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ENTREVISTA

Jânio Silva: Alto rendimento na gestão esportiva

Jânio Silva iniciou a carreira ainda nos anos 90 como atleta de futsal no Clube Atlético Ônix do Piauí

Reprodução

Foi-se o tempo em que o amadorismo predominava na administração dos clubes, entidades, federações e ligas. Hoje, as entidades e empresas do ramo estão cada vez mais exigentes ao analisar o perfil de pessoas que atuam no setor, porque sabem o quanto é importante serem gerenciadas por profissionais capacitados na gestão do esporte de alto rendimento.

Os objetivos são sempre a execução de projetos por meio de pessoas que dominem planejamento, organização, direção e controle administrativo, que possibilitem resultados positivos no esporte, inclusive, como negócio. “A capacitação profissional de novos gestores esportivos é uma tendência que veio para contribuir com a gestão do esporte nacional, sua credibilidade e excelência”, afirma  o professor Jânio Silva, participante do Curso de Gestão Esportiva (FAE) realizado pelo Instituto Olímpico Brasileiro (IOB), instituição que faz parte do Comitê Olímpico Brasileiro (COB).

A capacitação profissional de novos gestores esportivos é uma tendência que veio para contribuir com a gestão do esporte nacional, sua credibilidade e excelência.

Indicado pela Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU), do qual faz parte como um dos presidentes de federação estadual, Jânio considera o curso como sendo da maior importância na atualidade.

Os alunos (gestores, técnicos, atletas e colaboradores das diversas confederações do Brasil) aprendem sobre o movimento olímpico, noções básicas de gestão esportiva, desenvolvimento e preparação esportiva, além de conhecimentos sobre como se organiza uma missão para os jogos olímpicos.

O acesso ao curso (via EAD) é feito por meio de currículo esportivo e experiência profissional e, nesse aspecto, nosso entrevistado, que  é  técnico e coordenador de treinamento da Escola Cruzeiro de Futebol e Futsal (São Luís),  com Licenciatura em Educação Física, participou do processo de seleção e preencheu todos os requisitos.

O Imparcial – O senhor acaba de ser aprovado  em um dos principais cursos de Gestão Esportiva do país, realizado pelo Instituto Olímpico Brasileiro, que faz parte do COB. Qual a importância dele na sua capacitação profissional?

Jânio Silva – Participar de um curso promovido pela principal instituição de organização do esporte no Brasil é uma oportunidade única. A importância deste curso está na possibilidade de ampliar meus conhecimentos e capacidade de trabalhar com gestão do esporte, além de potencializar meu currículo através de uma entidade respeitada e com credibilidade internacional.

A  decisão de participar do curso foi uma aposta sua ou teve  indicação de alguma entidade à qual o senhor está vinculado? Como ingressar nesse curso?

O interesse em participar do curso foi meu. Para ingressar no curso fui indicado pela minha Confederação (CBDU) e participei de um processo de seleção  através de currículo acadêmico, esportivo e experiência profissional.

O senhor considera que, além de abrir portas para a aplicação dos seus conhecimentos no Brasil, essa capacitação também traz a possibilidade de atuação no exterior? Onde seria melhor e por quê?

O curso possibilita aos alunos adquirirem conhecimentos específicos sobre a gestão do esporte olímpico, sua estrutura e realização de eventos. É um caminho, uma preparação para quem deseja trabalhar com gestão e esporte de alto rendimento. Neste momento, meu interesse é estar capacitado para qualquer grande evento no Brasil. E que uma oportunidade fora do país seja consequência de uma boa atuação local.

A  gestão  esportiva nesse nível que está sendo ministrada é hoje  a tendência,  ou seja, o caminho para obtenção de melhores resultados, seja na área dos esportes olímpicos ou no profissional? Justifique, por favor.

A gestão esportiva é muito importante no contexto da administração do esporte. É a partir dela que se  desenvolvem as principais competências de organização e estrutura de qualquer atividade ou evento esportivo. A capacitação profissional de novos gestores esportivos é uma tendência que veio para contribuir com a gestão do esporte nacional, sua credibilidade e excelência.

A grande maioria das entidades e empresas da área esportiva tem prestigiado esse tipo de profissional capacitado ou, na sua visão, o aproveitamento poderia ser bem melhor? Quais as informações que o senhor tem sobre este aspecto?

As entidades e empresas que fazem o esporte nacional estão cada dia mais exigentes com o perfil de pessoas que trabalham ou desejam trabalhar com elas. Ainda é pequeno o número de profissionais que têm atribuição para trabalhar em grandes eventos. No entanto, a oferta de cursos tem crescido muito nos últimos anos. É preciso estar atento às oportunidades.

Quais os princípios básicos dessa preparação,  necessários ao bom desempenho do profissional em gestão desportiva, clubes, federações e confederações?

O básico da preparação do curso é entender e conhecer a organização, estrutura e gestão do esporte olímpico, seus valores, conceitos e estratégias de execução de atividades.

Nesse campo esportivo, o senhor já tem uma experiência. Como tem sido seu aproveitamento em termos de resultados e conquistas no esporte de rendimento?

A experiência que já adquiri em outras oportunidades, participando de eventos ou competições nacionais ou internacionais foram fundamentais para que eu pudesse ingressar no esporte de rendimento como profissional e desenvolver um trabalho que aos poucos tem sido reconhecido com bons resultados no futsal e futebol de base.

