O senador Edison Lobão durante uma sessão (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Decano no senado, Edison Lobão (Mirador, 1936) mira mais oito anos no poder. O candidato à reeleição pelo MDB acredita que tem condições de exercer um mandato voltado para o povo, e aposta na experiência para conseguir esse objetivo. Em entrevista exclusiva ao jornal O Imparcial, o Senador disse que quer trabalhar para acabar com o desemprego no Estado, comentou sobre o caso da refinaria Bacabeira, e afirmou ter vigor físico para caminhar de São Luís até Santa Rita.

Defensor de Lula livre para disputar as eleições, Lobão disse que não mudaria seu voto no impeachment, naquilo que a esquerda afirma ter sido o início do golpe que culminou na prisão do ex-presidente, e defende a fidelidade partidária para fortalecer a democracia.

O Imparcial Essa é uma eleição distinta em diversos aspectos. Como o senhor observa essa corrida eleitoral? Edison Lobão Nós temos um candidato que é o preferido do povo, me parece ser em todas as pesquisas: Lula. Ele teve um governo exitoso, com realizações imensas para o Brasil e para os estados. O presidente atendeu as classes sociais como um todo, e tirou da faixa de pobreza milhões de brasileiros. Foi um governo que falou diretamente com o povo, mas sem nunca esquecer os empreendedores. O Brasil era um país devedor ao fundo monetário internacional, e acabou emprestando dinheiro ao fundo depois de pagar o que devia. Quando o Lula deixou o governo o Brasil era a terceira ou quarta maior reserva de dinheiro do mundo. Ele tem condições de disputar uma eleição e vence-la. Não sendo possível a candidatura dele, nós estamos, penso eu, mergulhados na indefinição. Bolsonaro parece estar encantado a juventude brasileira, mas eu acredito que a classe média vai atuar fortemente numa candidatura de centro, que seria Alckmim, ou um pouco a esquerda o Haddad. E que ninguém se surpreenda se Alckmim e Haddad estiverem no segundo turno. Aqui no estado do Maranhão eu estou na persuasão de que com a definição da candidatura de Roseana, o nosso povo político ganhou um alento imenso. Estou viajando com ela por todo interior do estado, e vejo que o encantamento que ela transmite como pessoa ao povo se restaura, se reinicia, se revigora, ela tem, por tanto, ao meu ver, todas as possibilidades de vencer as eleições. Até porque existe um descontentamento com nosso adversário, no Palácio dos Leões, por promessas que não se cumpriram, que não ser realizaram, ao longo do período dele no governo. O Imparcial Por que se lançar mais uma vez como candidato ao Senado, o que você tem de diferente em relação aos outros políticos para oferecer ao povo? Edison Lobão Eu não quero dizer que sou diferente dos outros políticos, mas sou o mais experiente do Brasil, até pelo número de mandatos que eu conquistei. Sempre fui vencedor. Graças a Deus, ao longo da minha carreira política, eu tenho tido votações crescentes, e jamais sofri uma derrota. O que não quer dizer que o político que sofre derrotas não seja um bom político, nada contra isso. Mas o fato é que o povo sempre entendeu que eu falo sua linguagem. Eu atendo nas funções que exerço a vontade do povo. Na câmara exerci papel de liderança, no senado fui líder e presidente, poucos políticos exerceram essa posição. Sou o presidente da comissão de justiça, que é a principal comissão do congresso nacional, e presidi todas as demais comissões do senado nacional. É a minha comissão que sabatina os ministros do Supremo Tribunal Federal, os juízes de todos os tribunais superiores, e o procurador geral da república. A comissão de justiça julga as decisões do presidente do congresso nacional. E estou eu lá como o senador de enorme experiência, com o maior número de mandatos. O senado é uma casa de 81 representantes, dos quais mais da metade foram presidente da república, governadores, ministros, deputados... Eu sou hoje o decano do senado, com quatro mandados. Então penso que acumulei experiência imensa, como governador e ministro em dois governos, onde garanti energia para o Brasil, não só para o Maranhão. Fizemos o maior programa social do mundo, que é o “luz para todos”, considerado assim pela ONU. Então se me perguntam o porquê ser candidato, eu respondo: tenho uma imensa carga de experiência política, administrativa, legislativa, e por isso estou em condições de exercer um mandato ainda melhor se o povo me eleger. O Imparcial Apesar de ter trazido