Opinião

Leia o artigo “Morte, que droga de pena!” do advogado Pedro Leonel

O título acima, mais que um jogo de palavras, parece ser uma charada. Ao final destas linhas o leitor descobrirá a solução.

O título acima, mais que um jogo de palavras, parece ser uma charada. Ao final destas linhas o leitor descobrirá
a solução.

Tudo está ligado ao despertar sangrento de 2017, com o massacre de presos em Manaus (AM) e Boa Vista (RR). Não foram os primeiros e nem serão os últimos. Mantidas que sejam as mesmas condições de temperatura e pressão, os mesmos serão os resultados futuros. E nada tem de espantoso, pelo menos para este que escreve. Talvez para algum leitor, desatento ou ingênuo, a coisa possa parecer chocante e extraordinária. Isso porque de há muito a brutalidade e a crueldade massivas passaram a ser a regra nos costumes penitenciários por todo o Brasil. Fontes idôneas apontam que esse fenômeno avultou-se a partir de quando passamos a ser o alvo maior consumidor e distribuidor no mercado internacional de drogas e armas.

Para ilustrar essa realidade cruenta, trago ao debate três distintas locuções, ainda que de fundo comum, que dão a
medida da reação provocada pelos fatos. O presidente Temer foi criticado pelo seu “acidente pavoroso”. Relembrou o jornalista Alexandre Garcia que Manaus e Boa Vista, somados, não passam de amostras diante da média de 164 mortes por dia causadas pelo narcotráfico em todo o Brasil. Cá no Maranhão foi bem preciso o juiz Roberto Veloso, falando como presidente da Associação dos Juízes Federais (AJUFE), quando disse que o acontecido em Boa Vista e Manaus se trata de “disputa pela entrada de entorpecentes no País”.

Tirante o primeiro, prova da existência de quem não conhece os refolhos do idioma e não sabe medir o valor da adjetivação, os outros dois são diagnósticos corretos ainda que incompletos.

Com efeito, dizer que há morticínios de presos e que a droga é a principal geratriz dos eventos — trata-se de informação pela metade a um passo, assim, de ser informação acumpliciada com o crime. Poucos ou ninguém têm a coragem de pôr o dedo na ferida e dizer esta verdade: a cada dia o Brasil se engolfa mais e mais numa guerra civil não declarada; e que Estado e sociedade brasileiros passaram a ser reféns do crime organizado internacional ligado ao narcotráfico. E há uma parcela dessa verdade, esta omitida em todas as redações e noticiários, segundo a qual o fornecimento de drogas para o Brasil já estaria hoje submetido a um comando ideológico atrelado a partidos de esquerda. Tornou-se tabu na mídia brasileira falar-se que as FARC, como empório das drogas, são o braço armado do partido comunista da Colômbia e de suas ligações com as facções prisionais nas quais o PC do B não seria de todo um ausente.

Soa surpreendente, assim, que dias depois dos eventos tenha o Estadão (5.1.17, A12) noticiado: “Em uma das denúncias oferecidas pelo Ministério Público Federal, no âmbito da Operação La Muralla, os investigadores detalham a relação da facção Família do Norte com fornecedores de drogas ligados às FARC”.

A continuar, pois, essa realidade, não demora e o Império do narcopoder estará encorajado a ditar normas para o Estado brasileiro no campo legislativo e da gestão administrativa, tudo de maneira a facilitar o mercado para seus produtos algo recreativos.

Exigência primeira que fará o Império: que não tenha curso qualquer decisão legislativa que institua no Brasil a pena de morte contra os chefes do tráfico. Isto é, contra aqueles que trucidam à vontade e impunemente dentro das nossas penitenciárias. Em nome da e pela droga.