Como ocorreu sua chegada à escolinha  Cruzeiro São Luís, e em que estágio se encontra esse trabalho de preparação de atletas nas faixas até 14 anos?

Cheguei a São Luís em julho de 2018. Minha esposa passou no concurso da Hebesher e veio trabalhar no Hospital Universitário (HU) da cidade. Aqui recebi o convite do gestor presidente da franquia da escola Cruzeiro, professor Pedro Brito e iniciamos um trabalho de preparação de equipes para competições regionais e nacionais.

O início na prática de outros esportes, como o Futsal e o Fut-7 é fundamental para despertar a habilidade dos futuros craques no futebol  de campo? Por quê?

Hoje, meu trabalho na escola Cruzeiro é com garotos de 13 a 15 anos. A base é trabalhada com as modalidades de Futsal e Fut-7. Entendemos que estas modalidades potencializam a qualidade física, técnica e cognitiva dos garotos, tornando-os mais preparados para uma transição para o futebol de campo.

Qual o resultado prático, até o momento, em se tratando de aproveitamento de atletas locais para outros grandes centros esportivos? Recentemente, quais os que se destacaram e deixaram São Luís?

Entre 2019 e início de 2020 nossos atletas participaram de muitas competições, peneiras e foram observados por técnicos e olheiros de outros clubes. Alguns atletas conseguiram ingressar em equipes como Internacional, Criciúma e Atlético Mineiro. Temos outros talentos que certamente ainda vão conseguir se destacar e vestir a camisa de grandes clubes.

Recentemente, o senhor proferiu uma palestra  sobre essas questões de gestão esportiva. O que mais importante foi transmitido aos gestores e ex-gestores participantes?

Participei de um evento sobre Futsal e seu desenvolvimento no esporte escolar e universitário. Fizemos uma boa discussão com outros profissionais do esporte e chegamos ao consenso que o desporto escolar  é fundamental na iniciação esportiva. Sua prática na escola agrega valores importantes além de gerar saúde. E o desporto universitário é a continuação deste processo onde o aluno atleta pode ser um atleta profissional e ainda ter sua formação profissional.

Qual a mensagem que o senhor deixa para aqueles que desejam investir na gestão esportiva aqui no Maranhão? Como dar o primeiro passo?

Eu acredito que todo profissional do esporte precisa conhecer e aprender um pouco sobre gestão. Assim, será possível conduzir seu trabalho com mais organização, além de potencializar suas habilidades profissionais. Existem muitos cursos disponíveis. O mercado do esporte está cada vez mais competitivo e o conhecimento é um forte aliado de quem pretende chegar ao topo dele.

Perfil

Jânio Silva iniciou a carreira ainda nos anos 90 como atleta de futsal no Clube Atlético Ônix do Piauí. Em 2004 foi convidado para fazer parte como atleta do projeto aluno atleta da Faculdade CEUT. Cursou Comunicação Social (jornalismo), representou a instituição em diversas competições estaduais, regionais e nacionais. Formou-se em 2008, ano em que foi  eleito presidente da Federação Acadêmica de Esportes Piauiense (FAEP), entidade que administra o desporto universitário no Piauí. Em 2014 concluiu o curso de Licenciatura em Educação Física. Trabalhou com futsal e futebol masculino e feminino no Piauí. Representou o Brasil a serviço da Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU) em eventos internacionais, olimpíadas,  Mundial Universitário, Belgrado (Sérvia), 2009, Shenzen (China), 2011,   Guandzu (Coreia do Sul), 2015. Mundial Universitário  Futsal em Málaga (Espanha), 2014, Pan-Americano Olímpico e Paralímpico (São Paulo), 2018. Atualmente é coordenador de treinamento da Escola Cruzeiro de Futebol e Futsal (São Luís).

Origem e história

O surgimento da Gestão do Esporte pode ser considerado a partir do desenvolvimento do próprio Esporte Moderno, já que toda e qualquer atividade esportiva necessitava e necessita de uma organização.

Sua consolidação enquanto área de conhecimento se deu somente na década de 1960, com a criação dos primeiros programas acadêmicos nos Estados Unidos. Os principais responsáveis pelo aumento da complexidade na gestão de franquias do esporte profissional americano foram as altas demandas do próprio esporte profissional, mas também do esporte universitário, assim como o desenvolvimento dos meios de comunicação e aumento do consumo de produtos esportivos.

Assim, ao longo dos anos houve um aumento da complexidade na intervenção profissional de gestores do esporte, o que acabou motivando o desenvolvimento da área pelo mundo. Na Europa com relação ao “Esporte Para Todos” ou com situações relacionadas com o próprio fenômeno esportivo, como seu poder educacional, seus eventos, empreendimentos e até mesmo negócios existentes em todo o globo, destaca  “a enciclopédia livre”. A Gestão do Esporte possui como principal objetivo realizar o gerenciamento efetivo, eficaz e eficiente das atividades e organizações esportivas. Onde a eficácia refere-se ao resultado alcançado, a eficiência envolve a forma com que ele é alcançado e a partir de ambas, o gestor esportivo poderá perceber a efetividade, ou seja, a capacidade em se alcançar os resultados e objetivos pretendidos.

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