LÍDER QUILOMBOLA

Ministério dos Direitos Humanos lamenta morte de maranhense

Maria de Jesus Bringelo, conhecida como Dona Dijé, morreu aos 70 anos vítima de infarto fulminante, no Quilombo de Monte Alegre, no Maranhão.

Dona Dijé era engajada na luta social e por igualdade de raça e gênero. (Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados)

O Ministério dos Direitos Humanos, por meio da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, manifestou nota de pesar pela morte de uma das principais lideranças quilombolas do Brasil. Maria de Jesus Bringelo, conhecida como Dona Dijé, morreu na madrugada dessa sexta-feira (14), aos 70 anos, vítima de infarto fulminante.

Ela estava em Brasília e foi empossada oficialmente como conselheira dos povos e comunidades tradicionais. Depois do evento Dona Dijé passou mal e pediu para voltar ao Quilombo de Monte Alegre, em São Luiz Gonzaga, onde sofreu o infarto.

A líder quilombola foi uma das fundadoras do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, formado por mulheres extrativistas do Maranhão, Tocantins, Pará e Piauí. Era também integrante do Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, criado há dois anos, mas só agora em funcionamento.

Givânia Silva, da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), falou ao Jornal do Brasil que Dona Dijé sofria ameaças por conta da sua luta em defesa dos territórios tradicionais. “Considero que a morte dela não foi uma morte que alguém tenha atirado nela, mas a própria pressão e tristeza de ter lutado tanto localmente e nacionalmente e de hoje ver os fazendeiros de novo com possibilidade de retomar o território, comprando lotes das pessoas. Essa era uma questão que ela sofria muito”, afirmou.

Leia a nota do Ministério:

O Ministério dos Direitos Humanos, por meio da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), lamenta profundamente o falecimento da liderança quilombola Maria de Jesus Bringelo, a dona Dijé, e manifesta solidariedade aos familiares. Ela honrou o Conselho Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais e deixará seu exemplo de luta social e por igualdade de raça e gênero.

Mulher negra, quilombola, fundadora do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu — grupo formado por mulheres extrativistas do Maranhão, Tocantins, Pará e Piauí —, partiu na noite desta quinta-feira (13), vítima de infarto fulminante, nos deixando muitas lições de amor, trabalho, militância e humanidade.

“A gente sonhou tanto tempo com este momento e hoje agradeço por estar acordada vivendo este grande dia”, disse Dona Dijé, emocionada, na ocasião da posse.

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