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Com a rotina agitada que a maioria da população tem, quase não sobra tempo para observar os vestígios que os séculos passados deixaram pelas ruas de São Luis. Durante um curto passeio pela capital do Maranhão é fácil encontrar monumentos históricos que narram o que poucos professores ensinam em salas de aula.

Foi pensando nisso que O Imparcial decidiu contar  um pouco sobre estátuas que estão espalhadas por lugares que com certeza você já passou ou passa diariamente mas nunca soube que momento de nossa história está retratado ali. Para nos explicar melhor essa história, conversamos com o professor do curso de História da UFMA, Marcus Baccega.

A Batalha de Guaxenduba

Comecemos pela estátua localizada na Avenida Jerônimo de Albuquerque que retrata a Batalha de Guaxenduba. Segundo o professor do departamento de História da Universidade Federal do Maranhão, Marcus Baccega, o monumento histórico da Jerônimo de Albuquerque mostra um importante momento vivido pelo estado no dia 19 de novembro de 1614.

Na escultura estão representados Jerônimo de Albuquerque e nossa senhora da Vitória. Foto: Honório Moreira

Marcus conta que a batalha teve papel significante para que a São Luís que hoje conhecemos fosse firmada. “Na Batalha de Guaxenduba, Portugal firma sua posse e soberania sobre a Ilha do Maranhão, expulsando os remanescentes franceses e edificando, a partir da vitória de 1615, sob o comando de Jerônimo de Albuquerque Maranhão, a futura cidade portuguesa de São Luís”, disse.

O professor conta que os franceses tinham como objetivo instalar a chamada França Equinocial em São Luís. “Vale destacar que os franceses haviam tentado estabelecer, então,  a chamada França Equinocial,  com a construção do Forte de Sao Luís, comandados por um nobre feudal, Senhor de La Ravardiere, Daniel de la Touche e pelo também nobre feudal francês François de Rasilly. O forte foi edificado em 8 de setembro de 1612, de acordo com a crônica ou corografia (não confundir com coreografia) do frade franciscano francês Claude d’Abbeville”, afirmou.

Duque de Caxias 

Diante da escadaria que dá acesso à praça principal do bairro do João Paulo, está a imponente estátua de Luiz Alves de Lima e Silva (o famoso Duque de Caxias) montado em seu cavalo.Marcus Baccega conta que Duque de Caxias foi um personagem ímpar para a política imperial repressiva dos concertos oligárquicos que ajudaram na estruturação do império do Brasil.

Na praça Duque de Caxias, no bairro do João Paulo, está a estátua do Duque de Caxias montado em seu cavalo. Foto: Honório Moreira

Baccega afirmou que Duque de Caxias teve fundamental participação nos principais combates travados no Maranhão. “Caxias foi um comandante de muito destaque e êxito militar-repressivo no teatro de combate que se deu por ocasião de diversas revoltas e insurreições populares no período regencial (1831-1840)”, disse.

O professor ressaltou eventos históricos nos quais Duque de Caxias atuou: “Como exemplo de combates de que participou, dizimando os adversários e impondo a estabilidade política monárquica e oligárquica, além da conhecida Guerra do Paraguai (1864-1870) e outros episódios de caráter popular, como a Cabanagem, na província do Grão-Pará (1835-1840), precisamos destacar a Balaiada, revolta eminentemente escravista ocorrida na então Província do Maranhão, entre 1838 e 1841”.

De acordo com o professor e historiador, a estátua foi colocada estrategicamente próximo ao batalhão do Exército visando corroborar o ideal de heroísmo dos soldados. “A presença da estátua, clássica forma de monumentalidade da memória que determinada formação social constrói para se auto representar no presente e no futuro, articulando determinada ideia e determinada leitura do passado, e da Praça Duque de Caxias tem o objetivo de constituir uma identidade ao Exército Brasileiro e sua relação heroicizada de redenção e apoio imprescindível à consolidação do Estado Nacional Brasileiro” disse.

Almirante de Tamandaré 

Com uma história que se entrelaça à de Duque de Caxias, Almirante Joaquim Marques Lisboa , o Almirante de Tamandaré como é conhecido, teve forte atuação nas operações fluviais e marinhas do período regencial maranhense. “Enquanto Caxias atuava nas operações de infantaria, cavalaria e artilharia terrestre, Tamandaré nas operações fluviais e marinhas, foram os oficiais militares responsáveis por dizimar os revoltosos” afirmou o professor Marcus.

Joaquim Alves, o Almirante de Tamandaré. Foto: Esaú Araújo

As batalhas travadas por Almirante Tamandaré coincidiram com as que Duque de Caxias esteve presente. Algumas delas foram: Guerra do Paraguai (1864-1870) e a Cabanagem (1835-1840). Tamandaré também marcou presença na Balaiada, uma revolta eminentemente escravista ocorrida na então Província do Maranhão, entre 1838 e 1841.

A exposição de estátuas como a de Almirante Tamandaré ou de Duque de Caxias em lugares públicos ressaltam o caráter ideológico marcante na sociedade brasileira. De acordo com o professor e historiador: “A estátua revela um fenômeno social e ideológico de construção da memória oficial da monarquia brasileira sobre os massacres, que enalteceu os líderes militares como heróis da Pátria” concluiu Marcus Baccega.