Brasileiros repatriados relatam maus-tratos; Governo exigirá explicações aos EUA
Os deportados desembarcaram em Manaus com seus pulsos algemados e também com corrente nos pés. Além disso, também há relatos de agressões com chutes e sufocamentos por “mata-leão”.

Reprodução
O governo brasileiro cobrará explicações da gestão de Donald Trump a respeito das experiências de maus-tratos relatadas pelos brasileiros repatriados por entrarem de forma ilegal nos Estados Unidos, os viajantes chegaram neste sábado (25), no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, na Região Metropolitana da capital mineira.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), os brasileiros foram submetidos a “tratamento degradante” e “inaceitável” os deportados desembarcaram em Manaus com seus pulsos algemados e também com corrente nos pés.
As agressões contra o grupo configura violação dos termos do acordo assinado entre Brasil e EUA, no ano de 2018, para a devolução de brasileiros que sejam detidos por entrarem de maneira irregular dentro do país norte-americano.
Neste sábado (25), Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, reuniu-se com o delegado federal Sávio Pinzón, superintendente interino da PF no Amazonas, e com o major-brigadeiro Ramiro Pinheiro, comandante do 7º Comando Aéreo Regional. Durante a reunião, “foi efetuado relato detalhado sobre os incidentes”, de acordo com o MRE. A ocasião subsidiará o pedido das devidas explicações ao governo norte-americano.
Segundo informações do MRE, o avião fretado pelo governo dos EUA para a deportação possuía diversos problemas técnicos, como “pane no ar-condicionado”. Além disso, também há relatos de agressões com chutes e sufocamentos por “mata-leão” desferidos por parte dos seguranças contratados para acompanhar o grupo.
Macaé Evaristo, ministra dos Direitos Humanos, expressou a revolta do governo em vídeo publicado nas redes sociais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “Não podemos suportar a violação dos direitos humanos. O que aconteceu nesse voo foi uma violação aos direitos dos brasileiros“, expressou.
Ricardo Murad Macedo, superintendente da PF em Minas Gerais, também comentou sobre o caso: “Fizemos todos os procedimentos de forma célere e buscando preservar ao máximo a dignidade desses cidadãos“, destacou.
No sábado, Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça e Segurança Pública, considerou inaceitável a prisão pelos pés e mãos dos deportados durante o voo, classificou tal ação como um “flagrante desrespeito aos direitos fundamentais dos cidadãos brasileiros”. A situação foi a ele comunicada pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Em Manaus, os agentes federais determinaram aos representantes do governo norte-americano a imediata remoção das algemas e correntes.
O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Congresso, também se expressou e destacou a preocupação com o tratamento do governo dos EUA ao brasileiros. “A decisão por um novo procedimento na política de imigração, que é um direito assegurado a todos os países, não pode vendar nossos olhos diante de situações degradantes e denúncias de agressões e maus-tratos. O respeito à dignidade humana é um conceito consagrado em um mundo civilizado e democrático“, destacou.
Humilhados e ameaçados
Os brasileiros deportados dos Estados Unidos, contaram que logo após desembarcarem no Aeroporto de Confins, o avião disponibilizado pelo governo norte-americano apresentava evidentes condições precárias. O grupo foi transportado para Belo Horizonte por um jato da Força Aérea Brasileira (FAB), que os pegou em Manaus, onde o aeronave que os trouxera dos EUA teve de pousar por problemas técnicos.
Vivendo há seis anos nos Estados Unidos, o goiano Kalebe Barbosa Maia, de 28 anos foi preso há seis meses. “Foi uma viagem muito difícil até chegar aqui, ao Brasil. Fomos muito humilhados pela imigração americana. Trataram a gente muito mal. (O jato) parou no Panamá. Teve problemas técnicos, teve que viajar com um mecânico dentro do avião. O ar-condicionado estragou. A turbina do avião falhando. As condições eram precárias. Foi um momento desesperador”, conta, ressaltando que o grupo foi mal alimentado, ao contrário dos seguranças e tripulantes.
Carlos Vinícius de Jesus, de 29 anos, de Vespasiano (MG), conta que “o pessoal de Manaus é que recebeu a gente bem e acolheu. Eu tive que subir em cima da asa para pedir socorro. Os americanos são hipócritas. Eles me falaram: ‘Que se dane seu governo. Se a gente quiser, fecha a porta da aeronave, desce e mata vocês’. Foi o que eles falaram“.
Motim a bordo
O curitibano Mário Henrique Andrade Matheus, de 41 anos, possuía marcas vermelhas nos pulsos que, de acordo com seus relatos, foram causadas pelos agentes de imigração norte-americanos que acompanhavam o grupo. Segundo ele, ao chegarem ao Amazonas, os oficiais dos EUA não permitiram as pessoas desembarcassem, mesmo com o ar-condicionado desligado.
Tal atitude fez com que os passageiros, entre eles mulheres e crianças, acabassem passando mal, causando assim, uma rebelião devido a situação. A revolta do grupo teria sido confrontada pelos estrangeiros com socos e chutes.