Foto: Reprodução

O prestígio do deputado federal Waldir Maranhão, agora no PSDB, não anda muito alto. O parlamentar, que já foi até presidente da Câmara Federal, teve negado seu pedido de filiação ao PT mesmo após ter se esforçado para evitar o impeachment da ex-presidente da República, Dilma Rousseff e da sua proximidade com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A tentativa de entrar no PT era, evidentemente, a última cartada de Waldir Maranhão “cavar” um lugar na chapa majoritária do governador Flávio Dino (PCdoB) e concretizar seu sonho de concorrer ao Senado nas eleições de outubro. Mas, apesar da investida, o resultado final escancarou mesmo o rompimento entre Maranhão e Dino.

Em nota divulgada à imprensa, Waldir Maranhão atribuiu a negativa a respeito de sua entrada no PT ao governador maranhense. O deputado federal não poupou críticas a Dino, seu antigo aliado político, e disse, inclusive, ter sido “usado” pelo governador para fortalecer e engradecer “um ego quase doentio”.

Na visão de Waldir Maranhão, Flávio Dino “usou e abusou” para vetar sua filiação ao PT. “É lamentável a forma como o governador Flávio Dino usou e abusou para vetar a minha filiação ao PT. O que houve nesse processo foi uma verdadeira intervenção branca no PT para evitar a minha entrada nos quadros do partido. Logo Flávio Dino a quem confiei quando me convenceu de anular o impeachment da presidente Dilma. Agora sinto que fui usado por quem queria não a defesa da presidenta, mas o fortalecimento e engrandecimento de um ego quase doentio”, disse o deputado federal.

O rompimento com Flávio Dino enfraqueceu Waldir Maranhão que, às vésperas do fim da janela de troca partidária, viu-se sem opções viáveis para consolidar sua pré-candidatura ao Senado. Coube ao deputado cair de paraquedas no PSDB, legenda completamente oposta ideologicamente em relação ao PT.
Agora como “tucano”, Maranhão garante que sua chegada ao novo partido tem como objetivo ajudar “na construção de um palanque que verdadeiramente possa representar um novo horizonte para o Brasil e para o Maranhão”, explicou o deputado.

Na bronca

As críticas de Waldir Maranhão não se resumiram apenas ao governador Flávio Dino. Ele lamentou que o não entendimento do PT em relação ao seu pedido de filiação. Sem citar nomes de petistas, Maranhão lamentou o “radicalismo e sectarismo que alguns dirigentes do PT”, o que impediu que a legenda desse um passo importante para ser “protagonista político no processo eleitoral de 2018”.

“Lamento que o radicalismo e sectarismo de alguns dirigentes do PT não tenham tido a devida compreensão histórica num momento que forças conservadores ameaçam de toda forma a possibilidade do PT voltar ao poder central nacional, inclusive encarcerado a principal liderança do partido o meu amigo e companheiro Lula”, disse.

E o deputado federal completa dizendo que o PT maranhense “vive, há décadas, numa autofagia”: “Quando procurei o PT para colocar-me à disposição do partido para ser candidato ao Senado Federal foi para contribuir, em primeiro lugar, com o projeto político nacional do partido tendo o companheiro Lula como presidente, bem como para o fortalecimento do PT no Maranhão que há décadas vive numa autofagia que tem impedido de fazê-lo ter o crescimento tal como ocorreu no plano nacional e nos estados vizinhos Piauí, Pará e Ceará, sem falar em outros estados do Nordeste”.