Operação Pegadores

Flávio Dino “caça fantasmas” da Secretaria Estadual de Saúde

Governador cobrou da Polícia Federal uma lista com os nomes dos mais de 400 funcionários fantasma, que estariam recebendo dinheiro mensalmente da SES de forma indevida

Reprodução

O momento não é de caça às bruxas, mas, sim, de caça aos fantasmas. Foi desta maneira que o governador Flávio Dino (PCdoB) reagiu à quinta fase da “Operação Sermão aos Peixes”, deflagrada pela Polícia Federal para combater um esquema de desvio de verbas e fraudes na contratação e pagamento de pessoal na Secretaria de Estado da Saúde (SES) em 2015. Por meio de suas redes sociais, Dino garantiu a transparência de seu governo e cobrou da PF uma lista com os nomes dos mais de 400 funcionários fantasma, que estariam recebendo dinheiro mensalmente da SES de forma indevida.
Ao deflagrar esta nova etapa da “Operação Sermão aos Peixes”, a PF concedeu coletiva onde afirmou que estas 400 pessoas constavam na folha de pagamentos dos hospitais estaduais, sem que prestassem qualquer tipo de serviços às unidades hospitalares. Os beneficiários do esquema seriam familiares e pessoas próximas a gestores públicos e de diretores das organizações sociais.

“Quanto à lista de 400 fantasmas que a Polícia Federal menciona, já requeremos formalmente os nomes, para tomar providências administrativas. Estamos esperando a lista. Por minha orientação, todas as nossas equipes estão sempre à disposição para colaborar com investigações sérias e isentas. Repito, estamos esperando a lista dos alegados 400 fantasmas, para verificar se isso procede, quem foi o responsável, em qual época e por qual motivo”, afirmou o governador.

Enquanto tenta descobrir quais seriam os funcionários fantasma existentes na SES, o governador do Maranhão garante que sua administração não compactua com a má aplicação de recursos públicos.
“Desde 2015, estamos corrigindo problemas graves que herdamos na saúde. Implantamos processos seletivos para contratação de pessoal, o que jamais havia sido feito antes. Jamais compactuamos com qualquer má aplicação de recursos públicos. Sempre tentamos todas as providências administrativas quando erros foram detectados”, comentou Dino.

Herança

Ao defender seu governo, Dino cita que trabalha para desmontar um modelo de gestão adotado em governos anteriores. Ele explica que foi este tal modelo que deu origem à operações da PF.
“O modelo que herdamos foi que originou as operações da Polícia Federal. Não se desmonta isso em semanas ou meses, sobretudo em um serviço que não pode parar, como a saúde. Criamos quadro efetivo para concurso público na Empresa Maranhense de Serviços Hospitalares. Estamos aprimorando quadro de auditores na saúde, com seletivo específico”, disse Flávio Dino.
O governador ainda criticou a postura de seus adversários políticos. “Quanto à oligarquia Sarney/Murad, falta-lhes condições mínimas para falar em moralidade. Que cuidem dos seus problemas na polícia e na Justiça. São muitos. Desde 2015, é esse desespero de me nivelar a eles, para dizer que ‘nada mudou’. Mas o fato objetivo é que não tenho nenhum problema pessoal na polícia ou na Justiça. E assim continuarei”, concluiu o governador.

Operação

Iniciada em 2015, a “Operação Sermão aos Peixes” chegou esta semana à sua quinta fase, intitulada de “Pegadores”. Essa nova etapa resultou na prisão temporária de 13 pessoas, e no cumprimento de 26 mandados de busca e apreensão em São Luís, Imperatriz, Amarante e Teresina (PI), além do bloqueio judicial e sequestro de bens no total de R$ 18 milhões. Cinco veículos, entre eles uma Hilux e um Corolla, também foram apreendidos. Todas as ordens judiciais foram expedidas pela 1ª Vara Criminal Federal da Seção Judiciária do Maranhão.
Dentre as pessoas que foram presas, está a ex-subsecretária de Saúde do Estado e atual suplente a deputada federal, Rosângela Aparecida da Silva Barros, conhecida como Rosângela Curado (PDT). De acordo com a PF, entre janeiro e setembro de 2015, período em que Rosângela Curado ocupou o cargo de subsecretária de Saúde, ela teria sido a responsável pelo desvio de uma parte da verba pública.
A estimativa inicial da PF é que o montante dos recursos públicos federais desviados por meio de tais fraudes supere a quantia de R$ 18 milhões. Contudo, o dano aos cofres públicos pode ser ainda maior, pois os desvios continuaram a ser praticados mesmo após a deflagração de diversas outras fases da “Operação Sermão aos Peixes”.

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