AMOR PELA DANÇA

Referência no MA, Arianna Lopes trocou o emprego fixo pela dança

A bailarina criou sua companhia de dança em 2010, em São Luís, com apenas oito alunas. Hoje o número passa de 60, com turmas todos os dias da semana

Foi em busca da felicidade e realização pessoal que Arianna Lopes trocou o emprego, em uma das maiores empresas do país, pela dança. Hoje, seu trabalho é reconhecido além dos limites do Maranhão, sendo sua Companhia de Dança referência quando o assunto é cultura árabe.

“A sociedade impõe que a gente tem que ter a profissão dos sonhos, ser formada certinha, ter um emprego com carteira assinada, mas não incentiva a ser feliz”.

Aos 33 anos, Arianna Lopes relembra sua trajetória na dança, os medos e preconceitos que enfrentou e como tem ajudado outras mulheres a buscarem a auto realização.

Arquivo Pessoal

“Ouvi muita gente dizendo que a dança não me daria estabilidade. Mas quando gostamos do que fazemos e nos dedicamos, temos retorno. Falam em dinheiro, em salário, mas não dou aula de graça, não. A gente tem que ter coragem de fazer aquilo que quer. É muito difícil fazer o que não gostamos só pelo dinheiro”.

Arianna nunca sonhou em ser uma grande bailarina, mas em 2005 surgiu a oportunidade de participar de sua primeira aula de dança do ventre. Cinco anos depois, com o fim da turma da qual era aluna e auxiliar da professora, veio a oportunidade de criar sua própria turma.

“Como ajudava muito as outras alunas, elas me deram força para criar minha própria companhia. Mas não queria isso, tinha medo. Nunca fui a melhor, não achava que tinha o dom para dançar. Eu era aquela que não entendia os passos na aula e que chegava em casa treinava”.

Com medo mesmo, Arianna Lopes criou a companhia, que recebeu seu nome por sugestão das alunas. Durante um ano ela se dedicou exclusivamente às aulas, parando quando teve sua filha.

“Seis meses depois de ter meu bebê, fui convidada a voltar a trabalhar na Vale. Fui, mas continuei a dar aula somente aos sábados. Mas quando fiz isso, não me senti realizada. Olhava para o escritório e pensava ‘o que estou fazendo aqui?’. Me permiti ficar nesta situação até o dia que meu chefe disse que eu teria que escolher entre meu trabalho e a dança. Foi quando percebi que ali não era meu lugar”.

Foram muitas viagens, cursos e participações em festivais internacionais, até o recebimento da certificação. Como não há uma formação, como acontece com o balé clássico, as danças árabes demandam muito estudo e pesquisas pessoais.

“As pessoas veem a dança do ventre como vulgar, como algo que se faz para ‘conquistar’. Já aconteceu casos em apresentação de esposas taparem os olhos do marido. Gente, é uma dança milenar, uma arte”.

Arianna conta que muitas mulheres procuram a dança como um socorro. Em uma vida corrida, as aulas se tornam o momento delas.

“Muito além dos benefícios físicos, a dança tem ajudado muitas mulheres a se redescobrirem como mulheres e a se olharem como tal. É comum que elas se deixem em segundo plano diante do casamento, dos filhos, do trabalho. Converso muito sobre isso, porque aqui somos uma família”.

Entre os pontos principais levantado pela professora está o respeito pelo corpo.

“As pessoas precisam se aceitar, não ter vergonha do próprio corpo, assim como entender que cada um tem seus próprios limites. Se eu consegui, que demorava até dois anos para aprender um movimento, por que você também não pode? O importante é ter coragem e se dedicar ao que gosta”, finaliza Arianna Lopes.

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