As batidas dos tambores, cantigas entoadas em coro e o calor da fogueira anunciam: há uma roda de Tambor de Crioula por perto. Quem acompanha ou já prestigiou bem sabe que a manifestação cultural afro-brasileira e tipicamente maranhense é, no mínimo, hipnotizante. São mais de 200 grupos que louvam São Benedito no estado, e que a partir de agora, podem ter a garantia de que a cultura do Tambor será preservada e se tornará cada vez mais visível através de um diálogo entre passado e futuro no presente.

Foi inaugurada no dia 13 de julho a Casa do Tambor de Crioula, localizada na esquina das ruas Estrela e João Vital de Matos, na Praia Grande. O local, que recebeu investimento milionário através do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e abriu as portas pouco mais de uma década após a manifestação cultural se tornar Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, servirá de ponto de encontro para os detentores da manifestação, trazendo visibilidade através de exposições e espaços sociológicos, antropológicos e de vivência.

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Empoderamento dos detentores

Neto de Azile, gestor da Casa do Tambor de Crioula.

Em entrevista à TV Imparcial, o Superintendente de Patrimônio Imaterial do Estado e gestor da Casa do Tambor, Neto de Azile, apontou a importância do centro para os próprios fazedores do TC e para a sociedade como um todo. “O primeiro resultado é esse empoderamento. A partir do registro, os fazedores passam a ser protagonistas da sua própria história. Passam a ser reconhecidos politicamente, socialmente e culturalmente como importantes elementos primordiais que dão a identidade da população e da sociedade cultural do Maranhão”, comenta. Além dessa esfera, o espaço também informa aqueles que não conhecem a tradição da manifestação cultural e leva conhecimento aos próprios maranhenses, que poderão beber da fonte inicial: os próprios coreiros (participantes dos grupos de Tambor).

De acordo com Neto de Azile, todo o processo foi feito com empoderamento dos detentores da manifestação. “Tudo que foi proposto, planejado e executado de 2007 pra cá foi um desejo do fazedor, e o desejo final, a meta final desse conjunto de ações, era que se estabelecesse o Centro de Referencia do Tambor de Crioula”, explica o gestor. “A ideia é que o detentor seja um colaborador, um cogestor das ações. Tudo que for planejado e pensado passa por auditiva desses detentores, que terão total direito de opinar, sugerir e principalmente estarão inseridos nas ações. Quem vai executar essas ações é o fazedor”, completa.

O espaço da Casa do Tambor

O imóvel onde foi construída a Casa do Tambor de Crioula é um sobrado tradicional de dois pavimentos mais sótão. Na década de 1970, foi destruído por um grande incêndio. Agora, abriga mais uma ferramenta que deverá impulsionar a cultura maranhense. No térreo do prédio, o visitante encontra artefatos, painéis e informações acerca do tambor em uma riquíssima exposição. O pátio externo funcionará como área de vivência, com apresentações de grupos de Tambor de Crioula. No local, também é possível apreciar um mural do artista Romildo Rocha. Os andares superiores contam com salas de dança e oficinas, estúdio de gravação e TV e auditório, voltados à manutenção da manifestação cultural e transmissão de saberes.

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Casa do Tambor de Crioula, em São Luís. Imagens: Paulo Malheiros.
Casa do Tambor de Crioula, em São Luís. Imagens: Paulo Malheiros.
Casa do Tambor de Crioula, em São Luís. Imagens: Paulo Malheiros.
Casa do Tambor de Crioula, em São Luís. Imagens: Paulo Malheiros.
Casa do Tambor de Crioula, em São Luís. Imagens: Paulo Malheiros.