Entrevista

Entrevista com Felipe camarão: Diálogo, transparência e construção coletiva

Felipe Camarão destacou ações realizadas na educação, especialmente no campo e em áreas indígenas. Lembrou também o abandono destas áreas pelas gestões anteriores

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Em entrevista exclusiva à reportagem, o secretário de Estado da Educação, Felipe Camarão, destacou as ações realizadas na educação, especialmente na educação no campo e indígena. Ele lembrou o abandono a estas áreas pelas gestões anteriores e salientou as ações realizadas para suprir essas carências como a retomada do Seminário Estadual de Educação do Campo, realizado na última semana, e concursos para professores da educação indígena, quilombola e do campo.
De acordo com Felipe Camarão, o processo de mudança na educação maranhense é uma das prioridades da gestão realizada pelo governador Flávio Dino. Ele informou que as Casas Familiares Rurais e as Casas Rurais agora recebem apoio para a educação de crianças e jovens, e que está em construção um Plano de Cargos, Carreiras e Salário da Educação Escolar Indígena.

O Imparcial – Após 10 anos, o Governo realizou esta semana um seminário voltado para sujeitos envolvidos com a educação do campo. Por que investir em ações deste tipo?
Felipe Camarão – O último seminário foi realizado em 2007, ainda no governo Jackson Lago, e sua retomada somente agora com o governador Flávio Dino, após 10 anos sem ter esse momento, demonstra muito sobre o passado e sobre como as questões relacionadas ao campo foram tratadas pelas gestões do governo do Maranhão nesse decorrer de tempo. O seminário é extremamente importante por possibilitar as discussões sobre as políticas voltadas à educação no campo, a avaliação daquilo que está sendo feito e planejar as futuras ações, pois a política do governador Flávio Dino é voltada para o diálogo, para a construção coletiva e participativa com os diversos atores da sociedade civil.

Quais ações estão sendo desenvolvidas para a educação do campo que o senhor destacaria?
O Governo do Maranhão retomou, por meio de edital de fomento, as parcerias com as associações das Casas Familiares Rurais, que são instituições que fazem educação no campo no estado do Maranhão, e apoio financeiro às Casas Rurais para contribuir com a manutenção e alimentação dos estudantes. Além de seletivos para professores de educação no campo e as ações formativas. Dentro da Secretaria de Estado da Educação existe uma supervisão voltada para tratar da educação no campo e cuidar de diversas ações, para atender os mais de 12 mil estudantes que nós temos nesta modalidade em nossa rede estadual de ensino.

Durante a abertura do seminário, o governador anunciou concurso para professores da educação indígena, quilombola e do campo. Alguma vez já tinha sido realizado concurso para essas modalidades no Estado?
Mais uma primeira vez do governador Flávio Dino. De maneira inédita na história do Maranhão, serão realizados concursos voltados para essas modalidades. Já está previsto concurso para a área da educação na Lei Orçamentária de 2018. Além desses, o governador também nos autorizou realizar concurso para a rede para professor surdo, outro ineditismo dentro da educação especial, além de concurso para psicólogo, bibliotecário e assistente social. Essas medidas são conquistas muito importantes para a rede pública estadual e se somarão às diversas ações, dentro do Programa Escola Digna, voltadas para a valorização dos nossos educadores e educadoras.

Quais os próximos passos que o Governo dará antes da realização destes concursos?
Serão editais específicos para cada área, para as modalidades que nunca antes na história do Maranhão tiveram concursos. Então, precisamos garantir que sejam editais elaborados com a participação da sociedade civil, com os sujeitos que fazem a educação no campo, a educação quilombola e a indígena, com o conselho das pessoas com deficiência, de modo que sejam editais democráticos e com a lisura necessária. Evidentemente também contaremos muito com a participação do Ministério Público, da Defensoria Pública, dos órgãos que envolvem o poder judiciário, por ser exatamente uma primeira experiência, para que possamos fazer bons concursos.

O que muda na oferta da educação voltada para essas modalidades com a presença de professores concursados?
Inúmeras são as vantagens, mas posso elencar algumas, como: a valorização da escola, daquela comunidade escolar que passa a ter mais segurança com um professor efetivo, porque ele não depende de um contrato para trabalhar. Os professores ficam permanentemente na escola, o que melhora o convívio com todos. Além da valorização dos educadores, que passam a ter garantia de estabilidade depois de determinado prazo constitucional, exercerão suas atividades recebendo um bom salário, com plano de carreiras. E essa valorização dos educadores é uma das marcas da gestão realizada pelo governador Flávio Dino, que é professor e compreende a importância de termos concursos para a área.

No caso da educação indígena, o Governo está construindo um Plano de Cargos, Carreiras e Salário da Educação Escolar Indígena, com a participação de representantes de diferentes etnias. Qual a importância desta ação?
Veja que somente nesta entrevista estamos falando de muitas primeiras vezes para o estado e essa não deixa de ser mais uma! De forma inédita na Secretaria de Educação temos representantes de todas as etnias indígenas sentados juntos, em uma mesa de diálogo para a construção do Plano de Cargos, Carreiras e Salário da Educação Escolar Indígena. Diálogo, transparência e construção coletiva também são marcas da gestão do governador Flávio Dino, pois não podemos fazer ações para esses povos sem ouvi-los, sem sabermos de suas necessidades, anseios, desejos. Não podemos fazer nada para eles, sem eles. A construção deste plano é o primeiro passo para o futuro concurso que realizaremos, como foi anunciado pelo governador.

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