energia para milhares de casas, o senhor também é lembrado pelo caso da Refinaria Bacabeira. Edison Lobão A refinaria foi uma decisão ousada do Governo Federal que queria transformar definitivamente o estado do Maranhão. Ela foi solicitada por mim, atendida pelo presidente Lula, reforçado por Dilma. Ela iria para a Bahia, e veio para o Maranhão. Houve um investimento grande em Bacabeira. Infelizmente não deu certo em razão da crise que se abateu sobre a Petrobras. Portanto, não houve nenhuma enganação do povo. Presidente Lula não enganou ninguém, Dilma não enganou, eu não enganei ninguém, a Petrobras não enganou. O que houve foi uma infelicidade no caminho, que se revelou uma situação dramática em que se encontrava a Petrobras em razão de outras obras gigantes que ela estava empreendendo e não completou. Como a refinaria de Pernambuco e Rio de Janeiro. O Imparcial O que a esquerda chama de “golpe de 2016” começa no impeachment de Dilma e culmina na prisão de Lula. O senhor mudaria seu voto no impeachment? Edison Lobão Naquele momento o meu partido tomou uma decisão oficial de votar pelo impeachment. Eu votei pelo impeachment, mas liderei com outros poucos senadores o movimento para que a presidente Dilma mantivesse os direitos políticos dela. Graças a essa decisão ela pode conservar os direitos políticos que hoje tem. Em razão disso é candidata ao senado em Minas Gerais e desponta nas pesquisas com grande possibilidade de êxito. O Imparcial Mas o senhor voltaria atrás no voto pelo impeachment? Edison Lobão Ou nós respeitamos a fidelidade partidária, ou não teremos partidos políticos sólidos, e sem partidos políticos sólidos nunca se alcança uma democracia por igual, sólida. O Imparcial Eventualmente o PT pode ter Haddad como candidato. Como seria sua atuação no Senado caso ele fosse presidente? Edison Lobão Eu ficaria a favor ou contra ele na medida em que o partido decidisse. O partido tem que se reunir em suas instancias superiores para decidir se apoiaria ou não. E eu seria obediente às decisões do partido. O Imparcial Qual é seu curral eleitoral? Quais são seus eleitores? Edison Lobão Eu não tenho curral eleitoral, eu tenho a consciência política do estado do Maranhão, revelada em todas as eleições das quais participei. O Imparcial O que se fala é que o senhor não tem mais o mesmo vigor físico para mais uma corrida eleitoral. Edison Lobão Para aqueles que usam esse argumento eu respondo, em primeiro lugar, isso é um argumento frágil, em segundo lugar, convido a oposição para caminhar de São Luís até Santa Rita, ver se eles aguentam me acompanhar até lá, e se eles fracassarem no caminho eu ainda posso fazer uma transfusão de sangue para eles. O Imparcial E o que dizer sobre isso para os eleitores? Edison Lobão Em primeiro lugar, aos eleitores os meus agradecimentos eterno pela força que eles tem me dado ao longo de quarenta anos. Em segundo lugar, eu peço com humildade que eles reforcem em mim no dia 7 de outubro. Em terceiro lugar, que eles pensem bastante antes de votar, porque quando nós eleitores erramos ou nos equivocamos num regime democrático, nós só temos condições de corrigir quatro anos depois. Então uma meditação eu acho conveniente antes do exercício do voto. O Imparcial O senhor ou se partido pensam na possibilidade de radicalizar a democracia ao invés do irmos às urnas apenas de quatro em quatro anos? Edison Lobão Todos os partidos desejam uma democracia aperfeiçoada, mas para isso ela só se dá através do exercício do voto. Agora, aqueles que não desejam votar por alguma razão pessoal, eu convido para exercitar seu direito constitucional do voto, porque ele é a forma que o povo tem de fazer o certo, participar e exigir de seus governantes e legisladores cumpram seu papel. O Imparcial Qual é a mensagem que o senhor gostaria de passar aos eleitores? Edison Lobão Eu gostaria de deixar uma mensagem de confiança ao povo, e fé na democracia, confiança no nosso futuro. Estamos vivendo ainda um período de desemprego, sobretudo aqui no estado do Maranhão, que cresceu a partir do término do governo da Roseana Sarney. O povo precisa trabalhar, não há nada mais decepcionante na vida do que o chefe de família chegar em casa desempregado, sem ter como acudir os seus filhos e a sua esposa. Então nós desejamos que o povo tenha fé no futuro porque estamos trabalhando intensamente para que essa situação se reverta e se transforme em um momento de felicidade ao povo brasileiro.