FAKE NEWS

Reprodução de notícias falsas tem gerado pânico na população

Com isso, notícias falsas que começaram a circular por redes sociais, as fake news, têm gerado grandes problemas como o desespero de consumidores que correm aos comércios, supermercados e postos de gasolina tentando fazer estoques

Posto com gasolina a R$4,69 na estrada de Ribamar. Foto: Ana Paula Ramos

É notório o efeito negativo provocado em quase todos os setores com a paralisação dos caminhoneiros nas principais rodovias do país. Já foram afetados desde o comércio, abastecimento de alimentos até hospitais e aeroportos. Casos como da rede de supermercados Carrefour que limitou, em todo o país, as compras de seus clientes a cinco unidades de cada produto, ou da gasolina chegando a R$ 9,99 em Brasília deixaram a população em polvorosa e abriram espaço para que qualquer nova notícia relacionada aos transtornos que a greve pudesse causar gerasse pânico generalizado na população.

Com isso, notícias falsas que começaram a circular por redes sociais, as fake news, têm gerado grandes problemas como o desespero de consumidores que correm aos comércios, supermercados e postos de gasolina tentando fazer estoques a fim de se prepararem para um “caos” na cidade, quando acabarem os produtos.

O risco em repassar notícias

Uma gravação que tem circulado por um aplicativo de mensagens afirma que estradas ficariam totalmente fechadas e as pessoas deveriam estocar mantimentos. “Olá, pessoal, aqui quem fala é o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros do Brasil. Quero falar para vocês se prevenirem, avisem suas famílias, vão no mercado, comprem comida, abasteçam seus carros, se previnam. Vai trancar tudo”, diz homem em áudio.

No âmbito local, outras notícias disseminadas em redes sociais afirmavam que o transporte coletivo iria parar no meio do dia e que algumas pessoas não conseguiriam voltar para casa. Apesar do comunicado oficial do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) de que 50% da frota de ônibus da capital circulariam na sexta-feira, 25, muitas pessoas ficaram com medo de sair de casa.

A reprodução de notícias falsas de modo surpreendentemente rápido através dos meios digitais pode trazer prejuízos sérios para a população, que já está apreensiva com os últimos acontecimentos, segundo alerta o professor e chefe do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Carlos Benedito Alves Junior.

“A propagação de notícias falsas é causa de problemas em qualquer situação. Sobretudo, em momentos de crise como esta que estamos passando, com risco de desabastecimento em diversos setores. Pois, além das dificuldades instauradas, o clima de incertezas acirra os ânimos, provocando reações de descontrole social. Nesse cenário, as redes sociais digitais acabam reverberando de modo muito rápido os boatos”.

Carlos destaca que a falta de crivo nas informações recebidas colabora com o aumento de notícias inverídicas e isso deve ser evitado a todo custo pelas pessoas. “Seja pelo pouco rigor dos produtores de conteúdo na apuração dos fatos, seja pelo desejo desenfreado de compartilhar tudo o que recebemos em nossas redes. De modo geral, precisamos estar mais atentos às fontes de notícias”.

No Brasil ainda não se tem uma legislação específica para punir quem produz e compartilha notícias falsas ou sem embasamento, porém, de acordo com a notícia que é repassada e do entendimento das autoridades policiais e jurídicas, a pessoa pode ser incluída em casos de calúnia, injúria ou difamação. O compartilhamento de conteúdos falsos pela internet, seja por aplicativos de mensagem ou pelas redes sociais, pode ainda se tornar crime com pena de prisão que varia de um a três anos de acordo com o Projeto de Lei (PL) 473/2017, do senador Ciro Nogueira (PP-PI).

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