Deputado Weverton Rocha (PDT) é líder da Minoria na Câmara. (Foto: Agência Brasil)

Criado no movimento estudantil, Weverton Rocha (PDT), 38 anos, lançou sua candidatura ao Senado na chapa de Flávio Dino. É deputado federal pelo segundo mandato. Em 2010, foi suplente, mas assumiu a cadeira em 2011 com a eleição de Edivaldo Holanda Júnior como prefeito em São Luís. Reeleito em 2014, Weverton é líder da Minoria na Câmara, formada pelos partidos PDT, PSB, PT, PCdoB e PSOL.

Atuante, votou contrário ao processo de impeachment de Dilma Rousseff e contra a reforma trabalhista proposta pelo presidente Michel Temer. Em entrevista exclusiva ao jornal O Imparcial, Weverton falou sobre a experiência de ser candidato ao Senado pela primeira vez, de dividir o palanque com Eliziane, que foi sua adversária política no impeachment de Dilma, e sobre o caso do Ginásio Costa Rodrigues.

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PERGUNTA – O que sua candidatura tem a oferecer ao estado do Maranhão?

RESPOSTA – Nosso estado é muito pobre, temos potencial de desenvolvimento, mas que não foram potencializados para que pudessem acontecer de forma prática e real na vida das pessoas, do povo. No Senado, você consegue trazer recursos para ajudar na execução de políticas públicas para o estado. Então, eu acredito que o Senado é um forte instrumento de capitalização e de fortalecimento das ações não só do governo, mas da prefeitura como um todo.

P: Entre a potência e o ato existe uma distância muito grande. Como sua atuação poderia colaborar?

R: Basta você olhar o que está acontecendo nos outros estados. Você percebe a bancada dos senadores do Piauí, Ceará, Alagoas, vários outros… Os investimentos que estão chegando nesses estados nordestinos através das articulações das suas bancadas federais é importantíssimo e surpreendente, primeiro porque eles conseguiram quebrar esse paradigma de que o senado é a casa de se mandar os políticos que já ocuparam todos os cargos, as famosas “aposentadorias de luxo”. É assim que o senado era tratado aqui no Maranhão: se o político foi leal a vida toda ao grupo que mandou no estado, já foi governador, já foi tudo, manda pro senado, vai lá e fica quietinho. O Senado não pode ser visto assim. E eu acredito que o desenvolvimento que tanto precisamos e sabemos e reclamamos aqui no estado, onde tem a força para ajudar a construir as soluções, que é no Senado, ele não se foi utilizado.

Na legislatura passada o Maranhão tinha quatro senadores. Todos os estados do Brasil têm três, constitucionalmente, mas nós tínhamos quatro porque três eram daqui, e um do Amapá que é daqui, maranhense e pai da atual candidata, foi também presidente do Congresso Nacional. Você vem me dizer que com quatro senadores, o “homem” como presidente do Congresso e eles não conseguiram trazer saneamento básico sequer para a terra natal dele, uma das cidades mais pobres do estado, que é Pinheiro? O que aconteceu até agora é a pura falta de prioridade com o seu povo. Então nosso grupo tem outra visão e vamos avançar nisso.

P: Que visão diferente  é essa?

R: Nós temos uma visão de mundo de inclusão. Quando Flávio Dino assumiu o governo ele assinou um decreto em que as escolas não seriam mais de taipa, com paredes de barro. É um absurdo ver crianças estudando nessas condições, sem nenhuma oportunidade de desenvolver seus potenciais. O Brizola ensinou isso cinquenta anos atrás e o Flávio só fez o que qualquer um já deveria ter feito, qualquer um que tivesse esse olhar de justiça social. O Escola Digna é uma visão de mundo diferente. Incluir as pessoas que estão com fome para poder ter direito a alimentação é uma visão de mundo diferente. Nós tínhamos cinco restaurantes populares no Maranhão, hoje nós temos cinquenta, que serve uma refeição por R$ 1. Esses são exemplos básicos, mas nós temos visões de mundo completamente diferente desde o nascimento.

P: A coligação da qual você faz parte se uniu com partidos das mais diversas ideologias, inclusive com visões de mundo diferente das que você está dizendo defender. Como explicar isto para o eleitor?

