O presidenciável Ciro Gomes (PDT) veio para São Luís realizar campanha eleitoral, em um giro que está fazendo pelo nordeste, mas cancelou sua agenda na cidade em solidariedade a Jair Bolsonaro (PSL), que sofreu um atentando na tarde de ontem em Juiz de Fora (MG).

Na capital maranhense o candidato pedetista gentilmente recebeu a equipe de reportagem d’O Imparcial na Avenida Litorânea para uma rápida entrevista, e comentou porque decidiu suspender sua programação mesmo com pouquíssimo tempo para fazer campanha.

Segundo Ciro Gomes, é preciso dar exemplos para que os brasileiros repitam o mesmo gesto. “Uma coisa é a luta política e a diferença de ideias que permanecem absolutamente inconciliáveis entre o trabalhismo que eu represento e a visão que o deputado [Bolsonaro] representa na política, mas é intolerável que a gente não faça solidariedade para dar para ao povo com clareza o sinal de que uma coisa é a disputa com argumentos e outra é a violência: e violência a gente não pode aceitar”, afirmou.

Acompanhado de sua vice, Kátia Abreu, o cearense falou ainda que é o único candidato nordestino na disputa ao Palácio do Planalto, e que por isso pode ajudar mais a região. “O nordeste precisa de algumas coisas graves e urgentes: infraestrutura, sofisticação tecnológica e industrialização do interior. O Maranhão, por exemplo, tem um solo extraordinário, e se recente de muitos problemas de infraestrutura, e assim é o nordeste como um todo”, disse.

Ciro Gomes falou também que não tem ideia se a demora do PT para escolher um candidato abre um vácuo para que sua candidatura se fortaleça. “Eu acho que a gente deve respeitar a autonomia e a liberdade do povo de escolher. O Lula é muito querido entre todos nós aqui [do nordeste] e há razões práticas para isso. O Lula fez muita coisa pelo Brasil, especialmente pelo Brasil mais pobre que se concentra no nordeste. Mas na medida em que ele não é mais candidato nós precisamos olhar para o futuro. Nós temos 208 milhões de bocas pra alimentar, empregar, temos hoje 63 mil homicídios em doze meses, 60 mil mulheres estupradas nos últimos doze meses… e tudo isso é uma tarefa muito grave para a gente não tratar com profissionalismo, com projeto, com ideia, muito menos de que o povo [seja tratado] como chiqueiro de bode, que a gente tangia pra cá ou pra acolá”.

Sobre uma possível diferença ideológica com sua vice, em relação principalmente ao agronegócio e a demarcação de terras indígenas, sobretudo no Maranhão, o pedetista foi direto. “Minha chapa não tem contradição nenhuma nisso. Eu tenho uma pessoa que mais entende desse assunto com equilíbrio que o Brasil precisa, por isso eu a trouxe. Ela não veio até mim porque ela é igual a mim, ela veio porque é diferente e as nossas diferenças se completam e me enriquecem”, concluí-o.

Correria

Ciro Gomes começou essa fase da turnê nordestina na quinta-feira (06), passando em Sergipe durante a manhã e Pernambuco pela tarde, mas suspendeu o comício noturno que faria no Rio Grande do Norte.

No feriado de 7 de setembro também desistiu do evento em São Luís, que contou com Flávio Dino, Weverton Rocha e Eliziane. Por enquanto, Ciro Gomes segue para o Ceará, onde tem evento agendado para esta noite e na manhã de sábado. Além disso, vai até à Paraíba. Por fim, no domingo, ele deve participar de um debate em São Paulo.

*(Colaboração: Giovana Kury)