PROTESTO

Estudantes retratam descaso de obras na UFMA em ensaio fotográfico

Alunos dos cursos de Comunicação Social, Artes Visuais e Direito fizeram do ensaio um protesto artístico retratando o descaso com as obras paralisadas das universidades públicas

Foto: Lúcio Silva

A arte e suas diferentes formas de expressões criativas ao longo da história sempre foram usadas pelos ativistas para passar informações sobre uma causa em particular ou mensagem. Há muitas obras de arte com abordagem política – tais como Guernica, de Picasso, alguns dos trabalhos na era do Vietnã de Norman Carlberg, ou as imagens de torturas em Abu Ghraib de Susan Crile – que podem ser definidas como “protestos artísticos”.

Foi pensando em uma maneira de chamar a atenção do poder público, das autoridades constituídas e da sociedade em geral que o estudante universitário Lúcio Silva e seus amigos dos cursos de Comunicação Social, Artes Visuais e Direito prepararam protesto artístico por meio de um ensaio fotográfico, retratando o descaso com as obras paralisadas das universidades públicas em todo o país, inclusive as da Universidade Federal do Maranhão.

O ensaio fotográfico teve como foco em especial o prédio da Biblioteca Central da instituição, que está abandonado desde 2015 e que custou cerca de R$ 1,5 milhão aos cofres públicos. Alvo de inúmeras reportagens de abrangência nacional, a obra segue paralisada e sendo deteriorada pela ação da chuva, além de conter diversas poças de água, com focos dos mosquitos que transmitem a dengue e outras doenças.

Em entrevista a O Imparcial, Lúcio Silva que está à frente do projeto De obra abandonada a espaço artístico, junto com o também estudante Neey Santos, fez questão de ressaltar que o objetivo do ensaio não é atingir a reitoria da Universidade Federal do Maranhão, mas buscar uma resposta à comunidade acadêmica sobre o descaso com uma obra tão importante como o novo prédio da Biblioteca Central.

“Ao todo, segundo o jornalismo da Globo, já são 44 universidades federais brasileiras com 252 obras paradas. São bibliotecas, salas de informática, prédios com salas novas, quadras. A paralisação da obra do prédio da UFMA está impactando diretamente no cotidiano dos estudantes que precisam do local para realizar seus estudos e pesquisa. A biblioteca antiga do CEB (Centro de Estudos Básicos) estão sem estrutura e funcionando de forma precária. O nosso objetivo é fazer uma provocação para que a obra seja concluída e entregue”, explicou o estudante.

O estudante também ressaltou que a escolha de fazer um ensaio fotográfico tendo como personagem a drag queen Ha Vena. Ela já é conhecida no meio universitário e artístico por usar a sua arte a favor dos direitos humanos tanto dentro das questões de gênero quanto em outras causas com temáticas sociais, políticas e culturais.

“Não queremos culpar ninguém pelo atraso da entrega da obra. O que queremos é que o problema seja resolvido. Sabemos que a UFMA, assim como as outras universidades brasileiras, está passando por uma crise financeira que é reflexo dos governos comandados no Brasil por Luiz Inácio Lula da Silva e Michel Temer. E cabe ao povo brasileiro fazer esse julgamento, e não nós estudantes, que estamos sendo alvos deste descaso público. Fica a dúvida sobre qual é o verdadeiro alvo de denúncia. O governo petista, que iniciou diversas obras e não as concluiu? O pós-golpe, que negligenciou a continuidade das obras?”, questionou Lúcio Silva.

Raio X do ensaio fotográfico

Local da exposição: Obra da Biblioteca Central da Universidade Federal do Maranhão

Nome do projeto: De obra abandonada a espaço artístico.

Como surgiu a ideia: Universitários descontentes com o desenrolar da crise política e econômica no Brasil, que paralisou mais de 250 obras em 44 universidades do país, prejudicando diretamente a comunidade universitária em São Luís, demais campi e população em geral.

Qual é o alvo da exposição: A priori, o alvo do projeto é a comunidade universitária em específico, com impacto direto. A sociedade em geral também entra no contexto de forma mais ampla, diante da necessidade da continuidade das obras e o descaso da situação da crise política e econômica nacional.

Empresa abandonou obra

Por meio de nota, a Universidade Federal do Maranhão informa que a construção da nova Biblioteca Central se encontra paralisada, desde 2015, devido ao abandono pela contratada. A empresa foi multada e impedida de licitar com a administração da UFMA.

A Universidade também destaca que está concluindo um novo orçamento para complementação desta obra, cuja licitação está prevista para ocorrer ainda no primeiro semestre de 2018. Entretanto, o reinício do trabalho dependerá da disponibilização orçamentária a ser liberada pelo governo federal.

Já foram gastos R$ 12.582.762,51 e serão necessários aproximadamente R$ 5.500.000,00 para conclusão do prédio, que atenderá toda comunidade acadêmica (docentes, discentes e técnicos-administrativos), hoje estimada em torno de 25 mil usuários. Quanto ao ensaio fotográfico no local, a Universidade não tem conhecimento.

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