EM NOME DA AMÉRICA

Documentário revive histórias de voluntários do programa Corpos da Paz

Em Nome da América entra em cartaz nesta quinta, 5 de abril, na mesma semana em que se completam 54 anos do golpe militar de 1964

Foto: Reprodução

O Golpe de Estado no Brasil em 1964 designa o conjunto de eventos ocorridos em 31 de março de 1964 no país, que culminaram, no dia 1º de abril daquele ano, com um golpe militar que encerrou o governo do presidente democraticamente eleito João Goulart, também conhecido como Jango.

Os militares brasileiros favoráveis ao golpe e, em geral, os defensores do regime instaurado em 1964 costumam designá-lo como “Revolução de 1964”, “Contragolpe de 1964” ou “Contrarrevolução de 1964”. Todos os cinco presidentes militares que se sucederam desde então declararam-se herdeiros e continuadores da Revolução de 1964.

O golpe estabeleceu um regime autoritário e nacionalista, politicamente alinhado aos Estados Unidos, e marcou o início de um período de profundas modificações na organização política do país, bem como na vida econômica e social. Sendo que o regime militar durou até 1985, quando Tancredo Neves foi eleito, indiretamente, o primeiro presidente civil desde 1964.

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E justamente essa influência norte-americana por meio da experiência de milhares de jovens voluntários da agência governamental Corpos da Paz entre os anos 1960 e 1970, no Brasil, que é o tema Central do documentário Em Nome da América, que estreia em São Luís, na quinta-feira (5), no Cine Lume, localizado na Avenida Colares Moreira, S/N, Ed. Office Tower – Renascença II.

O longa evidência, por meio de uma costura narrativa que inclui testemunhos, material de arquivo e documentação histórica, as contradições entre a política exterior norte-americana inaugurada no governo de John F. Kennedy e as motivações dos voluntários no auge da Guerra Fria. O golpe militar de 1964 no Brasil, a Guerra do Vietnã e a infiltração da CIA na América Latina completam o cenário localizado no enredo. Naquele momento, tanto as elites brasileiras, como o governo americano, acreditavam que o Nordeste brasileiro poderia se tornar uma “nova Cuba”. Participam do filme Robert Dean, Nancy Scheper-Hughes, Stephen Dachi, Selma Sawaya, José de Souza Félix, John Reeder, Manoel João dos Santos, Bruce Jay, Wallace Winter, Timothy Hogen e Dioclécio de Souza.

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Dirigido pelo fluminense radicado em Pernambuco Fernando Weller, o filme venceu o Prêmio Petrobras de Cinema, de melhor documentário, na 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 2017, e passou com aclamação, também, pelo Festival do Rio (mostra Première Brasil), Cachoeira DOC 2017, X Janela Internacional de Cinema do Recife e Forum.Doc.BH 2017.

Weller rastreou centenas de ex-voluntários que viveram em Pernambuco e entrevistou muitos deles ao longo de dois anos. O perfil dos jovens americanos era diverso. Uma parte vinha tocada pelos movimentos dos direitos civis que varriam os EUA nos anos 1960 e esperava encontrar no programa uma forma de ativismo social. Já outra percebia nos Corpos da Paz uma chance para escapar do conflito bélico no Vietnã.

Para o diretor, o filme ilumina um determinado período, porém, reverbera no macrocosmo, em especial no que se refere aos tempos atuais: “Procuro explorar a presença ambígua dos americanos no Brasil sem julgar os personagens, mas situando suas ações em um contexto político maior, muito além das vontades individuais. Os voluntários dizem que o programa foi mais importante para eles dos que para os brasileiros, pois tomaram contato com um mundo para além da bolha norte-americana. A gente percebe que, no Brasil, também vivemos em uma bolha, talvez mais fechada até. Sabemos pouco e, principalmente, menosprezamos a capacidade que governos, agências, empresas ou grupos políticos têm para interferir no curso da nossa história, sobretudo quando a intenção é manter as coisas como estão. Foi assim nos anos 1960 e não poderia ser diferente hoje.

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Não por acaso, Em Nome da América entra em cartaz nesta quinta, 5 de abril, na mesma semana em que se completam 54 anos do golpe militar de 1964. Ao lançar luz sobre acontecimentos pouco conhecidos pelo público, oferece uma minuciosa pesquisa com farto material histórico a embasar uma verdade ainda atual: a influência dos Estados Unidos no escopo sociopolítico do Brasil.

O documentário é uma coprodução das empresas pernambucanas Jaraguá Produções e Plano 9 Produções, financiada com recursos do Funcultura-PE e do edital Longa Doc do Ministério da Cultura (MinC), com patrocínio da Petrobras e distribuição da Inquieta Cine, via aporte do Fundo Social do Audiovisual.

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Com distribuição da Inquieta Cine, o documentário estreia, literalmente, do Norte ao Sul do país, passando por São Luís e outras cidades como: Rio Branco (AC), Fortaleza (CE), Recife (PE), Vitória (ES), Goiânia (GO), Rio de Janeiro (RJ), Niterói (RJ) , São Paulo (SP) e Porto Alegre (RS), onde a exibição acontecerá a partir de 19 de abril.

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