DENÚNCIA

Professor da UFMA é afastado após denúncias de assédio

“A gente ia pra escola com medo e nos dias de aula dele era pânico. Passar por ele no corredor era tortura”.  É um dos relatos de uma ex-aluna do professor.

Na última segunda-feira, 18, circulou nas redes sociais um movimento organizado por estudantes questionando a permanência do professor e advogado Franciscarlos Veras Cardoso no Colégio Universitário, COLUN. O professor em questão tem um processo administrativo correndo da Universidade Federal do Maranhão, UFMA, que já conta com mais de 10 vítimas.

Os alunos cobram uma providência por parte da Univerisdade e o assunto foi pautado nas redes sociais com hashtags como #CadêTuaVozUfma e #ColégioNãoÉLugarDeAssédio e vários relatos denunciando assédio sexual vieram à tona. Entre eles, uma estudante declara:

“A gente ia pra escola com medo e nos dias de aula dele era pânico. Passar por ele no corredor era tortura”.

Movimentação organizada dos alunos nas redes sociais.

Procuradas pelo Jornal, algumas vítimas concordaram em contar mais sobre seus relatos de forma anônima:

“Fui aluna dele em 2017, no começo ele era normal, mas aí teve um dia que eu tava passando batom antes da aula e ele entrou na sala, depois veio me dizer que na aula dele eu podia passar batom quantas vezes quisesse que ele gostava. Na época ele fez um grupo com todos os alunos dele no Whatsapp, lá ele começou a fazer debates políticos, afirmando que quem acertasse, ganharia um ponto, mas só a opinião dele que tava correta. Eu não tinha a mesma opinião que ele e fui removida do grupo, assim como um amigo meu que acabou discutindo com ele e o chamando de ditador, nisso ele foi ameaçado a não poder mais assistir a aula do professor se não fosse desculpar em todas as salas.

Mesmo me removendo do grupo, ele continuava falando comigo no privado. Mandava várias mensagens me chamando pra sair, ir na praia, me oferecia aulas particulares em casa e eu sempre negando tudo. Uma vez, eu estava em aula e ele mandou uma mensagem pra ir na sala de xadrez, dizendo que tava sozinho lá, eu não fui. Mas ele continuava, sentava do meu lado na aula e falava no meu ouvido que eu era linda. Chegou até a esperar a aula terminar, me puxou pelo braço e disse para eu ir pra casa com ele, no carro dele. Fiquei apavorada”

No ano de 2017, os alunos das turmas dessas garotas se uniram para não fazer a prova e nem assistir mais nenhuma aula de Franciscarlos, nos relatos contaram ainda que ficaram todos estudantes escondidos dele para que quando ele chegasse pra aplicar a prova, não encontrar ninguém. Na mesma época, denúncias foram feitas na direção da escola, inclusive com a participação dos pais que estavam preocupados com a situação. Diante das provas apresentadas, o processo administrativo começou. Algumas vítimas ainda foram nas delegacias especializadas prestar boletim de ocorrência.

A seguir, confira relatos EXCLUSIVOS do Jornal Imparcial de outra ex-aluna.

Foto: Reprodução

O Imparcial foi até o Colégio Universitário em busca de mais esclarecimentos e falou com o professor José Alberto Pestana, Coordenador da Educação Profissional. Ele informou que, em primeiro momento, quando o processo estava em andamento, no ano de 2018, a medida tomada foi de afastar o professor Franciscarlos Veras Cardoso até que a Universidade Federal do Maranhão, UFMA, resolvesse o processo administrativo.

Contudo, o processo ficou em andamento e, de acordo com o professor José Alberto: “A UFMA não disse nada, o professor ficou sem dar aula, recebendo salário e nós aqui professores nos viramos, mesmo com uma carga horária alta pra dividir entre a gente, demos um jeito.”

Acontece que, com o início do ano letivo de 2019 sem nenhuma decisão determinada pela Universidade, o professor foi reintegrado pela equipe e voltou para as atividades escolares normalmente.

“Como algumas meninas que denunciaram ainda estão na escola, tivemos o cuidado de não colocar o professor para dar aula nessas turmas, mas ter que encontrar ele nos corredores depois de uma situação dessas gerou incômodo e aí eles se organizaram, foram para redes sociais.”

Procurada pelo O Imparcial, a assessoria de comunicação da UFMA se posicionou sobre o caso e emitiu em nota:

“Diante da denúncia de assédio que circula em mídias sociais, envolvendo um docente e estudantes, a Reitoria da Universidade Federal do Maranhão informa que as providências legais cabíveis no âmbito da instituição já foram tomadas, em atenção aos trâmites previstos para ocorrências dessa natureza.

A denúncia, portanto, já está sendo devidamente averiguada por meio do Processo Administrativo Disciplinar,

Resolução do Gabinete da Reitoria sobre o caso apurado.

e o professor, afastado, com o escopo de garantir a efetividade das investigações.

Reforçando seu compromisso com a verdade e a justiça, a UFMA reitera que repudia veementemente qualquer prática de assédio e que considera essa prática inadmissível em quaisquer circunstâncias e locais.”

Ainda em nota, o coletivo de alunos e ex-alunos do Colégio Universitário, se manifestaram para esclarecer como a situação está sendo conduzida e exigir posicionamento.

“Nós acreditamos que a EDUCAÇÃO seja o único caminho para transformarmos o mundo no qual estamos inseridos e, por essa razão, quaisquer tipos de violência, intolerância, opressão e tirania NÃO SERÃO TOLERADOS! (…) Através desta, também exigimos um posicionamento do Colégio Universitário, pois foi dentro desta instituição que um dia aprendemos a ser questionadores.”

O Jornal Imparcial tentou ainda contato com o professor Franciscarlos, mas não obteve sucesso.

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