ECONOMIA

Carne de porco vira opção para fugir da alta do preço da carne bovina

Além do suíno, as aves, como o frango, passaram a ser mais procuradas por quem deseja escapar do alto preço da carne de boi

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Com a alta nos preços da carne bovina, o consumidor resolveu se render à carne de suínos, produto que sofre muita discriminação, visto que, por muitos, é considerada nociva à saúde humana, o que, no entanto, não existe comprovação. Também as aves, como o frango, passaram a ser mais procuradas, por quem deseja escapar do alto preço da carne de boi, que tem maior preferência entre os consumidores.

Alguns açougueiros que trabalham com a carne bovina atribuem o aumento do produto ao período natalino, quando a carne disputa lugar de destaque com o peru, nas ceias das famílias. Outros, culpam o processo de exportação da carne para a China, o que teria ocasionado a redução da oferta nos mercados e feiras. Porém, passado o período das festas de fim de ano, o mercado já está se acomodando e os preços da carne bovina, que provocou o efeito dominó com as demais carnes, como a suína e o frango que sofreram aumento de vinte por cento. A bovina chegou a trinta por cento.

O magarefe Máximo Costa que há 20 anos trabalha com carne bovina no Mercado Municipal do João Paulo, disse que, com a escassez do produto, os preços aumentaram e as vendas caíram, com as pessoas optando por outras carnes. “ Cuidaram de exportar a carne bovina para a China, sem se preocupar com o abastecimento do mercado interno, e isso quase causa um colapso. Isto só não aconteceu, porque o Maranhão é um grande produtor e o abastecimento foi garantido, sem que o governo tivesse que intervir. Prevaleceu o processo da oferta e da procura”, afirmou Máximo.

A mesma avaliação foi feita por José Raimundo Azevedo, açougueiro há 40 anos. Ele disse que com o anúncio de que a carne bovina do Maranhão seria exportada para a China, os preços dispararam por mera especulação e que com os preços majorados, o consumidor se afastou e sobrou carne nos açougues. “ Com isso, os preços já começaram a baixar e a tendência é que em breve o mercado venha logo se acomodar”, profetizou.

Expedito Cutrim, que há 40 anos, trabalha com carne de porco no Mercado do João Paulo, disse que o mercado da carne suína está muito bom, e com o aumento no preço da carne bovina, ficou ainda melhor, porém por muito pouco tempo, visto que os fornecedores, observando o aumento da procura, também trataram de majorar os preços. “ Com isso, estamos vendendo ao consumidor a preços que oscilam entre 15 e 18 reais, visto que recebemos do fornecedor a 13 e 14 reais, com isso estamos trabalhando com o lucro reduzido insuficiente para cobrir as despesas com imposto, locação do boxe e embalagens. Estamos no vermelho”, disse.

Para Manoel da Conceição, revendedor de frangos, houve uma verdadeira revolução no mercado, com o aumento da carne bovina. “Isto motivou outros aumentos, como da carne de porco e do frango, que foi majorada em 20 por cento. Estes dois produtos eram a opção para quem queria fugir dos preços altos do boi”, asseverou. Mas, Manoel da Conceição acredita que a tendência é que os preços baixem novamente. Ele avalia que, passada a euforia do momento, o mercado tende a se acomodar com a redução dos preços.

Carne de porco é vilã para a saúde humana?

A carne de porco tem participado cada vez mais da mesa dos brasileiros, apesar de ter fama de fazer mal para o organismo. No entanto, dependendo do corte, a carne dos suínos pode ser uma ótima fonte de nutrientes e até considerada uma opção magra, ao lado dos já consagrados frangos e peixes.

O porco se destaca como uma carne versátil. Seu sabor vai bem com opções de acompanhamentos variados, incluindo molhos doces como os à base de frutas. Por ser rica em proteínas, é capaz de garantir uma ótima saúde muscular, incluindo o coração, pois ajuda a controlar o colesterol e a pressão arterial. Sem contar a questão energética, com vitaminas (principalmente B1 e B3), aliadas a outros minerais que também favorecem o rendimento durante a prática de exercícios.

Consta que a carne suína possui também vitaminas A e B, selênio, zinco e ferro. Esses elementos ajudam no desenvolvimento infantil em diversos âmbitos: cognitivo, psicomotor, estrutural e até do sistema imunológico. Se comparada às demais carnes, ela tem um teor de sódio menor e maior quantidade de potássio, o que contribui para a prevenção da hipertensão.

Além disso, também garante de 10% a 22,5% da quantidade de ferro ideal para o consumo diário, evitando a anemia. O selênio age como um micronutriente que protege o organismo do envelhecimento precoce. Por isso, seu consumo contribui também com benefícios a longo prazo, como uma terceira idade mais ativa. A maioria dos seus cortes são magros e sua gordura pode ser facilmente separada da carne.

O açougueiro Expedito Cutrim, disse que 90 por cento da carne de porco comercializada no Mercado do João Paulo é de boa procedência, inspecionada e certificada pelas autoridades sanitárias. “ São de animais criados em cativeiro, com alimentação balanceada e em locais apropriados, com higiene absoluta”, garante.

Criatividade no comércio para manter clientes

A alta nos preços da carne bovina teve reflexo no comércio da comida pronta, e os comerciantes tiveram de usar da criatividade para não transferir para o consumidor os preços, visto que, assim,  fatalmente, perderiam clientes. Paulo Henrique Carvalho Filho, gerente do Restaurante Paladar (Rua do Sol/Deodoro) disse que teve que apelar para outras alternativas.

Dessa forma,  cuidou de substituir as carnes mais nobres por outras e mudando o foco para o frango, que tem custos mais baixos, inovando, mas mantendo os preços com o mesmo cardápio saboroso.

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