Foto: Survival

O corpo do cacique Jorginho Guajajara, 56 anos, foi encontrado na tarde do último sábado, 11, no Rio Zutiwa, próximo à ponte localizada na saída do município de Arame (MA), que faz limite com a Terra Indígena Araribóia. Jorge era cacique da aldeia Cocalinho I, do povo Guajajara.

Segundo nota emitida pela Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) a perícia realizada constatou a morte causada por afogamento. Não foram encontrados sinais de violência ou lesões por tiro no corpo do cacique. As investigações estão sendo conduzidas pela Polícia Civil.

Organizações civis e de defesa dos direitos humanos denunciaram ontem, 15, o caso como assassinato, e ressaltaram o trabalho do cacique na defesa ambiental indígena. Eles acreditam que o crime foi consequência do conflito rural na região. Membros do povo Guajajara, ouvidos pelo Instituto Socioambiental, organização civil que aborda temas sociais e ambientais, a região amazônica do Maranhão é alvo de intenso desmatamento e degradação florestal, inclusive dentro de terras indígenas.

Para combater a invasão de seus territórios e a degradação de suas florestas, os Guajajara têm se organizado em grupos de proteção territorial chamados de “guardiões da floresta”, que também fazem a vigilância contra madereiros e caçadores.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) informou que desde que tomou conhecimento do ocorrido, tem trabalhado para colaborar com as investigações policiais.

De acordo com a assessoria de comunicação da Polícia Federal, “se no decorrer das investigações da Polícia Civil houver uma caracterização de homicídio pelo fato de defesa dos direitos indígenas, pode ser solicitada a investigação da PF”.