CANDIDATO À REELEIÇÃO

“Contas estão aprovadas”, diz atual presidente da OAB-MA, Thiago Diaz

O candidato à reeleição Thiago Diaz disse que suas contas foram aprovadas pelo Conselho Federal sem nenhuma ressalva

Os bastidores das eleições da Ordem dos Advogados do Brasil (Maranhão) foram agitados nos últimos dias. Troca de acusações, notícias desencontradas e muita especulação marcaram o final de outubro e início do mês de novembro. A eleição acontece logo mais, no dia 23 de novembro, mas a disputa segue em aberto com chapa de reeleição, oposição e vias auxiliares que esperam chegar no comando da Ordem no próximo triênio.

Para abrir o ciclo de entrevistas, o jornal O Imparcial conversou com o atual presidente da OAB-MA, o advogado Thiago Diaz. Eleito com a bandeira de renovação e transparência, Thiago Diaz tenta a reeleição, embora adversários o acusem de ter prometido não partir para um segundo mandato. “Nunca disse isso. Se mostrarem uma fala, um áudio ou um vídeo que eu fale isso, eu deixo de ser candidato. É só mostrar”, desafia o jovem advogado.

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Para Thiago, continuar à frente da Ordem é necessário para impedir que “empresários advogados” assumam os rumos da OAB-MA. “Eles tem um projeto de poder, eu tenho um projeto de OAB”, alfineta. Perguntado pela reportagem, Thiago Diaz vê com tranquilidade o abandono de antigos aliados. Mas estranha parte da debandada ter acontecido logo no início de sua gestão.

Nos últimos dias, notícias davam conta que as contas da gestão de Thiago Diaz não tinham sido aprovadas pelo Conselho Federal, na entrevista concedida ao jornal O Imparcial, Thiago garante que todas foram aprovadas pelo Conselho Federal.

Pregando a transparência na OAB-MA, a gestão de Thiago foi criticada ao longo dos três anos justamente nesse ponto. Oposição e blogs o acusam da transparência ter ficado apenas na campanha, mas para Thiago a acusação não passa da fake news. E assim começamos essa conversa.

Você foi eleito pregando mais transparência na Ordem. Seus adversários dizem que isso não passou de promessa. O que tem a dizer?

Primeiro quero te agradecer essa pergunta. É uma pergunta que eu gosto de responder. Segundo, dizer que a bandeira levantada em 2015 foi cumprida. E quero convidar todos os advogados, todas as advogadas e toda sociedade civil a entrar no site da OAB, abrir o Portal de Transparência e olhar todas as receitas que a OAB tem, de forma discriminada e todas as despesas que nós temos. O valor do repasse das subseções, o valor da folha de pagamento dos funcionários, o valor dos encargos trabalhistas, o que pagamos para o INSS. O valor dos contratos, tudo isso está em nosso Portal de Transparência.

Muito me surpreende essa acusação vir de onde ela vem. Vem de pessoas que até três anos atrás, quando assumi a Ordem, prestavam contas trimestralmente com meia folha de A4, era um balancete contábil. Essas pessoas dizem que não tenho transparência. Eu criei o Portal de Transparência, esse portal detalha despesas, detalha receitas. As licitações feitas pela OAB, todas foram feitas de maneira pública. Publicações em jornais de grande circulação, com concorrência sempre com mais de 10 empresas.

O Conselho Federal aprovou unanimemente nossas contas de 2016. O Conselho seccional aprovou com unanimidade as contas de 16 e 17. As dissidências de pessoas do Conselho de deixar de estar me apoiando. Nem essas pessoas tiveram a coragem de não aprovar de maneira unanime e tranquilidade e sem ressalvas as contas do ano de 2017.

A renovação da gestão da OAB também foi sua bandeira em 2015. Houve promessa de não reeleição em caso de vitória? Houve esse comprometimento com aliados?

Essa pergunta é muito boa. Eu nunca prometi isso. Já desafiei todos os outros concorrentes a apresentarem um texto, um vídeo ou um áudio meu dizendo isso, que eu não sou candidato a nenhum cargo na OAB. Seria muito fácil me tirar da eleição, é apresentar um texto, áudio e vídeo meu dizendo isso.

Essas pessoas inclusive já desmentiram isso em programas de televisão. Dizendo que efetivamente eu nunca tinha dito mas que algumas pessoas diziam. Os que nos falávamos é que devia ter alternância de poder. Ter alternância de poder não é você ser contra a reeleição. Quando fizemos a composição política o grupo “Ordem e Mudança” tinha eles essa bandeira. Tanto não era uma bandeira nossa que nós agregamos as nossas propostas em diversas propostas deles. Mas você não ver em nenhum material de campanha, essa proposta.

