CRISE

41% dos brasileiros vivem em aperto financeiro

Dados do Indicador de Confiança do Consumidor apontam que o custo de vida elevado é citado como principal motivo da má situação econômica

(Imagem: Reprodução)

“Tem meses que a gente escolhe o que vai pagar para poder sobrar alguma coisa para comer”, explica o funcionário de uma empresa de transporte em São Luís, Carlos Filho, que se encontra na mesma situação de 41% dos brasileiros que consideram sua situação financeira ruim, segundo Indicador de Confiança do Consumidor. Os dados ainda revelam que 49% afirmam que as finanças se mantêm regulares e apenas 10% dizem que estão boas.

Para os que mencionaram enfrentar aperto, o elevado custo de vida é o principal motivo para essa percepção negativa, citado por metade desses consumidores (50%). Entre outras razões apontadas estão o desemprego (43%), a queda da renda familiar (27%), a perda de controle financeiro (10%) e os imprevistos (10%).

“Nos últimos meses, tivemos aumentos consideráveis de combustível e demais itens, como o trigo, por exemplo. Esses aumentos têm consequências diretas em vários setores e produtos, e quem acaba sentindo mais no bolso é o consumidor, principalmente aquele que não teve reajuste salarial”, explica o economista Roberto Gomes.

O Indicador de Confiança do Consumidor é composto por dois subindicadores: o de Percepção do Cenário Atual e o de Expectativas para o Futuro. Em agosto, o Indicador de Percepção do Cenário Atual obteve a marca de 29,8 pontos, enquanto o Indicador de Expectativas pontuou 55,0, mantendo-se acima dos 50 pontos desde o início da série, exceto em junho deste ano, quando chegou a 48,6 — resultado da greve dos caminhoneiros.

“A crise impactou a renda dos brasileiros, que vivenciam uma situação difícil, mas ela não é a única responsável pelos problemas financeiros da população. A falta de controle dos gastos, sobretudo em momentos adversos, pode piorar ainda mais o orçamento e levar ao agravamento da inadimplência”, pondera a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

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