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No ápice do romantismo, onde a escrita era um privilégio apenas dos homens, Maria Firmina dos Reis, mulher, maranhense e negra lançou sua primeira obra, Úrsula. Sua relevância não era atoa, seu romance abolicionista foi de extrema importância para a literatura brasileira, tornando-a pioneira no gênero.

Filha de mãe branca e pai negro, Maria Firmina dos Reis nasceu em São Luís, Maranhão, em 11 de março de 1822, registrada com o nome de um pai ilegítimo. Foi a primeira romancista mulher e negra do Brasil e do Maranhão, era muito humilde, mas com boa condição financeira, o que deu oportunidade a sua alfabetização e a cultura literária.

Em 1859 ela lançou sua primeira obra, Úrsula, que era nada mais, nada menos que uma crítica à escravidão através da humanização dos escravos. Úrsula foi o primeiro romance abolicionista, ela dá voz aos escravos, colocando-os em um lugar de igualdade. A história conta sobre um triângulo amoroso entre Úrsula, Tancredo e o tio de Úrsula, no entanto, o romance vai muito além disso, Maria Firmina faz questão de enfatizar a crueldade da escravidão e de colocar o ponto de vista do negro na história. Úrsula foi o primeiro livro brasileiro a se posicionar contra a escravidão.

Maria Firmina assinou o livro como “uma maranhense”, o que era uma estratégia usada pelas mulheres na época para que assim tivessem chance de expressar suas ideias, já que eram vetadas de tal ação. Era raro demais existir uma mulher escritora no século IXX, ainda mais negra, e Maria Firmina não possuía tanto conhecimento quanto os outros da classe alta.

“Pouco vale este romance, porque escrito por uma mulher, e mulher brasileira, de educação acanhada e sem o trato e conversação dos homens ilustrados” Disse Maria Firmina.

Ela foi a primeira mulher a ser aprovada em um concurso público no Maranhão para o cargo de professora de primário, em seguida Maria Firmina causou um escândalo na cidade de Maçaricó ao abrir uma escola gratuita e mista para meninos e meninas que foi fechada em menos de 3 anos, pois era uma atitude fora do comum para a época, assim como o fato de ela mesma se sustentar com seu próprio salário, tal ação era até mesmo mal vista pelas pessoas.

Outros escritores também já haviam abordado o tema, criticando o fato de uma literatura nacional repleta apenas de personagens brancos, tais como Machado de Assis e Lima Barreto.