Mas era um sentimento do grupo?

Como disse em 2015, fizemos uma composição política com o grupo ‘Ordem e Mudança’. Boa parte dele continuou comigo na gestão. Meu presidente da Comissão jovens advogados era da ‘Ordem e Mudança’, Meu presidente da Procuradoria de Prerrogativas era da ‘Ordem e Mudança’, meu presidente da Comissão de Defesa da Educação era da ‘Ordem e Mudança’ e o presidente da Comissão de Direitos difusos coletivos era da ‘Ordem e Mudança.

Enfim, eu respeito conquanto não concorde algumas pessoas por interesses pessoais queriam ser candidatos ou indicar quem fosse candidato a presidência da OAB. Essas pessoas seguiram seus caminhos, ainda no segundo ano de gestão. O que demonstra que o compromisso não era com a advocacia, não era com o trabalhar pela classe. Era com eventuais candidaturas. Eles tinham projeto de poder enquanto eu tinha projeto de OAB.

Você faltou à posse do atual presidente do Tribunal de Justiça. Fora isso, a oposição questiona que a OAB se afastou dos ‘debates da sociedade’. O que tens a dizer?

A relação com o judiciário, temos uma relação muito boa. Tanto com o presidente José Joaquim, como o corregedor Marcelo de Carvalho, como a Justiça do Trabalho, com  a presidente Solange, com o corregedor Américo Bedê. Como tive com o presidente James, com o presidente Cleones e a corregedora Nildes.

Prova disso foram as várias conquistas que nós tivemos junto ao judiciário. Seja na expedição de alvarás em nome dos advogados, tanto na Justiça do Trabalho quanto na Justiça Estadual. Seja na recomendação da Justiça Estadual para que juiz do interior observasse a tabela de honorários dos advogados ativos. Seja em tantas e tantas ações que temos feitas em conjunto. Como por exemplo, o alvará eletrônico passará a funcionar a partir do próximo ano.

O fato de eu não ter estado na posse do presidente Tribunal e quiseram dizer disso uma crise, era uma Fake News. Eu estive no Tribunal no dia e passei mal pouquinho antes do inicio da sessão, tive uma crise de hipertensão e fui ao hospital. Então, foi apenas isso. A relação com o judiciário, pra dizer a verdade, nunca foi tão boa. É o que ouço do Poder Judiciário de maneira geral.

Em relação a sociedade. A OAB nunca foi tão participativa. Os que criticam e dizem que a OAB não participa dos debates são aqueles que entendem que OAB deveria ter posicionamento político-partidário. E isso realmente a Ordem de hoje não tem. A Ordem de hoje debate Direitos Humanos como nunca debateu. Nós lançamos agora o Observatório de Intolerância política. Nós, por exemplo, fomos a única OAB do Brasil que no episódio do ano passado. Nas ocupações das escolas, foi a única OAB que intermediou uma interlocução entre os estudantes e os direitos e reitores de universidades. E foi o local em que você não viu tanta depredação. Você não viu violência na saída dos estudantes. A Comissão de Política Criminal e Penitenciária, que não existia. Eu que criei. E conseguimos uma sala da Ordem dentro do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, o que era impensável.Eles dizem que querem uma OAB forte, mas eles acham que uma OAB forte é uma OAB dos empresários da advocacia, dos advogados renomados, é uma OAB vinculada a questão político-partidária. Essa OAB, eu realmente não quero.

Por que um segundo mandato? O que a gestão de Thiago Diaz tem a oferecer em um segundo mandato?

Ampliar ainda mais a participação da advocacia na OAB. Com orçamento participativo, aprofundar e aprimorar ainda mais a defesa das prerrogativas com a estrutura que nós estamos construindo na reforma para o sistema de prerrogativas. Criar a Universidade Coorporativa da ESA e criar o local para cursos tele presenciais a serem feitos e realizados pela nossa Escola Superior de Advocacia. Ampliar e lutar ainda mais pelo piso salarial da advocacia. Fortalecer ainda mais as políticas voltadas para a jovem advocacia e a mulher advogada. Fazer com que Subseção tenha sede, fazer com que cada Comarca e cada Fórum do interior tenha a sala da advocacia, fazer com que os advogados e as advogadas do Maranhão entendam cada vez mais, que a OAB é a casa de todos mas é especialmente a casa de cada um deles.

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