SEMANA SANTA

Procissão do fogaréu marca comemorações da páscoa no interior

Um espetáculo marcante na Semana Santa, um grande teatro a céu aberto onde milhares de fiéis percorrem e vivem o drama da paixão de Cristo, a história mais importante do mundo para os cristãos.

Foto: Reprodução

Ao som de tambores e à luz de tochas. É assim que acontece a Procissão do Fogaréu. O ritual simboliza a procura e a prisão de Cristo. Pelas ruas, homens encapuzados representam os soldados romanos, carregam as tochas quando as luzes da cidade se apagam, enquanto um coro entoa cantos. Um espetáculo marcante na Semana Santa, um grande teatro a céu aberto onde milhares de fiéis percorrem e vivem o drama da paixão de Cristo, a história mais importante do mundo para os cristãos.

Na cidade de Babacal, a 250 quilômetros da capital, a expectativa é de que a procissão seja acompanhada por aproximadamente 12 mil pessoas, no dia 28 (quarta-feira santa). A procissão que encena a prisão de Jesus Cristo terá início às 18h30 com a iluminação pública apagada, ao som de tambores e apenas com as luzes das tochas acessas. Ela sai da Praça da Igreja Matriz São Francisco das Chagas, passa pelas ruas da cidade e chega novamente à Praça da Igreja Matriz. Lá acontece a encenação da Crucificação, onde Cristo foi morto na cruz.

Em seguida, o toque do clarim anuncia que Jesus está morto e se faz um momento de silêncio. É o fim da procissão. Depois disso, o corpo do personagem que representa Cristo é sepultado dentro da lendária Igreja Matriz.

O espetáculo reúne turistas e moradores. A primeira procissão ocorreu em 2015, quando o pároco de São Francisco das Chagas na época, o frade franciscano Osmar Rodrigues de Jesus, trouxe o costume à cidade sempre realizado na quarta-feira santa.

“É sempre uma alegria para nós, da Paróquia São Francisco das Chagas, realizar pela quarta fez essa belíssima e importante procissão. Neste ano, e não será ao contrário dos outros, abordaremos vários temas, entre eles a Campanha da Fraternidade 2018, Eleições 2018 e os 50 anos de vida e missão de nossa amada diocese de Bacabal. Que Deus seja louvado por todos esses feitos. Feliz Semana Santa!”, deseja o Frei Osmar Rodrigues de Jesus, pároco de São Francisco das Chagas.

15 anos de procissão

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A manifestação religiosa popular de origem Ibérica já é realizada em várias cidades do Brasil. Em Caxias, há 15 anos a tradição se repete. Também realizada no dia 28, a Procissão do Fogaréu movimenta a cidade. Na linguagem do teatro de rua, o evento acontece desde 2003. A apresentação cênica se dá pelo perímetro histórico das igrejas seculares localizadas no centro da cidade, e reúne um elenco com mais de 300 atores, entre protagonistas, coadjuvantes e figurantes, teatralizando o sufrágio de Jesus Cristo antes da crucificação. Essa procissão, segundo historiadores, é a 3ª maior do Brasil. Quando as luzes das ruas do Centro Histórico de Caxias se apagam, o clarim soa no silêncio da noite e os fiéis acenderem suas tochas, é o sinal que a Procissão do Fogaréu está saindo da Catedral de

Nossa Senhora dos Remédios pela cidade, com um público aproximado de 20 mil pessoas. A Procissão do Fogaréu de Caxias se diferencia de todas as outras realizadas no país, porque, além dos farricocos (soldados romanos que prenderam Jesus na noite da Santa Ceia), que seguem encapuzados pelas ruas da cidade com tochas nas mãos, há a encenação teatral, o que não acontece em nenhuma outra do estilo.

“Os fiéis que acompanham a procissão podem levar ou comprar lanternas feitas de material reciclado, onde passam também a iluminar o percurso; que, diga-se de passagem, é bem grande; só quem tem muito pique pode acompanhá-lo. Uma legião de 40 participantes do elenco vão encapuzados com lanternas na mão; os atores se vestem com figurino de época; os cenários são bonitos e parecidos com os de Jerusalém; o público participa ativamente de todos os atos”, disse a turismóloga Letícia Mesquita, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Caxias.

Diferencial

A Procissão do Fogaréu da Cidade de Caxias (MA), foi idealizada e instituída por Sandro Leonardo Aguiar Bastos, o Léo Barata e Professor Estefanio Santos Silva, jovens católicos da Comunidade Nossa Senhora da Assunção do Bairro Nova Caxias (pertencente a Paróquia de Nossa Senhora das Graças). Dois anos após a primeira encenação, foi criada a Organização Caxiense de Artes e Tradições – OCAT, realizadora da cerimônia. A manifestação para-litúrgica e folclórica se difere das demais realizadas pelo país por agregar formas e adequações peculiares à região.

Cidade Sacra

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As celebrações da Semana Santa em Caxias começam neste fim de semana com a encenação da Paixão de Cristo. O espetáculo Cidade Sacra, Paixão, Morte e Ressureição de Jesus Cristo terá segunda apresentação neste domingo (25), em frente ao Centro de Cultura da cidade. A produção envolve mais de 100 pessoas entre atores, diretores e produtores caxienses (42 atores e atrizes no elenco principal, e mais 30 colaboradores) em um espetáculo que mistura teatro, performance, dança e música em torno da vida de Jesus Cristo, retratando a Via-Sacra, e já integra o calendário de eventos da cidade. “Com certeza, o Cidade Sacra já faz parte do calendário cultural da cidade, a edição do ano passado ficou na memória, como o evento religioso sobre a história de Jesus Cristo, mais marcante já encenado em Caxias”, afirmou o secretário de Cultura Arthur Quirino.

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