"Rio topless"

Atriz maranhense é destaque em série nacional

A série “Rio de Topless”, que estreia hoje no Canal Brasil, retrata movimentos em prol da liberdade do corpo feminino nas praias do Rio de Janeiro por meio do topless

Foto: Reprodução

Considerado ainda um tabu no Brasil, o movimento pelo topless vem ganhando força. E, para reforçar o movimento pela liberdade em prol da liberdade do corpo feminino, é que estreia hoje, às 21h, Dia Internacional da Mulher, a série Rio de topless, no Canal Brasil. Para quem não sabe, topless é um termo originário da língua inglesa e significa, literalmente, “sem a parte de cima”, designando a situação na qual uma mulher fica com os seios à mostra e não está vestindo nada da cintura para cima.

A série, idealizada e dirigida pela jornalista Ana Paula Nogueira, organizadora do Toplessaço, que agitou a Praia de Ipanema no verão de 2013, e fundadora do Movimento Toplessinrio, que traz a nudez feminina como ato revolucionário na cultura brasileira, conta com a participação da atriz maranhense Tássia Dur, que roubou a cena e foi destaque nos principais meios de comunicação do país ao fazer uma performance pelo Centro do Rio com os seios à mostra.

Em entrevista a O Imparcial, Tássia Dur revelou que ficou surpresa com a repercussão de sua participação, que também foi usada como teaser da série, que passeia por diversos aspectos do movimento, como a liberdade de expressão e a repressão social e policial imposta pelas forças de segurança. Intercalando entrevistas com ensaios fotográficos de mulheres que tiraram o sutiã pela primeira vez na praia, o programa traz figuras icônicas do feminismo como Leila Diniz, retrata o papel revolucionário de atrizes e cineastas como Helena Ignez, mostra a influência do carnaval como festa libertária e fala sobre a pressão da censura em pleno século XXI.

Tássia Dur contou ainda que gravou a sua performance no ano passado, no Centro do Rio de Janeiro, vestida como uma executiva com o seio do lado de fora da blusa em diversos locais como, por exemplo: em praça pública, no metrô, em uma banca de jornal e até em uma igreja. “As reações eram as mais diversas possíveis. Algumas pessoas ficavam olhando espantadas, com olhar curioso, outras registravam a cena com o celular e teve algumas que ficaram com raiva, como ocorreu quando estava dentro da igreja. Teve pessoas que não acreditavam no que estavam vendo. As pessoas não sabiam que se tratava de uma gravação. Foi muito interessante ver como as pessoas ainda reagem ao topless”, disse a atriz. Tássia Dur revelou ainda que durante toda a gravação da performance ela contou com ajuda de um segurança “invisível” que acompanhava o seu trajeto.

Tássia Dur acrescentou também que o programa contará, por meio de entrevistas e material de arquivo, a história do topless e de outros movimentos de liberdade do corpo nas areias do Rio de Janeiro. Dos hippies do Píer de Ipanema às feministas, a série traz pessoas que ousaram desnudar os seios na cidade famosa pela beleza do bumbum. Segundo ela, o episódio de estreia de Rio de Topless aborda os anos 1970 e traz depoimentos de Patrícia Casé, Sérgio Mamberti e Frederico Mendes, o fotógrafo que despertou a ira dos militares ao publicar o que seria a primeira foto pública de uma mulher de topless em Ipanema. O programa mostra ainda o topless transgressor de Janis Joplin também nas areias de Ipanema.

Apesar de o topless não ser proibido por lei no Brasil, a praticante pode ser detida, porque a definição de ato obsceno, punido pelo artigo 233 do Código Penal, está aberta a interpretações. O topless também pode ser um protesto pela igualdade entre gêneros, assegurada pelo artigo 5º da Constituição. Grupos que militam pela emancipação feminina são famosos por manifestações com seios à mostra. Além das mulheres, transexuais e travestis estão usando essa tática para reivindicar sua feminilidade.

Sobre Tássia Dur

Tássia Dur nasceu em São Luís do Maranhão, mas está há 5 anos residindo em São Paulo. A atriz integrou um dos grupos mais conhecidos de teatro à nível nacional, Os Satyros com a peça Os 120 dias de Sodoma, com direção de Rodolfo Garcia Vazques, em São Paulo. Sua última peça foi A História do Zoológico, com direção de Cynthia Falabella, no teatro Parlapatões. Produziu e atuou no videoclipe da música Quizas, da banda Criolina. No cinema, fez dois curtas-metragens: Carta Vermelha (2016) e Submersa (2016). A atriz também foi uma das apresentadoras do festival de música BR 135, idealizado pelos cantores e produtores culturais maranhenses Alê Muniz e Luciana Simões. Tássia Dur foi ainda uma das protagonistas da série maranhense O Dia em Que Nos Tornamos Terroristas, exibida todas as sextas-feiras em cinco capítulos na TV Cultura.

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