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No Maranhão

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EDITORIAL

Manchas da sujeira

Despoluir praias em qualquer lugar do mundo virou um desafio, onde nem os avanços das tecnologias são suficientes para aliviar os estragos ambientais praticados pelo homem onde quer que haja rio, riacho, igarapé ou mar. Esta semana uma mancha preta de esgoto doméstico denunciou o que todo mundo já conhece: as praias da capital maranhense, […]

Despoluir praias em qualquer lugar do mundo virou um desafio, onde nem os avanços das tecnologias são suficientes para aliviar os estragos ambientais praticados pelo homem onde quer que haja rio, riacho, igarapé ou mar. Esta semana uma mancha preta de esgoto doméstico denunciou o que todo mundo já conhece: as praias da capital maranhense, umas das mais belas e mais extensas do Nordeste, estão imprestáveis para o lazer da população.
De imediato, a Companhia de Saneamento do Maranhão (Caema) anunciou um pacote de projetos destinados a despoluir as praias, com tratamento de 70% do esgotamento sanitário de São Luís. O presidente da estatal, Davi Teles, disse que as obras já começaram e serão instalados 270 quilômetros de rede coletora, 45 quilômetros de interceptores, 40 estações elevatórias e mais outras duas grandes estações para tratar o esgoto no Anil e Vinhais, esta, próxima à Via Expressa. Vale lembrar que pesquisas científicas sobre tratamento de resíduos sólidos e preservação ambiental, no âmbito das universidades, existem para todos os gostos e possibilidades de gastos.
Embora não conste valores monetários na reportagem de capa de O Imparcial, edição de ontem, para executar a despoluição das praias de São Luís, a Caema dispõe de R$ 306 milhões de recursos federais, da rubrica do PAC das Cidades. Só assim a população local e os turistas poderão contar com praias de balneabilidade aceitável para o lazer. E, também, os rios que mancham as praias, enxotam o turismo e sujam o mar com esgoto que recebem, despejados na areia, poderão, quem sabe, em um futuro próximo, estar livres dessa condenação do litoral que banha a capital do Maranhão.
Em 2012, foi preciso o Ministério Público Federal acionar a Justiça para que a lei fosse cumprida. E o que manda a lei ambiental? Determina que o Estado é obrigado a divulgar as condições de balneabilidade das praias, que apresentam qualidade precá- ria de uso pela população. A lei não deveria obrigar tais avisos, mas, sim, que as praias não chegassem a ficar em condições de recebê-los. Na ocasião, foi vista uma família de canadenses saindo às pressas da praia da Avenida Litorânea, apavorada, quando descobriu que tais placas fixadas ao longo da orla era aviso da imprestabilidade das águas para o banho.
A poluição da praia é causada por fenômenos naturais (marés vermelhas, fortes chuvas, furacões, mudanças climáticas inesperadas) e, principalmente, pela atividade humana na zona costeira e continental. A tempestade afeta o escoamento da água das praias quando esta atinge o interior do mar. Isso ocorre devido aos detritos transportados pela água. No caso maranhense, os índices de poluição têm se elevado, ao longo de décadas, a níveis insuportáveis, pela incúria das autoridades. São Luís já ultrapassou a um milhão de habitantes, enquanto as medidas adotadas na área de saneamento e esgotamento sanitário andam na contramão do avanço dos ingredientes poluidores.
Afinal, rios e mares limpos são sinônimos de civilidade, de atrativos turísticos, de saúde e de desenvolvimento econômico sustentável. Os dados das organizações que cuidam do meio ambiente garantem que cada real gasto em saneamento básico significa uma economia quatro vezes maior desse valor em saúde pública.
As medidas anunciadas pela Caema para despoluir os rios responsáveis pelo elevado nível de poluição das praias da capital são animadoras e sinalizam que, dentro de algum tempo, a capital maranhense não verá mais seus turistas saindo correndo, assustados, com as placas que os proíbem de tomar banho no mar. Basta que o governo e a população compreendam a importância da limpeza do mar para a vida social e econômica de todos.
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