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ECONOMIA

Aumenta a taxa de juros de referência no Brasil a 3,5% devido ao aumento dos preços

Frequentemente, os bancos fazem empréstimos entre eles para equilibrar suas contas, mas esses empréstimos não são gratuitos.

Reprodução

Frequentemente, os bancos fazem empréstimos entre eles para equilibrar suas contas, mas esses empréstimos não são gratuitos. Assim como os empréstimos realizados entre as pessoas (físicas e jurídicas) e as instituições financeiras, ao devolver o capital deve pagar os interesses.

Nessa situação, o interesse é a taxa Selic, ou como também se chama Taxa Básica de Juros da Economia. Tem esse nome porque é usada como referência para calcular o custo de cada operação de crédito que a instituição financeira realiza, além de considerar o perfil do cliente e o risco de inadimplência.

Oito vezes por ano o Comitê de Política Monetária (Copom), órgão do Banco Central, se reúne para analisar a economia do país e, entre outras decisões, determinar o valor da Taxa Selic, que é uma ferramenta usada para controlar a inflação.

Então, considerando a situação atual e o aumento no preço dos alimentos, dos combustíveis e da energia, no dia 5 de maio o Copom decidiu aumentar em 0,75 ponto percentual a taxa de juros de referência, isto é, a Taxa Selic que estava em 2,75% ao ano passou a estar em 3,5% a.a.

Para alguns isto é positivo, por exemplo quem tem conta poupança passa a ter um rendimento levemente maior. Apesar disso, para quem está precisando de um empréstimo, quer financiar a compra de um imóvel ou um veículo ou quer fazer compras no cartão, esse aumento irá impactar na operação, gerando um pequeno aumento nos custos finais.

A vantagem do aumento da taxa Selic

Apesar da caderneta de poupança ter um rendimento acumulado de -4,16% nos últimos 12 meses e que ainda está por baixo da inflação, que em abril acumulou 6,17% nos últimos doze meses, esse aumento da taxa de juros de referência implica um aumento nos rendimentos das aplicações. Antes do aumento a poupança rendia 0,16% ao mês e de 1,93% ao ano, agora, depois da decisão do Copom, rende 0,20% ao mês e 2,45% ao ano.

Isto significa que se uma pessoa tem uma aplicação de R$ 10.000 terá um rendimento de R$ 245 em um prazo de 12 meses, isto é R$ 10.245 ou 2,45% ao ano. Sem esse aumento o ganho era apenas de R$ 193. Para quem tem a chamada “poupança velha” o novo rendimento para a mesma aplicação é de 6,17% ao ano, isto é R$ 617 depois dos 12 meses.

As desvantagens do aumento da taxa de juros de referência

Como já foi dito acima, um dos objetivos do aumento da Taxa Selic é controlar a inflação. Isto porque fica mais caro emprestar dinheiro e como consequência as pessoas, ao ter menos recursos, gastam menos, com menos compras os preços podem ser reduzidos e a inflação diminui.

Neste sentido, quem está precisando de dinheiro, seja para comprar uma casa, trocar o carro ou investir no seu negócio vai precisar prestar mais atenção nas propostas de cada instituição financeira e usar um bom simulador de empréstimos pessoais e outras operações para poder o crédito mais conveniente.

Com este aumento da taxa de juros de referência o juros médio das operações de crédito para pessoas físicas que estava em 95,34% passará a ser de 96,67% ao ano, no caso de pessoa jurídica a taxa média, que até abril era de 42,85%, passará a ser de 43,85% ao ano, segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

A própria Anefac considera que este aumento gera um impacto pequeno no bolso do cliente, especialmente no caso de operações de crédito de longo prazo, isto pela diferença que existe entre a taxa básica e os juros efetivos de prazo mais longo, o que dilui o efeito na ponta final.

Como “impacto pequeno” é uma avaliação relativa, a Anefac realizou algumas simulações que permitem evidenciar esse impacto em diversas operações financeiras. Por exemplo, para financiar um eletrodoméstico em 12 meses, como uma geladeira que custa R$ 1500, o cliente terá que pagar R$ 6,82 a mais em cada uma das parcelas. Na compra de um veículo básico de R$ 40.000 em 5 anos (60 parcelas) o acréscimo será de R$ 15,56 em cada parcela, que soma R$933,50 no final da operação.

Entrar no Cheque Especial, que é uma das operações com maiores juros, custará R$ 0,40 a mais por dia em uma operação de R$ 1.000 por 20 dias. Não pagar o total da fatura do cartão de crédito e utilizar o Rotativo do Cartão por R$ 3.000 por 30 dias, o cliente terá que pagar R$ 1,80 a mais.

Um empréstimo pessoal de um ano no valor de R$ 5.000 terá um acréscimo de R$ 21,79 em caso de ser contratado em um banco e de R$ 14,25 se for contratado em uma financeira. Se o cliente solicitar um empréstimo de capital de giro para sua empresa de R$ 50.000 para pagar em 3 meses terá um acréscimo de R$92,06, se optar pelo desconto de duplicatas de R$ 20.000 no mesmo período o aumento é de R$36,95, e apenas R$ 4 pelo uso da conta garantida em 20 dias e por R$ 10.000. Tudo isto significa que, com este aumento da Taxa Selic, o brasileiro terá que desembolsar mais dinheiro para comprar um bem ou atingir suas metas se precisa contratar empréstimos ou parcelar com um cartão de crédito. É preciso colocar os números no papel e fazer muito bem as contas, ainda mais se considerarmos que o mercado financeiro prevê que para o final deste ano a Taxa Selic seja de 5,04% e para final do ano 2022 que esteja entre 6,13% e 6,25% ao ano, e isto pressupõe novos aumentos no custo das operações de crédito.

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