RESENHA

A dramática vida de Frida Kahlo

Filme mostra vida da pintora mexicana Frida Kahlo e seus dramas retratados em suas obras, que são uma referência até hoje no mundo das artes visuais

Reprodução

A vida da pintora mexicana Frida Kahlo, que teve uma juventude dura marcada pela poliomelite e por um acidente de bonde que a deixou de cama durante muitos meses, e que sempre é lembrada nas artes visuais por ter transformado seu sofrimento pessoal em obras de arte, poderá ser vista hoje e quarta-feira, às 18h, no Cine Praia Grande, no Centro de Criatividade Odylo Costa Filho, na Praia Grande. O ingresso custa R$ 6.

O drama biográfico Frida, dirigido por Julie Taymor, que tem no elenco os atores Salma Hayek, Alfred Molina, Geoffrey Rush, e Ashley Judd, retrata a história da vida da pintora que compartilhou abertamente e sem medos, com o também pintor Diego Rivera, o período em que o controverso casal subverteu o mundo artístico. O enredo mostra o sofrimento de Frida desde o acidente de ônibus que mudou irreversivelmente a sua vida, as cirurgias para tentar corrigir a coluna, o seu casamento com Diego Riviera, a maternidade, e sua bissexualidade.

Salma Hayek interpreta uma Frida Kahlo interessante e revolucionária. A pintora casou-se aos 22 anos com Diego Riviera, em 1929, um casamento tumultuado, visto que ambos tinham temperamentos fortes e casos extraconjugais. Kahlo, que era bissexual, teve um caso com Leon Trotski depois de separar-se de Diego. Rivera aceitava abertamente os relacionamentos de Kahlo com mulheres, mesmo elas sendo casadas, mas não aceitava os casos da esposa com homens. Frida também descobriu que Rivera mantinha um relacionamento com sua irmã mais nova, Cristina.

A história perpassa pela separação de Frida, além da seus relacionamentos e novos amores com homens e mulheres, e sua volta em 1940 para os braço de Diego Riviera. Vale lembrar que o segundo casamento da artista foi tão tempestuoso quanto o primeiro, marcado por brigas violentas. O filme mostra ainda que, ao voltar para o marido, Frida construiu uma casa igual à dele, ao lado de onde moravam. Essa casa era ligada à outra por uma ponte, e eles viviam como marido e mulher, mas sem morar juntos. Encontravam-se na casa dela ou na dele, nas madrugadas.

Embora tenha engravidado mais de uma vez, Frida nunca teve filhos, pois o acidente que a perfurou comprometeu seu útero e deixou graves sequelas, que a impossibilitaram de levar uma gestação até o final, tendo tido diversos abortos. A pintora mexicana tentou diversas vezes o suicídio com facas e martelos.

Em 13 de julho de 1954, Frida Kahlo, que havia contraído uma forte pneumonia, foi encontrada morta. Seu atestado de óbito registra embolia pulmonar como a causa da morte. Mas não se descarta a hipótese de que tenha morrido de overdose (acidental ou não), devido ao grande número de remédios que tomava.

A última anotação em seu diário, que diz “Espero que minha partida seja feliz, e espero nunca mais regressar – Frida”, permite a hipótese de suicídio. Seu corpo foi cremado, e suas cinzas encontram-se depositadas em uma urna em sua antiga casa, hoje Museu Frida Kahlo.

Sobre a artista

Frida Kahlo nasceu em 6 de julho de 1907 na casa de seus pais, conhecida como La Casa Azul (A Casa Azul), em Coyoacán, na época uma pequena cidade nos arredores da Cidade do México e hoje um distrito. Em 1913, com seis anos, Frida contraiu poliomielite, a primeira de uma série de doenças, acidentes, lesões e operações que sofreu ao longo da vida.

A poliomielite deixou uma lesão no seu pé direito, pelo que ganhou o apelido de Frida pata de palo (ou seja, Frida perna de pau). Passou a usar calças, depois longas e exóticas saias, que se tornaram uma de suas marcas pessoais. Ao contrário de muitos artistas, Kahlo não começou a pintar cedo. Embora o seu pai tivesse a pintura como um passatempo, Frida não estava particularmente interessada na arte como uma carreira.

KAHLO, Frida. A Coluna Partida. Óleo sobre tela. 39,8 x 30,7 cm. 1944, Museu Dolores Olmedo Patiño.

Entre 1922 e 1925, frequenta a Escola Nacional Preparatória do Distrito Federal do México e assiste a aulas de desenho e modelagem. Em 1925, aos 18 anos, aprendeu a técnica da gravura com Fernando Fernandez. Então sofreu um grave acidente. Um bonde, no qual viajava, chocou-se com um trem. O para-choque de um dos veículos perfurou-lhe as costas, causando uma fratura pélvica e hemorragia.

Frida ficou muitos meses entre a vida e a morte no hospital, teve que operar diversas partes e reconstruir por inteiro seu corpo, que estava todo perfurado. Tal acidente obrigou-a a usar coletes ortopédicos de diversos materiais, e ela chegou a pintar alguns deles (como o colete de gesso da tela intitulada A Coluna Partida).

Durante a sua longa convalescença, começou a pintar, usando a caixa de tintas de seu pai e um cavalete adaptado à cama. Em 1928, entrou no Partido Comunista mexicano e conheceu o muralista Diego Rivera, com quem se casa no ano seguinte. Sob a influência da obra do marido, adotou o emprego de zonas de cor amplas e simples, num estilo propositadamente reconhecido como ingênuo. Procurou na sua arte afirmar a identidade nacional mexicana, por isso adotava com muita frequência temas do folclore e da arte popular do México.

Entre 1930 e 1933, passa a maior parte do tempo em Nova Iorque e Detroit, com Riviera. Entre 1937 e 1939, recebeu Leon Trotski em sua casa de Coyoacán. Em 1938, André Breton qualifica sua obra de surrealista em um ensaio que escreveu para a exposição de Kahlo na galeria Julien Levy de Nova Iorque. Não obstante, ela mesma declarou mais tarde:

“Pensavam que eu era uma surrealista, mas eu não era. Nunca pintei sonhos. Pintava a minha própria realidade”

Em 1939, expõe em Paris na galeria Renón et Colle. A partir de 1943, dá aulas na escola La Esmeralda, no D.F. (México). Em 1953, a Galeria de Arte Contemporânea desta mesma cidade organiza uma importante exposição em sua honra. Alguns de seus primeiros trabalhos incluem o Auto-retrato em um vestido de veludo (1926), Retrato de Miguel N. Lira (1927), Retrato de Alicia Galant (1927) e Retrato de minha irmã Cristina (1928).

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