PREJUÍZO NA EDUCAÇÃO

60% das crianças não tem acesso à internet

A ONG Visão Mundial lançou a pesquisa “A Voz dos Alunos”, com crianças em nove estados e 15 municípios, dentre eles, São Luís.

Foto: reprodução

Segundo dados do último censo escolar, produzidos pelo INEP, desde março de 2020, cerca de 48 milhões de estudantes deixaram de frequentar as atividades presenciais nas mais de 180 mil escolas de ensino básico espalhadas pelo Brasil como forma de prevenção à propagação do coronavírus. Muitos municípios não possuem estrutura de tecnologia para oferta de ensino remoto e nem todos os professores têm a formação adequada para dar aulas virtuais.

 A ONG Visão Mundial, organização humanitária de proteção à infância, em parceria com a Campanha Nacional Pela Educação, lançou a pesquisa A Voz dos Alunos, realizada entre março e abril deste ano, com crianças de 7 a 11 anos, de comunidades vulneráveis e matriculadas na rede pública de ensino, em nove estados e 15 municípios, dentre eles, São Luís. As demais cidades pesquisadas foram: Anori (AM), Boa Vista (RR), Camaçari (BA), Caraúbas (RN), Contagem (MG), Fortaleza (CE), Jaboatão dos Guararapes (PE), Manacapuru (AM), Manaus (AM), Nova Iguaçu (RJ), Olinda (PE), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA).

“Diante de toda essa crise imposta pela pandemia, as crianças ainda não haviam sido ouvidas, apesar de serem prejudicadas de distintas formas. A participação dessas crianças é de suma importância no processo de retomada das aberturas das escolas. É preciso escutá-las e entender quais foram as ferramentas encontradas por elas para superarem esse momento, como se sentem longe da escola e como seu tempo é ocupado durante esse período. Escutá-las nos dará uma dimensão sobre o impacto da pandemia e ajudará os governos a elaborarem as estratégias necessárias para apoiá-las”, ressalta o coordenador de Advocacy da Visão Mundial, Reginaldo Silva. 

A pesquisa ouviu 688 crianças e apontou que, com relação às dificuldades enfrentadas por elas durante a pandemia, cerca de 58% relataram que têm dificuldade de acessar à internet para poder assistir às aulas e 34% apontam que enfrentam problemas com relação a materiais escolares.

Com relação ao retorno às aulas presenciais, 45% das crianças declararam ter preocupações com aspectos como contaminação pelo coronavírus e não conseguir acompanhar os conteúdos. 

O ambiente destas crianças também foi aferido: 11% delas apontaram que sentiram fome muitas vezes e 8% responderam conviver com conflitos familiares, que prejudicam os estudos, com maior incidência desta problemática entre crianças negras.

“Que a situação das crianças que usufruem do ensino público era ainda mais grave devido à pandemia, nós já sabíamos. Porém, os dados mostram que é um percentual muito grande de alunos que estão sendo vastamente prejudicados pela falta de infraestrutura para poder estudar. O isolamento social acentuou ainda mais a desigualdade educacional entre crianças do ensino público e privado”, explica Reginaldo.

Dentre as crianças ouvidas, cerca de 60% relataram que necessitam do apoio da escola para proteção pessoal contra uma possível contaminação com o vírus e necessitam de materiais escolares para uso diário. Do total, apenas 40% declararam adotar as quatro medidas de prevenção citadas na pesquisa (aplicação de distanciamento social, uso de máscara, utilização de álcool gel e utilização de produtos de limpeza).

Outras 28% declararam adotar apenas uma das medidas de prevenção, a utilização de máscaras. A análise dos dados gerais apontam o baixo acesso, por parte das famílias, a produtos de limpeza e higiene em todas as cidades.

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