Jaguarama, terceiro distrito de Caxias (MA). Foto: Raimundo Borges

A pobreza, esquecida; os pobres, lembrados Por que o Maranhão é tão pobre? Aliás, o mais pobre? Até agora, com a campanha eleitoral já chegando à metade, ninguém ainda mergulhou nesse tema tão fascinante: a velha e robusta pobreza maranhense. Os personagens desta campanha eleitoral são os mesmos das recentes e das antigas campanhas.

Todos espalham fake news a torto e a direito sobre os próprios feitos políticos “em defesa do povo maranhense”. O eleitor percebe que cada eleição os políticos falam as mesmas coisas com palavras diferentes – todos dizendo que melhoraram a vida do povo. E a vida do povo não muda.

Em 2004, o renomado professor de economia da Universidade de São Paulo, Márcio Pochmann, fez palestra em São Luís. Ele tocou num ponto nebuloso, porém, de magnitude espantosa. “Se os pobres são alvo de estudos e mais estudos, os ricos são pouco pesquisados e se escondem no Brasil (não só dos cientistas, mas também da Receita Federal!)”. E ele foi aos números. Naquele ano, o Brasil contava com 1,162 milhão de famílias, de um total de 51 milhões, que concentram 75% da renda do País.

O professor da UFMA, Franklin Douglas, escreveu um texto sobre essa palestra. Cita a pergunta de Pochmann: “Onde estão os ricos do Maranhão?” e respondeu: “No mesmo lugar dos ricos do Brasil: pertinho, mas bem longe dos pobres”. Ele aprofundou: no Maranhão, pobre e agrário, os ricos se concentram em São Luís. Na capital estão 58% dos ricos. São 3.300 famílias na ilha, das 5.722 do estado. Têm renda 20 vezes maior do que a média dos maranhenses: são 59 salários mínimos mensais ou R$ 14 mil para uma média de R$ 697,00 recebidos pela maioria (salário mínimo daquele ano).

Para ser exato. Em 2004, os ricos eram apenas 2,9% entre os mais de seis milhões de maranhenses (hoje, 7,5 milhões). Será que a raiz dessa pobreza inarredável e irremovível do Maranhão não está nas oligarquias políticas que o dominam há séculos? O ex-senador e ex-presidente José Sarney escreveu um magistral artigo, publicado em seu blog, relatando o efeito trágico das oligarquias que encontrou ao ser eleito governador em 1965.

Disse Sarney que elas se sucedem desde o século XIX, “mudando o nome dos chefes, mas mantendo o mesmo regime de prepotência e arbitrariedade”. Agora, nova campanha e Sarney, com 88 anos e 50 de mandonismo oligárquico, continua jogando todo o peso de sua influência para tentar retornar a filha ao comando do Palácio dos Leões pela quinta fez. Caso seja eleita, chegará a 18 anos de governadora. Mesmo assim, os Sarney detestam falar de pobreza como mal maior do Maranhão, e de oligarquia, como raiz do atraso.