Maranhão é terra de encantarias, e disso não há dúvidas! Temos um acervo cultural gigantesco, com tradições, cultos, festejos e… Lendas! Histórias passadas de geração em geração, que vão se modificando com o caminhar do tempo mas marcam o povo maranhense e encantam e aterrorizam aqueles que creem na força da natureza e da magia. Relembre agora oito lendas e histórias de terror contadas no Maranhão!

O macabro Palácio das Lágrimas

Se você passa pela esquina da Rua da Paz e Rua 13 de Maio e avista um casarão enorme, abandonado, com resquícios de obras inacabadas, é bom saber para andar protegido: aquele prédio foi palco de vários acontecimentos no mínimo bizarros. Boas ou más, as línguas contam que dois irmãos portugueses vieram ao Maranhão em busca de riqueza, mas apenas um conseguiu. O problema vem em seguida: com inveja, o irmão pobre assassina o outro para ficar com a fortuna.

Com a riqueza em mãos, o homem passa a maltratar os escravos – incluindo a ex-mulher os filhos do irmão. Ao descobrir que o tio havia assassinado o pai, um dos bastardos o arremessa através de uma das janelas do sobrado, e acaba condenado a morrer na forca, em frente à própria casa. O escravo, então, amaldiçoa a construção, com as seguintes palavras: “Palácio que viste as lágrimas derramadas por minha mãe e meus irmãos. Daqui por diante serás conhecido como palácio das lágrimas”. Hoje, há quem escute barulhos sinistros e veja vultos no interior do casarão.

Dom Sebastião e o Touro Encantado

Na Ilha dos Lençóis, em Cururupu, existe uma lenda pra lá de curiosa. Dizem os nativos que entre as dunas mora um touro negro, com uma estrela na testa, cujas aparições ocorrem nas noites de lua cheia. O animal é ninguém mais, ninguém menos, que o rei português Dom Sebastião. Mas como esta figura da realeza foi parar logo no interior do Maranhão? É que os montes de areia da ilha se assemelham às dunas do campo de Alcácer Quibir, onde o personagem da história morreu em combate com os mouros. Desde sua derrota, ele vaga por terras maranhenses, esperando que algum corajoso o liberte – ocasionando, assim, a submersão da ilha de São Luís.

Lenda da Serpente Encantada

Xilogravura feita pelo artista Airton Marinho

Quando São Pedro “arreia” o toró e São Luís alaga, a gente lá no fundo cogita: é a Serpente Encantada levando a ilha abaixo. Trata-se de uma das lendas mais conhecidas por aqui, que reza que existe um gigantesco réptil que vive nas galerias subterrâneas da capital, e não para de crescer – tanto que um dia sua cabeça, que fica debaixo da Fonte do Ribeirão, encontrará o rabo, que está na Igreja de São Pantaleão, causando a submersão
de São Luís! Seria a nova Atlântida?

Lenda da Praia de Olho d’Água

Outra lenda bastante conhecida em São Luís conta que a Praia do Olho d’Água surgiu por conta das lágrimas de um amor perdido. A índia filha de Itaporama apaixonou-se por um jovem da tribo, que, por ser muito belo, provocou a paixão da Mãe d’água. O índio acabou sendo seduzido e levado ao palácio encantado da entidade nas profundezas do oceano. Sem o amor do rapaz, a jovem índia foi para a beira do mar e chorou até morrer: das lágrimas, surgiram duas nascentes que correm até hoje para o mar. Toda vez que banhar na praia do Olho d’Água, lembre-se: você está mergulhando nas lágrimas da filha de Itaporama!

Lenda da Serpente da Igreja do Rosário

Xilogravura feita pelo artista Airton Marinho

Serpentes, Igrejas é muita água: três elementos sempre presentes nas lendas que atravessam as gerações. No Maranhão, a cidade de Caxias tem uma história interessante sobre a Igreja do Rosário. Dizem que, de sete em sete anos, o piso da construção levanta até chegar a meio metro – são as almas dos escravos torturados no pelourinho da igreja buscando a libertação. Mas a lenda de fato ainda está por vir: a história é que havia um padre na região, cuja mãe tinha má índole. A progenitora morreu e foi enterrada dentro daquela igreja, virando a Serpente da Igreja do Rosário. Reza a lenda que este enorme réptil cresce de sete em sete anos, e que hora ou outra, a igreja vai desmoronar, e a serpente sairá pelas ruas de Caxias comendo todos os moradores.

Lenda da carruagem de Ana Jansen

Xilogravura feita pelo artista Airton Marinho

Quem não morre de medo da figura lendária de Ana Jansen? Poderosa comerciante e figura política maranhense, ficou conhecida por maltratar os escravos. Ainda hoje, conta-se que a matrona vaga em sua carruagem puxada por cavalos decapitados conduzidos por um escravo – também sem cabeça – pelas madrugadas, no Centro de São Luís, e amaldiçoa quem por ela passa, com uma vela acesa que pela manhã se transforma em osso de defunto.

Fato é que Ana Jansen foi uma mulher a frente de seu tempo, quebrou tabus desde cedo – quando engravidou solteira -, contribuindo para a política e o comércio maranhense e mantendo estilo de vida liberal (afronta para a época em que viveu). Hoje, permite-se cogitar que toda a lenda e a fama negativa de Jansen seja, no fim das contas, apenas intriga da oposição.

Lenda da Manguda

(Imagem retirada da 5ª camada da Deep Web)

O que você faria se, num passeio noturno na belíssima Praça Gonçalves Dias, visse uma figura medonha, vestida de branco e com cabeça brilhante? No mínimo, correria para nunca mais voltar ao recinto. É esta a lenda da Manguda, um ser bizarro que vagava na região do Centro durante a noite.

O mito, no entanto, não passou de história pra boi dormir – ou melhor, pra comerciante contrabandear. Explicamos: é que o personagem foi criado por contrabandistas que faziam suas atividades ilegais, na calada da noite, e não queriam que os “marocas” dessem conta da clandestinidade. Espertos, não?

Lenda de Carimã

A praia de Carimã está entre nossas indicações de recantos naturais mais belos do Maranhão, mais precisamente, em Raposa. Caso resolva ir até lá, prepare-se para a possibilidade de avistar, entre as dunas, uma jovem moça de branco, triste a vagar. Reza a lenda que uma mulher mudou-se com o marido para Raposa, buscando recomeçar a vida longe do irmão gêmeo do amado, que por ela era obcecado. O casal, apaixonado e longe dos problemas, ia bem: a bela moça sempre esperava o homem voltar da pesca, sentada numa duna, para juntos voltarem para casa.

Certo dia, no entanto, o irmão gêmeo descobriu onde o casal estava, e fingiu ser o marido da jovem voltando da pescaria. Após terem adormecido, o homem fugiu sem deixar rastros. O verdadeiro esposo, ao retornar à casa, deparou-se com a situação, e imaginando o que acontecera, foi em busca de matar o irmão – sem sucesso. Ele, então, partiu em direção à Praia de Carimã, onde desapareceu entre as ondas.

Desolada, a bela jovem passou a procurar todos os dias o corpo do marido pela praia, durante anos. Há quem diga que a moça é vista até hoje vagando pela praia, a espera do amor perdido.