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17 DE MAIO

Sangue LGBTQ+ também salva vidas

Doadores LGBTQ+ relatam suas experiências antes e depois do fim da restrição discriminatória que proibia a doação de sangue.

Imagem: reprodução

Segundo o Ministério da Saúde, uma bolsa de sangue pode salvar a vida de até quatro pessoas. Num país em que campanhas incentivam a doação de sangue de forma espontânea, é quase inacreditável que até março do ano passado litros de sangue eram desperdiçados devido ao preconceito e a desinformação.

Em 8 de março de 2020, o Superior Tribunal Federal (STF) derrubou a restrição discriminatória que proibia homossexuais de doarem sangue. O entendimento errôneo de que homossexuais teriam sangue considerado contaminado vem desde os anos 1980, com a epidemia de HIV no Brasil, em que se acreditava que homens gays eram grupo de risco e não existiam testes para saber se era seguro utilizar o sangue, como é possível atualmente.

Inclusive, o termo grupo de risco entrou em desuso. O que especialistas afirmam existir é o comportamento de risco ao HIV, como relações sexuais sem preservativo e o uso de agulhas intravenosas compartilhadas. E esse comportamento pode ser praticado por qualquer pessoa independente de sua orientação sexual.

Apesar da restrição ter em foco homens homossexuais, a discriminação com pessoas não heterossexuais ao tentarem se cadastrar no banco de dados de doação também é uma realidade. “Fui tentar doar sangue pela primeira vez em 2018. Eu tinha 17 anos e fui acompanhada da minha mãe, ela havia autorizado e já sabia que eu sou LGBTQ, e quando me perguntaram sobre minha vida sexual e souberam que sou pansexual deram uma desculpa e disseram que não podiam aceitar minha doação.”, relata Wanda Vieira, 19. “Hoje estou aliviada por poder ir doar sangue sem ter que encarar olhares de reprovação por ser quem sou”, continua.

Apesar do fim da restrição, nem tudo são boas novas. Educar e conscientizar não só a área da saúde, mas toda a sociedade é essencial para que os espaços acolham os possíveis novos doadores. “Eu vejo o fim da restrição muito distante da realidade.”, afirma Mirella Einstein, que é lésbica e doadora há quatro anos. “A base da situação é aquela enfermeira, aquele médico. Eles de fato vão me deixar passar se eu disser que gosto de mulheres? No papel parece sim uma melhora, mas foram tantos anos afastando o público LGBTQ de um centro de doação de sangue e tantos anos criando estigma que uma lei por si só não parece fazer efeito.”, questiona.

Com a realidade pandêmica e hemocentros pelo país tendo estoque baixo, cada doação conta e faz diferença entre a vida e a morte de muitos brasileiros. A restrição pode ter sido apenas o começo para que a solidariedade e vontade de ajudar o próximo seja maior do que estigmas enraizados.  “A retirada da restrição é o primeiro passo. Mas é o primeiro passo de uma caminhada muito longa em prol da saúde coletiva.”, conclui Mirella.

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