REGGAE, DUNAS E MANGUES

São Luís não é a única Ilha do Reggae do Brasil; conheça Algodoal, no Pará

A vila de Algodoal, localizada na ilha de Maiandeua, no Pará, tem muitos aspectos naturais e culturais parecidos com a nossa Ilha do Amor. Confira!

Dá para acreditar? São Luís tem, a 810 km, uma sósia no litoral do Pará. A sensação de estar na ilha de Algodoal-Maiandeua, no município de Maracanã, é de visitar um “mundo invertido”, que nem a física daria conta de explicar. A diferença principal (e uma das únicas) está nos rastros da urbanização que lá ainda chegam sem pressa.

A vila, de manguezais, dunas e diversas características semelhantes às terras ludovicenses, também é conhecida (coincidência ou não) como a Ilha do Reggae pelos paraenses – título refutado pelos mais tradicionais, forjados no carimbó. Nós sabemos e sentimos: dá até uma pontinha de ciúmes. Aquele olhar espichado, de alguém que já com as marcas da idade (405 anos, para ser específico) lembra da juventude.

A Ilha de Maiandeua foi ocupada em 1920 por pescadores e é composta por quatro vilas, sendo Algodoal a principal delas. Carros não são permitidos e a energia elétrica se limita apenas às ruas principais. Não há asfalto: moradores e turistas transitam com os pés na areia. As casas de veraneio (até bem modestas) ocupam pouco espaço do recanto, e abrigam, junto às pousadas e áreas de camping, os paraenses que buscam refúgio entre a natureza, jovens mochileiros e surfistas e outros turistas de todos os cantos do Brasil e do mundo. São 40 minutos de travessia para a ilha, por barco, partindo do município de Marudá.

Além do carimbó e do tecnobrega – este segundo mais atual, mas já a cara do paraense -, outro ritmo dita o tom das festas à noite: o reggae. Ele, que consideramos tão nosso, tão ludovicense, apesar de ser jamaicano. Ao contrário da tradição do ritmo em São Luís, respaldado pela história de que teria chegado há cerca de 50 anos através das ondas de rádio da Jamaica ou por comerciantes, com discos de vinil, é outro fator chave que leva Algodoal a ser considerada a “Ilha do Reggae” do Pará: o fluxo de jovens na época das férias. É o que conta o belenense Henrique Santos, que vai todos os fins de ano à ilha. “Muitas bandas da capital e jovens universitários iam pra ilha pra se divertir, curtir, e com isso levaram bandas de reggae. Ali você pode apreciar aquela natureza de tirar o fôlego”, explica o jovem.

A ilha, com 19 km² de extensão, encanta pelas belezas naturais em diversas praias com vários bares e restaurantes, e também pelo clima de segurança. “É difícil ouvir coisas relacionadas a criminalidade por lá, por as pessoas vão mesmo é pra aproveitar a natureza. Na ilha do reggae é outro clima, lá todos são humildes com você”, completa Henrique Santos.

Semelhanças naturais

Além do honroso título de Ilha do Reggae, Algodoal compartilha com São Luís diversas características naturais, relacionadas ao solo e ao mar. A ilha, banhada pelo Oceano Atlântico, constitui-se de mangues, dunas, campos, lagos e um baixo terraço. A principal diferença entre os dois lugares é que Algodoal não sofre com a erosão costeira como São Luís, por conta de uma menor taxa de ocupação.

O doutor em Geociências pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e professor do Departamento de Oceanografia e Limnologia da UFMA, Leonardo Gonçalves, enumerou as principais semelhanças entre as duas ilhas. Confira:

Esporões arenosos, como a Ponta d’Areia; cordões litorâneos, como na praia de Carimã, na Raposa; dunas transgressivas, como na Raposa; delta de maré como em frente ao porto da Raposa; praias semi protegidas, como em Panaquatira; praias arenosas oceânicas, como toda a orla de São Luís (Calhau, São Marcos, Olho d’Água e Araçagi); extensos manguezais que se desenvolvem na retaguarda de barreiras costeiras e nas principais desembocaduras fluviais; extensas planícies lamosas nas áreas mais protegidas, como na baía de São José; terraços da formação de barreiras (terrenos mais elevados) no interior da ilha, como na área do Tirirical); e extensas praias macro-maré, com até 300 metros de face praial.

E aí? Você sabe qual é qual?

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