense no dia de amanhã para que tenha uma segurança financeira. Se eu pensasse dessa forma acredito que eu estaria muito melhor do que estou hoje. Mas estou feliz porque consegui realizar o meu sonho que era montar o meu salão”, contou Raimundo Nonato.

Vale ressaltar que a data comemorativa do Dia do Cabeleireiro foi instituída através do Decreto de Lei nº 12.592, de 18 de janeiro de 2012. No seu artigo 5º, consta que a mesma deve ser comemorada no dia da promulgação da lei.

Acontece que a lei foi promulgada no dia 18, mas se tornou comum considerá-la no dia seguinte. Isso porque no artigo 6º consta que a lei entra em vigor na data da sua publicação, o que aconteceu em 19 de janeiro. O mesmo acontece com as comemorações relativas aos dias do barbeiro, esteticista, manicure, pedicure, depilador e maquiador.

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