R: Flávio Dino montou uma coalisão no Maranhão, e para o momento de transição política que estamos atravessando é extremamente necessária. Aqui, diferente de todos os estados do Brasil, só existem dois partidos: o Partido do Sarney contra o Partido do anti-Sarney. Nossa coalisão é enfrentar esse sistema. E aí vão dizer que vários na minha coligação eram do grupo Sarney. Por isso mesmo, estamos mostrando para vários políticos que eram do lado de lá que nesse grupo aqui eles não precisam ser subservientes. Não precisam mais fazer politica com ‘p’ minúsculo. Aqui cresce quem trabalhar. Exemplo: o senador número um de Flávio Dino, que ele anunciou desde dezembro, é o filho de uma professora e de um técnico agrícola.

Esse Senador não tem vínculo nenhuma com a família dele, a viabilização da minha candidatura não tem nenhuma relação com o Palácio dos Leões. Todos os candidatos estavam livres para se viabilizar como candidato. E a gente conseguiu se viabilizar justamente por esse bom transito e bom diálogo com as redes sociais. Minha proposta para ser senador é manter a mesma postura que mantive na câmara dos deputados: não vacilei. Nos momentos difíceis da quadra estive de um lado só. Estou do lado do trabalhador. E tenho confiança de que as nossas alianças não prejudicam nossas ações finais, que são nossas posições e os frutos que nós vamos escolher.

P: Como é defender uma coerência política e dividir o palanque com Eliziane, que, por exemplo, foi a favor do impeachment?

R: Essa é a regra do jogo. Nós não ganhamos apenas com nossa ideia. Ela tem suas posições, eu tenho as minhas, nós respeitamos ambas e vamos prestar conta dos nossos mandatos. Mas a união das nossas forças é justamente o que vai dar a vitória a ela, a mim e ao Flávio Dino, porque ela representa um seguimento forte, que é dos evangélicos do Maranhão, a luta da mulher evangélica, o combate às drogas; e eu represento a juventude, os católicos, a renovação e as posições concretas e ideológicas no mundo real ao lado do trabalhador, e isso se juntou. O que é bom nessa soma é que nós dois não somos filhos de famílias tradicionais da política. Hoje abre-se uma nova cultura da forma de se escolher seus senadores no Maranhão: basta rodar 217 municípios e conquistar a população e cumprir as obrigações políticas.

P: Então, a sua chapa tenta mostrar que apesar da polarização é possível sentar e dialogar mesmo tendo opiniões completamente distintas?

R: É possível sim porque nós não divergimos na ideia de um Maranhão melhor, queremos canalizar recursos e abrir portas para o governador trabalhar. Apesar da crise, hoje, nenhum dos três senadores do Maranhão apoiam Flávio Dino. Então é muito importante o eleitor entender que mais do que votar em pessoas, o eleitor vai votar em projeto.

P: O caso Costa Rodrigues é muito lembrado por sua oposição, como o senhor se defende desse episódio?

R: No ano passado, na inauguração do Ginásio Costa Rodrigues, o ex-secretário e hoje deputado estadual Roberto Costa deu uma entrevista bastante lúcida. Ele coloca na fala dele que foi uma decisão política. Não sou eu quem disse, foi ele. Quanto à questão jurídica, não tenho o que dizer, porque não existe nenhum processo. Eu não respondo nenhum processo judicial no Maranhão. Aqui eu tinha quatro ações civis públicas, todas oriundas da época da Roseana Sarney, e é bom lembrar isso. Eu era secretário do Jackson Lago em 2009 e a Roseana deu um golpe – porque eles são acostumados nisso, já tem uma escolinha, ela, o Temer, o PMDB -, ela derrubou o Jackson e montou uma comissão com cinco delegados da polícia civil para fazer uma caça às bruxas, e saiu perseguindo os principais secretários que era a linha de frente do Jackson, isso dez anos atrás. Os inquéritos que viraram processos eu fui inocentado, e os que não viraram processo foram extintos ou suspensos. Resumindo: entro na eleição com a ficha limpa, sem nenhum processo.