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Prestes a completar 24 anos no Legislativo, o deputado federal e presidente do Partido Trabalhista Brasileiro no Maranhão (PTB-MA), Pedro Fernandes, começa a se despedir do protagonismo na política, para ingressar nos bastidores. A justificativa: nas palavras dele, “necessidade de renovação”.

Ele abre mão de uma nova disputa ao parlamento federal para apoiar o filho, o vereador de São Luís Pedro Lucas Fernandes. A decisão deverá ser sacramentada na convenção do PTB, no fim de julho. Na ocasião, além da “despedida” de Pedro Fernandes, serão definidos o apoio do PTB ao projeto de reeleição do governador Flávio Dino e os candidatos a deputados federal e estadual.

Fernandes já foi secretário (estadual e municipal), vereador e está no quinto mandato como federal. Em entrevista a O Imparcial, ele evita falar em “aposentadoria”. Dá sinais de que não abandonará a política. Sua ausência na eleição, segundo o parlamentar, é uma decisão em favor dos novos quadros. Ele prepara um discurso nesse tom para o dia da convenção.

O Imparcial Após 24 anos no Legislativo, quais expectativas e planos para o futuro? Pedro Fernandes Estamos na direção do PTB-MA e vamos participar ativamente dessas eleições de 2018. Trabalhamos em termo de coligação. Já definimos aqui, enquanto partido, o nosso candidato a governador (Flávio Dino), integrando a chapa majoritária. E estamos montando as chapas proporcionais, com as possíveis coligações. Sou presidente do partido. Tenho um mandato de mais dois anos como presidente. Vamos definir tudo agora, com nossa convenção, que está mais ou menos acertada para o dia 28 de julho. O PTB vai apresentar candidatos a deputado federal e candidatos a deputado estadual e apoiar a chapa do governador Flávio Dino. Pedro Lucas Fernandes encabeça, em seu lugar, a disputa a deputado federal pelo PTB? Se fala em renovação na política e o PTB quer começar também a renovar seus quadros. Quer dar oportunidade para os quadros mais novos. Na proporcional, tanto para deputado federal, quanto para estadual, vamos apresentar uma turma mais nova, mais pronta para a política. E a experiência adquirida nessa longa trajetória não conta? Há tempo de começar, tempo de ficar e há tempo de parar. É a renovação que nós estamos sentindo a necessidade de fazer. Precisamos renovar nossos quadros. Acho que o mal da política é tentar insistir demais quando toda uma sociedade está pedindo renovação. O Imparcial Depois de todos esses anos, qual a marca que Pedro Fernandes deixa na política? Pedro Fernandes Eu tenho dito sempre que uma das coisas importantes para o político é, ao levantar, pisar na vaidade, fugir da vaidade e acho que essa é minha grande marca na política. E o resto é trabalhar com seriedade, perto da população, recebendo as críticas, aceitando e construindo os mandatos a partir da participação não só dos correligionários, mas também da população em geral. O Imparcial Há algum arrependimento ao longo desses anos? Pedro Fernandes A gente não trabalha com mágoa, mágoa é bicho pesado e se for carregar, a gente cansa. A gente tem que ser livre e solto. O Imparcial No começo do ano, o senhor assumiria um cargo importante. Seria ministro do Trabalho. Mas, conforme divulgado pela mídia nacional e local, o ex-presidente José Sarney interviu e o presidente Michel Temer acabou desistindo da indicação. Por quê? Pedro Fernandes Eu fui indicado pelo PTB. O presidente Michel Temer aceitou. Depois que ele aceita e marca a posse, volta atrás e pede para que eu converse com os seus correligionários do Maranhão (do MDB, partido do Sarney). O que eu coloquei para eles lá é que se o convite, antes de ser aceito, tivesse essa condicionante, não teria problema, eu conversaria, tentaria construir, o que seria bom. Mas eu não fiz assim porque eu sou indicado, sou aceito, acerto a posse, vai sair a nomeação e aí alguém me veda. Então, não poderia mais aceitar. Mas se fosse antes, talvez, eu avaliaria e tentaria construir um caminho, se fosse interessante para o partido. O Imparcial Então, de fato, o Sarney trabalhou para que você não assumisse o ministério? Pedro Fernandes Foi veto! É uma certeza absoluta. Tinha que beijar a mão e eu não quis beijar a mão. O Imparcial Na última troca no Ministério, foi feito o convite novamente? Pedro Fernandes Não. Não há nenhum convite e nem interesse por parte do Planalto, nem da minha parte. O Imparcial Qual sua opinião sobre a gestão do governador Flávio Dino, hoje seu aliado? Pedro Fernandes A política de Flávio Dino é uma política inovadora, de renovação. É evidente que não é fácil. Sempre há críticas nessas mudanças de práticas, mas acho que ele faz um bom governo. E essa é uma avaliação pessoal e do partido. Acho que o Maranhão avança com Flávio Dino.