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Especialista alerta para os impactos da separação do casal na vida dos filhos

Separação de casal não é separação de pais e mães, afirma psicóloga

A farmacêutica Margareth Sousa se separou há um ano e cinco meses. Foto: Reprodução

Com tantos casais, famosos ou não, pondo fim aos relacionamentos, a sensação é a de que “todo mundo tá se separando”, como dizem algumas pessoas nas redes sociais. A mais recente e comentada separação no Brasil foi a do cantor Gusttavo Lima com a modelo Andressa Suíta, que têm dois filhos ainda pequenos. Não é só impressão sua: de fato, o número de divórcios tem aumentado nos últimos anos. Este ano, durante e após a quarentena forçada pela pandemia, a quantidade de casais que terminaram os relacionamentos formais teve um aumento expressivo. De acordo com o Colégio Notarial do Brasil, foram contabilizados 6.868 divórcios em julho deste ano, contra 5.714 em junho, uma elevação de 20%.

A separação de um casal é sempre um problema que vai além da vida afetiva de duas pessoas; e saber lidar com isso se torna ainda mais complicado quando o casal tem filhos. Por mais que se tome as atitudes adequadas para a circunstância, não há maneira de evitar que as crianças reclamem da ausência de quem saiu de casa ou até mesmo encarar crises de “rebeldia”.

A farmacêutica Margareth Sousa se separou há um ano e cinco meses. Com dois filhos, de 04 e 09 anos, percebeu o impacto da separação no comportamento das crianças. “A minha filha mais velha passou por um sentimento de revolta após a separação, enquanto o meu filho mais novo ficou chorando por vários dias após a saída do seu pai”, recorda.

A farmacêutica Margareth Sousa se separou há um ano e cinco meses. Foto: Reprodução

Equilíbrio e decisão consciente

Equilibrar razão e emoção e manter os filhos longe desse tumulto de sentimentos não é mesmo fácil. Mesmo que você não preste atenção, os filhos sofrem com o divórcio, com as discussões, com os mal-entendidos e tudo o que pode ocorrer em um processo de separação. Ter pais divorciados pode ser uma situação que muitas crianças e adolescentes não conseguem gerenciar por conta própria.

“Um divórcio é algo que muda a vida tanto do casal como de seus filhos, podemos dizer que é um ‘divisor de águas’, um antes e depois que pode trazer muitos prejuízos para a criança ou adolescente como também pode ser bem entendido, ao depender de como se deu a separação, em que condições”, explica à psicóloga infantojuvenil, Jailma Marques.

Aceitar que um pai ou uma mãe não está mais presente é muito difícil, e se torna ainda mais doloroso quando a criança subentende que um dos dois se tornou ausente, pensa que não a visita ou não quer saber dela, e se engana quem acredita que a faixa etária influencia nesse processo de aceitação. Segundo a psicóloga Jailma Marques, criança ou adolescente, a intensidade do sofrimento depende de diversas variáveis: “Não existe uma faixa etária que sofre mais durante um divórcio. Vai depender muito do convívio e de como as coisas vão acontecer, sentir a falta é muito comum e isso pode gerar um sofrimento e até mesmo ter uma reação adversa e uma não aceitação a situação imposta, no caso a separação”.

Sobrecarga

Além disso, por mais bem resolvidas que possam ser as decisões assumidas de uma separação, haverá algumas implicações secundárias, como por exemplo, a reconstrução do “novo” estado de vida. De repente, aquela pessoa que tinha um papel específico no funcionamento do lar se vê assumindo inteiramente as responsabilidades que anteriormente eram divididas.

“A partir da minha separação, comecei a ser o núcleo de tudo. Comecei a lidar com questões econômicas, financeiras, saúde, o meio social. Comecei a esquecer um pouco da minha vida para viver em prol apenas dos meus filhos, para eles não perderem o padrão de vida que tinham durante o casamento. Tive que começar a tomar conta de tudo”, relatou Margareth.

Psicóloga infantojuvenil, Jailma Marques. Foto: Reprodução

A questão é: como atravessar esse período de dificuldade para que todos, em especial os filhos, possam se adaptar a esse novo formato familiar? “O final desejável de uma separação é que os pais não confundam o casal conjugal desfeito com o parental, que continua para sempre, ou seja, é saber separar: divórcio do casal e não distanciamento dos seus filhos. Além disso, não se deve praticar alienação parental [bloqueio do convívio] de nenhuma das partes. E, por fim, ter um bom diálogo entre pais e filhos”, orienta a especialista Jailma.

Para Margareth, deu certo. Graças ao apoio, com o carinho dos familiares e muita conversa, as dificuldades iniciais com os filhos acabaram. Hoje, eles convivem harmoniosamente com a separação dos pais.

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