FEIRA LITERÁRIA

Com Graça Aranha como patrono, 12ª FeliS começa na sexta

José Pereira da Graça Aranha nasceu em 21 de junho de 1868 em São Luís. Sua família era abastada e, portanto, desde cedo teve uma boa educação.

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Autores maranhenses são os grandes homenageados este ano na 12ª edição da Feira do Livro de São Luís (FeliS), que traz como patrono o maranhense Graça Aranha e homenageia dois matemáticos locais que alcançaram renome nacional, Joaquim Gomes de Souza e João Antonio Coqueiro, valorizando desta forma a prata da casa. O evento é promovido pela secretarias municipais de Cultura (Secult) e Educação (Semed), com correalização do Serviço Social do Comércio (Sesc) e Serviço de Apoio às Micros e Pequenas Empresas do Maranhão (Sebrae). A 12ª FeliS será aberta nesta sexta-feira (16), às 19h, e segue até o dia 25 de novembro, no Multicenter Sebrae, com programação das 10h às 22h.

José Pereira da Graça Aranha nasceu em 21 de junho de 1868 em São Luís. Sua família era abastada e, portanto, desde cedo teve uma boa educação. Estudou Direito na Faculdade do Recife, formando-se em 1886. Trabalhou como juiz no Rio de Janeiro e no Espírito Santo. Neste último estado, ele escreveu sua obra mais importante “Canaã”, romance regionalista que aborda a migração alemã no Espírito Santo e traz temas como o racismo e o preconceito.

O autor viajou para vários países da Europa (Inglaterra, Itália, Suíça, Noruega, Dinamarca, França e Holanda) exercendo o cargo de diplomata. Essas viagens foram essenciais para que ele aderisse ao movimento modernista que despontava no Brasil. Isso porque teve contato com as vanguardas europeias e a arte moderna. Um dos organizadores da Semana de Arte Moderna, Graça Aranha renovou a literatura e a cultura brasileira, repensando identidades e a busca por referências estéticas que fossem próprias do Brasil. Realizou a conferência de abertura do movimento cultural realizado no Teatro Municipal de São Paulo, em 1922, intitulada: “A emoção estética na arte moderna”.

Graça Aranha foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras (ABL) e, além do romance “Canaã” (1902), também é autor de “Malazarte” (1914), “A Estética da Vida” (1921), “Correspondência de Machado de Assis e Joaquim Nabuco” (1923), “Espírito Moderno” (1925), “A Viagem Maravilhosa” (1929), “O Meu Próprio Romance” (1931) e “O Manifesto dos Mundos Sociais” (1935). Em 2018, o autor completaria 150 anos de nascimento.

“A educação é um caminho para nos fazer compreender melhor a nós mesmos, aos outros e o ambiente que nos cerca. A 12ª FeliS vem somar às outras ações, programas e projetos realizados para fomentar o aprendizado que vêm sendo colocado em prática pela gestão do prefeito Edivaldo, estimulando a leitura e a cadeia produtiva do livro, além de colocar em evidência nomes maranhenses que são destaque na literatura e em outras áreas. Devemos sim valorizar o que é nosso, as obras de Graça Aranha, o trabalho dos matemáticos e outros nomes de destaque que nasceram entre nós”, destaca o secretário de Cultura de São Luís, Marlon Botão.

Além do patrono, a FeliS irá prestar homenagens especiais aos, também maranhenses, Joaquim Gomes de Souza, o Souzinha e, João Antonio Coqueiro, o Coqueiro, ambos matemáticos de destaque nacional.

Souzinha foi o primeiro Doutor em Matemática do Brasil, amplamente conhecido em países da Europa. Ele nasceu em Itapecuru-Mirim, em 15 de fevereiro de 1829. Firmou-se definitivamente no campo científico com a aprovação de sua tese (“Sobre o Modo de Indicar os Novos Astros sem Auxílio de Observações Diretas”), motivado pela descoberta de Netuno, dois anos antes, por Leverrier. Publicou as obras “Miscelânea de Cálculo Integral e a Antologia Universal – Escolha das Melhores Poesias de Diversas Nações nas Línguas Originais”. Em 2018, ele é homenageado na programação do Biênio da Matemática.

Já Coqueiro, oriundo de família humilde, se tornou doutor em Ciências Físicas e Matemáticas e também escritor de livros de matemática e poesias. Foi professor em várias instituições no Brasil e na Europa, além de contribuir na fundação de escolas em São Luís.

Consolidada como o maior evento cultural e de fomento à leitura do Estado do Maranhão, a Feira do Livro de São Luís (FeliS), foi criada pela Lei Municipal nº 4.449, em 2005, tendo como conceito “Mirantes de São Luís: a leitura de mundo”, foi concebida com o objetivo de fomentar a tradição literária e cultural da capital maranhense, propiciar o maior acesso ao livro, estimular a formação de novos leitores e incentivar as cadeias produtivas e criativas em torno do livro e da mediação da leitura.

Este ano, a 12ª FeliS tem como tema “A Brasilidade na Cultura Contemporânea”. É esperado em torno de 150 mil visitantes, entre turistas e moradores locais, alcançando um volume de venda de livros em média de 2 milhões de reais. O evento envolve mais de 10 mil alunos da rede pública estadual e municipal e a participação de caravanas espontâneas de 14 municípios do estado.

A programação conta com lançamentos de livros, palestras, rodas de conversa, mesa redonda e conferências, seminários, plenárias, sessões de cinema, bate-papo literário, workshop, oficinas e minicursos, intervenções artísticas, espetáculos teatrais, performances poéticas, contações de histórias, apresentações culturais, exposições e pocket shows.

A 12ª FeliS contará com a participação de 22 escritores nacionais: Fabrício Carpinejar (RJ); Geovani Martins (RJ); Lúcia Fidalgo (RJ); Roseana Murray (RJ); Eduardo Jardim (RJ); Ramon Nunes De Melo (RJ); Mary Del Priore (SP); Gaspar Záfrica Brasil (SP); Solange Muglia Wechsler (SP); Bruna Cândido (SP), Mário Rodrigues (PE); André Neves (PE); Alexandre Santos (PE), José Renato Ribeiro (PE), Luiz Percival Leme Britto (PA); Ivan Abreu Mendes (PA), Cacique Zeca (PA), Edgar Diniz (PB); Fernando Granato (PR); Wanda Machado (BA), Eduardo Ribeiro (BA) e Cátia Lindermann (PR).

Uma das novidades deste ano é o Punga dos Saberes, auditório que terá programação com temas relacionados à cultura popular. O tradicional Café Literário receberá poetas, escritores, acadêmicos e intelectuais. No Cine FeliS serão exibidos curtas infantis e documentários. Já a Casa do Escritor é onde serão lançados cerca de seis livros por dia. A Casa do professor terá atividades voltadas para formação do educador. O Espaço da Juventude receberá programação diária com foco no público jovem. Na área de exposições, a Feira traz o melhor do artesanato local. Além disso, um Espaço de Alimentação com mais de 50 opções de Food Trucks.

O universo literário da 12ª Feira do Livro de São Luís terá mais de 500 atividades gratuitas em 10 dias de programação, que contemplará todas as idades. A programação completa e outras informações podem ser conferidas no endereço www.feiradolivrodesaoluis.com.br.

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