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O número de candidatos que irão concorrer nas próximas eleições pelo estado do Maranhão diminuiu 56% em relação ao pleito de 2014. Há quatro anos, o total de deputados estaduais e federais em disputa era de 863, contra 489 registrados este ano na Justiça Eleitoral. Para o Palácio do Planalto, existem 13 candidatos registrados, enquanto os 26 governos estaduais e o DF contam com 178 concorrentes; 302 ao Senado, 7.232 à Câmara, 15.256 concorrem às assembleias legislativas e 604 vão para a moleza das suplências de senador.

No Maranhão, seis candidatos e respectivos vices querem a cadeira principal do Palácio dos Leões, ocupada hoje por Flávio Dino (PCdoB). Ele concorre à reeleição contra Roseana Sarney (MDB), Roberto Rocha (PSDB), Maura Jorge (PSL), Ramon Zapata (PSTU) e Ovídio Neto (PSOL). Para o Senado são oito no páreo, 78 candidatos a deputado federal, 240 a estadual e 16 a suplentes. Todos os dados são do espaço “Divulgacand” do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O detalhe curioso na eleição maranhense é também um fato histórico. Se Flávio Dino ganhar a reeleição, derrotará cinco candidatos e mais o ex-presidente José Sarney, chefe da mais longa oligarquia política da história brasileira, com 50 anos. Ele joga todo o seu prestígio e a força de sua estrutura de mídias contra o governador adversário. Se o vencedor for, por exemplo, Roseana, quem ganhará, de fato, é o pai dela, José Sarney.

Os mais ricos

Em meio a esse burburinho da campanha iniciante, vale destacar os dez candidatos mais ricos da eleição maranhense, alguns completamente desconhecidos do grande público. O de conta mais robustecida de dinheiro é o postulante à suplência do “verde” Sarney Filho, empresário Clóvis Fecury, filho do dono do complexo educacional Universidade Ceuma, instalado em vários estados. Ele registrou R$ 65,5 milhões. É seguido de longe pelo candidato a deputado federal, médico ortopedista e empresário César Filemon (PSD), com R$ 21,6 milhões. O 3º da lista dos 10 mais ricaços é suplente do pai, senador empresário Lobão Filho, com patrimônio de R$ 19,8 milhões, mais que o dobro do pai, senador Edison Lobão, que declarou R$ 8,6 milhões.

Na 4ª posição está o deputado estadual e candidato a federal, Josimar do Maranhãozinho (PR), com R$ 14,5 milhões. Ele é deputado estadual de primeiro mandato e foi o mais votado em 2014, com 99,2 mil votos. A ex-deputada estadual e candidata a novo mandato, médica Cleide Coutinho é a 5ª fortuna declarada: R$ 12,9 milhões. Já o empresário do agronegócio em Balsas, Márcio Onaiser, que foi secretário de Agricultura do atual governo e agora candidato a deputado estadual, registrou no TSE R$ 11,9 milhões, seguido de Hemetério Weba (R$ 9,6 milhões), deputado estadual, que teve o mandato cassado recentemente pelo STJ, decisão do ministro Francisco Falcão, que deu provimento a recurso especial interposto pelo Ministério Público do Maranhão, decisão contra a proferida pelo Tribunal de Justiça do Maranhão em ação rescisória.

A 10ª riqueza da lista, de R$ 7,2 milhões, pertence à odontóloga Andreia Rezende, candidata a deputada estadual pelo DEM, que substitui o marido Stênio Rezende, deputado estadual, que se tornou inelegível há menos de um mês, por decisão do TSE. E não poderia ficar de fora da relação dos abastados a candidata do MDB, Roseana Sarney, que declarou patrimônio de R$ 11,4 milhões. Ela já exerceu quatro mandatos à frente do governo do Maranhão, num total de 14 anos. O último terminou em 2014, quando ficou no cargo até 10 de dezembro, faltando 11 dias para termina. Ela apoiou o candidato Lobão Filho, derrotado por Flávio Dino, que levou no primeiro turno.

Pobreza extrema

A campanha deste ano mostra, como tem sido em todas anteriores, a face enrugada da pobreza do Maranhão. A média de renda dos brasileiros está a uma distância planetária dos países europeus, por exemplo. Em 2017, havia 52,2 milhões no Brasil em situação de pobreza extrema e a maior proporção de pessoas nesta situação foi observada no Maranhão, com 52,4% da população local inserida neste contexto. O estado com melhor desempenho foi Santa Catarina (9,4% da população local). Basta lembrar que em 2010, quando o IBGE divulgou seu levantamento, indicava que a renda brasileira havia crescido 3% em cidades paulistas. A do Maranhão cresceu bem acima disso, mesmo assim, dos 50 municípios mais pobres do Brasil, 32 estavam no Maranhão, onde Belágua apareceu com a pior situação nacional, com uma renda de mensal de R$ 147.

É sobre essa realidade, que já mudou para melhor nos últimos oito anos, mas mesmo assim ainda tem muito a ser feito para o estado se desgrudar da situação de mais pobre do Brasil. Portanto, a campanha eleitoral se dará nesses universos distintos que os políticos fazem de conta que não os conheciam. É a riqueza escoando de pouquíssimos e a pobreza esparramada à frente de quase todos os maranhenses.