HISTÓRIA

A história dos saudosos bondes de São Luís

Em comemoração aos 406 anos de São Luís, O Imparcial fez uma pesquisa sobre como funcionou o sistema de transporte de passageiros de São Luís por meio de bondes que deixaram de circular no ano de 1966

Reprodução

São Luís, que comemorou ontem seus 406 anos, assim como as grandes cidades históricas do mundo, teve um sistema de transporte que contou com a presença dos charmosos bondes. No dia 1º de setembro de 1872, há quase exatos 146 anos, no Largo do Palácio, que seria conhecido mais tarde como a Avenida Maranhense, hoje Pedro
II, foi inaugurada a primeira rota de bondes da cidade movidos à tração animal.

Foi a primeira ferrovia na província do Maranhão e uma das primeiras de rua do Brasil. Depois vieram as linhas do Largo dos Remédios, da Rua Grande e uma terceira que ia do Largo do Palácio ao Cemitério do Gavião, no Caminho do Gavião. Por fim, uma linha suburbana de 11 km, que percorria da Rua Grande até o final do Cutim Anil, foi inaugurada em 5 de abril de 1873.

A informação sobre este sistema de transporte, que durante muito tempo fez parte do cotidiano de muitos  maranhenses e que desapareceu com a presença dos veículos motorizados como carros e motocicletas, está registrada no texto The Tramways (and other railways) of São Luís, Maranhão state, Brazil [1964-65], de Allen Morrison. Segundo Allen Morrison, se não fosse por dois fotógrafos norte-americanos, Allan H. Berner de Nova York e Foster M. Palmer de Boston, ambos entusiastas de bondes que viajaram para São Luís na década de 1960, não existiria quase nenhum registro da operação desse meio de transporte na nossa cidade, nos seus últimos anos. As fotos correspondem ao período de agosto de 1964 a julho de 1965.

Na publicação que é uma raridade, Allen Morrison descreve uma das cenas registradas na época: “Na imagem superior, bondes passam pela área próxima ao prédio dos Correios, em meados do século XX. Ao lado, um bonde elétrico na capital maranhense, fotografado em julho de 1964. Não há registros significativos sobre o início das linhas de bonde nesta cidade maranhense, apenas que em 1872 existia uma linha de bondes com tração animal, de 11 km. Em 1911, o mesmo engenheiro Antonio Lavendeyra, que construiu as docas flutuantes de Manaus, propôs uma usina
elétrica e um sistema de bondes elétricos, mas só em 1922 a empresa Ulen & Company começou a construção.A linha de bondes elétricos abriu em 15/9/1924, operada pela empresa Serviços de Água, Esgotos, Luz, Tração e Prensagem de Algodão (SAELTPA), sendo municipalizada na década de 1940, passando ao Departamento Municipal de Transportes Urbanos. O último veículo trafegou em 1966”, escreveu Morrison.

De acordo com a BibliotecaVirtual do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na Série: Acervo dos municípios brasileiros, relata que o início do serviço de bondes em São Luís começou em 1871, quando a Companhia Ferro-Carril se instalou em São Luís, dando início à primeira linha de bondes animálicos, que partiam do Largo do Palácio ao Cutim, passando pela Rua da Estrela, pela Estação, por remédios e pelo lugar chamado Francisco Abrantes. Entretanto, depois de algum tempo, os serviços prestados pela empresa não foram suficientes para a população, que ficou insatisfeita, especialmente no que se tratava à pontualidade e regularidade dos veículos.

Em 1909, a Câmara Municipal autoriza o estabelecimento de novos bondes elétricos na cidade, mas somente em 1918, uma empresa norte-americana foi contratada para fornecer energia a São Luís. Todavia, a empresa não cumpre com sua parte do contrato e o serviço não começa. Em 1924, a capital maranhense começa a ter o serviço de bondes elétricos, fornecido pela Ulen Company, empresa norte-americana. Os bondes também foram motivo de reclamações, graças à defasagem de lugares disponíveis na linha em relação ao tamanho da população de São Luís.

Em 1946, através de decreto do presidente Eurico Gaspar Dutra, as operações da Ulen no Brasil são encerradas. Em 1947, foi criado o SAELTPA (Serviços de Água, Esgoto, Luz, Tração e Prensa de Algodão), que manteve os bondes elétricos até o fim da década de 1950. Deste órgão surgiu o Departamento de Transporte de São Luís, que assumiu os serviços de tração da cidade. Na década de 1960, durante o governo de José Sarney, a empresa Fontec, contratada para organizar o trânsito da cidade, declarou que os bondes causavam transtornos no tráfego. A empresa proibiu o trânsito de bondes em boa parte da cidade, e logo todas as linhas foram desativadas. O último bonde circulou em São Luís em 1966.

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